"Que isso não aconteça mais com nenhum Gabriel", diz mãe após condenação de réus pela morte do filho

Foto: Vitória Parise (Diário)

Segundo Rosane Machado Marques, mãe do menino Gabriel Marques Cavalheiro, o momento da condenação trouxe um sentimento de paz após anos de sofrimento.

Após quase quatro anos de espera por Justiça, a mãe, Rosane Machado Marques, e o pai, Anderson da Silva Cavalheiro, afirmaram que a condenação dos três policiais militares acusados pela morte do filho, Gabriel Marques Cavalheiro, trouxe um sentimento de alívio e a certeza de que a luta da família valeu a pena. As declarações foram feitas na madrugada deste sábado (4), logo após o encerramento do Tribunal do Júri, no Fórum de São Gabriel.


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O julgamento foi concluído às 23h09min de sexta-feira (3), após cinco dias de sessões marcadas por depoimentos de familiares, testemunhas de acusação e defesa, peritos, policiais envolvidos na investigação e os próprios réus, além dos debates entre acusação e defesa. Os jurados também realizaram duas visitas à localidade de Lava Pé, onde o corpo de Gabriel foi encontrado, para observar as características da área que integra a investigação.

Já por volta das 0h30min deste sábado, a juíza Liz Grachten leu a sentença que condenou o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima a 24 anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil. Os três também perderam os cargos públicos e foram condenados ao pagamento de R$ 100 mil de indenização por danos morais à família de Gabriel.

Emocionada, Rosane agradeceu o apoio recebido ao longo de toda a caminhada e destacou a importância da mobilização da sociedade e da imprensa para que o caso tivesse repercussão nacional.

- A gente só tem a agradecer por tudo. Se não fosse a mídia, o caso do Gabriel não teria tomado toda essa proporção que teve no Brasil inteiro. Tenho que agradecer vocês também por isso - afirmou.

A mãe também elogiou a postura da magistrada durante a leitura da sentença, ressaltando a sensibilidade demonstrada ao longo do julgamento.

- Ela foi muito atenciosa com a gente. Não tenho palavras para agradecer o jeito que ela nos tratou e falou conosco. Ela teve um carinho muito grande pela nossa família - disse.


Segundo Rosane, o momento da condenação trouxe um sentimento de paz após anos de sofrimento.

- Foi um alívio, porque é uma resposta para a sociedade. A sociedade precisava dessa resposta e ela foi dada hoje. Os promotores nos ajudaram bastante, vocês da imprensa sempre estiveram do nosso lado e a população também - declarou a mãe.

Ao recordar o filho, a mãe afirmou que Gabriel será lembrado pelo amor que deixou e pelo legado que sua história representa.

- Ele vai ser sempre lembrado por amor e justiça. Ele foi um anjo para nós e para todos. Gabriel teve que passar por isso para que não aconteça mais com nenhum outro jovem. Que as pessoas aprendam a tratar os outros com respeito e humanidade - disse a mãe bastante emocionada.

O pai de Gabriel, Anderson da Silva Cavalheiro, também acompanhou a leitura da sentença e compartilhou o sentimento de alívio vivido pela família após o desfecho do julgamento, encerrando um dos casos de maior repercussão no Rio Grande do Sul nos últimos anos.

Para os pais, a condenação dos três policiais representa não apenas justiça pela morte do filho, mas também um marco na luta para que episódios semelhantes jamais se repitam.


Relembre o caso

Gabriel Marques Cavalheiro havia se mudado de Guaíba para São Gabriel para prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite de 12 de agosto de 2022, ele saiu da casa de um tio, no Bairro Divina Providência, após consumir bebida alcoólica.​

Uma moradora acionou a Brigada Militar relatando que um homem tentava entrar em sua residência. Os três policiais atenderam a ocorrência, abordaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Imagens registradas por uma testemunha mostram o momento da abordagem. Segundo a investigação, essa foi a última vez em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi encontrado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na localidade de Lava Pé, na zona rural de São Gabriel.

Desde então, o caso ganhou repercussão em todo o Rio Grande do Sul e passou a ser acompanhado por familiares, entidades de direitos humanos e órgãos de segurança pública. Os três policiais foram denunciados pelo Ministério Público e permanecem presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.

O que se tornou um dos de maior repercussão no Estado nos últimos anos, principalmente por envolver policiais da Brigada Militar.


(Colaborou Vitória Parise)

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