Acidentes em pontes da BR-392 expõem riscos na rodovia

Acidentes em pontes da BR-392 expõem riscos na rodovia

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Dois acidentes registrados entre a noite de sexta-feira (13) e a tarde de domingo (15), em pontes da BR-392, em Santa Maria, reacendem o debate sobre os fatores que contribuem para colisões graves nesses trechos da rodovia, marcados por limitações físicas e alto fluxo de veículos.

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Na sexta-feira (13), uma colisão frontal entre um carro e uma carreta, sobre a ponte do Arroio Passo das Tropas, deixou duas vítimas fatais. Outras duas passageiras ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). A motorista do caminhão não se feriu. 

Já na tarde de domingo (15), seis pessoas ficaram feridas após a colisão entre dois carros na ponte do Passo do Verde. Uma das vítimas ficou presa às ferragens e precisou ser resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. Quatro ocupantes de um dos veículos foram encaminhados ao Hospital Santo Antônio, em São Sepé.

As circunstâncias dos dois acidentes são apuradas, mas há indícios de invasão de pista em ambas as situações.


Pontes ampliam gravidade dos acidentes, alerta PRF

Segundo o policial rodoviário federal Jussie Pettine Santos, da 9ª Delegacia da PRF, esse tipo de ocorrência tende a se agravar em trechos como pontes, onde não há acostamento, e o espaço lateral é praticamente inexistente.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Ele explica que, nessas condições, qualquer erro de condução – como uma ultrapassagem mal calculada, uma distração momentânea ou até uma correção brusca de direção – reduz drasticamente as chances de evitar a colisão. 

– Ao passar pelas pontes, é preciso reduzir a velocidade e manter-se rigorosamente na faixa, porque não há margem de desvio – afirma.

O policial também chama atenção para comportamentos recorrentes, como uso de celular ao volante, excesso de velocidade e tentativas de ultrapassagem em locais inadequados, que aumentam o risco justamente em pontos mais sensíveis da rodovia.


Especialista aponta fatores estruturais e sistêmicos da rodovia

A leitura sobre o peso do comportamento dos condutores é reforçada por especialistas, que ampliam essa análise ao incluir também as condições estruturais da via. 

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Para o professor de engenharia civil da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e especialista em mobilidade urbana Carlos José Antônio Kümmel Félix, 67 anos, os acidentes não podem ser analisados de forma isolada, já que estão inseridos em um contexto mais amplo de limitações da rodovia.

Ele aponta que a BR-392 reúne uma combinação de fatores que contribuem para esse tipo de ocorrência: 

  • velocidade incompatível com o trecho;
  • geometria da via, com curvas e visibilidade limitada;
  • presença significativa de veículos pesados;
  • características híbridas da rodovia, com trechos urbanos;
  • comportamento humano, como distração, fadiga e ultrapassagens indevidas.

Além disso, o especialista destaca que a própria dinâmica da rodovia favorece situações de risco. A presença constante de caminhões, por exemplo, tende a gerar filas e induzir ultrapassagens, muitas vezes realizadas em locais inadequados. Somado a isso, a manutenção de velocidades elevadas em trechos com pouca margem de erro diminui o tempo de reação dos motoristas e aumenta a gravidade dos impactos.

Félix também defende uma abordagem sistêmica da segurança viária.

– O sistema deve ser projetado para que o erro humano não resulte em morte – afirma.


Motoristas relatam rotina de risco na BR-392

Foto: Rian Lacerda (Diário)

A percepção de risco apontada por autoridades e especialistas também se reflete na experiência de quem utiliza a rodovia no dia a dia. A empresária Thais Carvalho Brondani da Silva, 28 anos, que trabalha às margens da rodovia, afirma que as condições da pista contribuem para a sensação de insegurança.

– Por conta dos buracos, é preciso reduzir muito a velocidade ou desviar pela estrada, o que também acaba sendo perigoso – relata.

Segundo ela, também é frequente observar veículos acima do limite permitido de 80 km/h e ultrapassagens em trechos de maior risco.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Já a doméstica Adriana Aquino, 40 anos, que passa os finais de semana na Vila Verde, próxima à BR-392, presenciou o acidente de domingo e acompanhou o resgate dos feridos. Para ela, a imprudência é um dos principais fatores.

– Tem muita ultrapassagem em ponte e em curva, nós vemos de tudo. O cansaço do motorista também pesa. Sinceramente, quando está cansado, precisa parar para evitar acidentes – declara.


Melhorias e cuidados

Além das falhas de condução, o trecho reúne condições que ampliam o risco de acidentes, como irregularidades na pista e a presença de detritos ao longo da rodovia, incluindo peças desprendidas de caminhões e resquícios de acidentes. 

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Para o professor Félix, a redução das ocorrências depende de um conjunto de medidas. Entre elas, estão intervenções estruturais, como ajustes na geometria da via e ampliação da capacidade, aliadas ao reforço na fiscalização e à mudança de comportamento dos condutores.

Diante desse cenário, a PRF orienta que motoristas evitem ultrapassagens em pontes, respeitem os limites de velocidade e mantenham atenção constante ao volante.


Confira outros acidentes no trecho:





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Vitória Sarturi

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