A escolha do local para abastecer o carro e a forma de pagamento pode pesar e muito no bolso do consumidor em Santa Maria. Nesta segunda-feira (04), até a publicação desta reportagem, a variação de preços da gasolina comum chegava a R$ 1,20 nos postos de Santa Maria. O menor preço do litro da gasolina comum foi encontrado a R$ 6,19 e, o mais alto, R$ 7,39. O diesel comum tinha variação foi de R$ 1,10. O mais baixo era encontrado por R$ 6,99, e no local mais alto era de R$ 8,09.
Em comparação com 20 de junho, quando uma pesquisa do Diário em 30 postos mostrou que a gasolina mais barata na cidade era vendida, na época, por R$ 6,76, a redução no período chega a R$ 0,57.
Em um comparativo com um carro que possui a capacidade de 50 litros, encher o tanque no posto mais barato custará em média R$ 309,50. No mais caro, o valor deve chegar a R$ 369,50. Uma diferença de R$ 60.
– Até próximo de R$ 8,00 o litro chegou a gasolina comum. Três fatores foram primordiais. A pandemia, ocasionou escassez, guerra na Rússia contra a Ucrânia e a instabilidade política que a gente se encontra. A diminuição de uma redução do ICMS de 25% para 17%, o que já chegou para o consumidor final. Isso a curto prazo é bom. Dá um fôlego para as pessoas, no qual elas deixam de gastar tanto no combustível e passam a gastar na alimentação – comenta o professor e economista Mateus Frozza.
Na maioria dos postos, os menores preços eram obtidos apenas por pagamento em dinheiro ou Pix. Alguns mantiveram o preço no pagamento no cartão na modalidade débito. No entanto, no crédito, os valores do litro chegavam a ter R$ 0,80 de diferença no mesmo estabelecimento. Quem pesquisou a diferença nos postos, como a vendedora de 54 anos, Maribel Gonçalves, comemorou a redução.
– Eu achei isso ótimo. Andar de carro hoje em dia é uma necessidade. Quanto mais baixo melhor. Está difícil, com o preço que chegou, só usamos para trabalho, nada para passeio – comemora.
Não foram só os consumidores que celebraram a redução dos preços dos combustíveis. Para quem está do outro lado do balcão, os donos de postos de combustíveis, a projeção é poder aumentar as vendas:
– A gente depende sempre da distribuidora. O Brasil tem o monopólio estatal, então não tem muito o que fazer. É a Petrobras que determina as coisas. O problema são os impostos que vem agregado. O ICMS, por exemplo, não é cobrado do produto original que sai da refinaria. Ele é cobrado por uma estimativa que o estado faz da venda ao consumidor. Uma coisa bem perversa. A redução de impostos ajuda a nós e ao consumidor. Quanto menos preço, mais se vende – afirma Antônio Palharini, 59 anos, proprietário posto de combustível.
Na maioria dos postos, os menores preços eram obtidos apenas por pagamento em dinheiro ou Pix.
Leia também:
Presidente do Sindilojas de Santa Maria é empossado como vice-presidente de Comércio Varejista da Fecomércio-RSDesemprego cai para 9,8% no trimestre, afirma IBGECom crescimento em maio, Santa Maria acumula alta de 77% na geração de empregosPrefeitura entrega mais de 400 certidões de imóveis para moradores do loteamento Km 2
Mais ainda
Segundo outro dono de posto de combustível, Carlos Rui Robalo, a redução nos próximos dias pode fazer com que a gasolina fique abaixo de R$ 6.
– Deve-se ficar atento para a variação dos preços no mercado internacional, por ser este o maior influenciador na formação de preços mo segmento combustíveis. Visto que nos últimos dias já vinha sendo notada uma redução no preço da gasolina, os próximos dias devem ser de variação de baixa devido aos ajustes de estoque. Provavelmente vai girar entre R$ 0,40 a R$ 0,50 por litro a redução – diz Robalo.
Porém, nem todos ainda sentiram o impacto da redução dos preços. Para quem depende diretamente do combustível como atividade profissional, o reajuste ainda não é suficiente para recuperar a diminuição da margem de lucro dos últimos meses, como é o caso do taxista Antônio Luiz Gabrielle, 68 anos.
Taxista Antônio Luiz Gabrielle, de 68 anos, afirma que baixa do preço não traz impacto para a categoria.
– Estamos sem reajuste da tarifa há cinco anos, quando a gasolina custava R$ 3. Essa redução praticamente não muda muita coisa para nós. O preço foi jogado lá para cima, um aumento quase que semanal, para depois começar a baixar. Até aonde vai isso aí? Quem que vai pagar isso lá na frente? Alguém vai ter que pagar. Não sei se vai gerar um impacto – afirma.
Despesa futura
Segundo o economista Mateus Frozza, o pensamento do taxista a médio ou longo prazo não está errado. Como a redução dos impostos ocorre por meio de um subsídio do governo federal para os Estados, a tendência é que os preços devam ter algum tipo de impacto para os consumidores em algum momento:
– A ressalva que eu faço é que essa medida está custando R$ 42 bilhões para o país, esse subsídio do combustível. Se somarmos o Auxílio Brasil e o auxílio aos caminhoneiros chegaremos a R$ 70 ou R$ 80 bilhões de benefícios fiscais em ano eleitoral. Quem vai pagar essa conta a partir de 2023 seremos nós. Quem mais vai sentir, obviamente, é quem possui menor renda.
Os preços dos combustíveis e outros produtos podem ser acompanhados diariamente pelo aplicativo Nota Fiscal Gaúcha.
José Quintana Jr, [email protected]
Leia todas as notícias