Foto: Vinicius Becker (Diário)
O Plano de Contingência voltado à barragem do DNOS, no Campestre do Menino Deus, passa a ter uma nova estrutura de gerenciamento de risco que deve balizar a resposta a desastres em todo o município. A atualização do documento ocorre mesmo com a barragem em situação de normalidade, segundo o Executivo, e tem como foco preparar equipes e comunidade para eventuais situações extremas como um vendaval ou inundações. O plano foi apresentado pelo Executivo na manhã de quinta-feira (13), durante encontro do prefeito Rodrigo Decimo (PSD) e o time de secretariado.
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De acordo com o secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias de Santa Maria, Edson Roberto das Neves Junior, não há risco iminente na estrutura. A atualização do plano foi proposta para modernizar protocolos e integrar as secretarias em um novo modelo de atuação em casos de desastres naturais, chamado de Sistema Integrado de Gerenciamento de Risco e Desastre (Sigerd). Além do Plano de Contingência, reservado para situações de risco, a Corsan realiza o monitoramento 24 horas da barragem e também é responsável pelo Plano de Ação Emergencial (PAE), que estabelece instrumentos obrigatórios de segurança para empreendimentos desse tipo.
– O plano não surge porque há um problema, mas porque a legislação exige e porque nós precisamos estar preparados para qualquer cenário – explicou o secretário.
Novo sistema de comando
A principal novidade é a adoção de uma estrutura dividida em dois eixos: o Sistema de Comando de Incidentes, responsável pelas decisões estratégicas, e o Sistema de Comando de Operações, voltado à execução prática das ações em campo. Na prática, isso significa que, em caso de emergência, como uma hipotética ruptura de barragem, cada secretaria já terá funções previamente definidas. Por exemplo, a partir do estudo de mancha de inundação, o município definiu rotas de evacuação e pontos de encontro para moradores das áreas que poderiam ser atingidas.
O plano também estabelece que a retirada das famílias ocorrerá de forma organizada, com equipes previamente designadas para transporte até os pontos de acolhimento. A partir dali, a prefeitura assumiria as etapas de recepção, triagem e encaminhamento para abrigos. O município também adotou o conceito de família multiespécie, prevendo estrutura para acolher não apenas as pessoas, mas também seus animais domésticos.
– Hoje entendemos que os animais fazem parte do núcleo familiar. Então, o plano contempla como será o cadastramento, o transporte e o acolhimento desses animais. Isso também é cuidado com as pessoas – ressaltou.

O atendimento em saúde está integrado ao plano. Uma coordenação específica será responsável por articular a rede pública e privada para atendimentos de urgência, suporte psicológico e eventual necessidade de remoção de pacientes. Paralelamente, a assistência social atuará no cadastramento das famílias atingidas, etapa considerada estratégica para garantir acesso a benefícios estaduais e federais. Outro ponto destacado é a organização logística e o restabelecimento de serviços essenciais, como energia elétrica, abastecimento de água e infraestrutura urbana.
– Se for necessário abastecer embarcações, viaturas ou garantir alimentação e suprimentos, isso já estará dentro de uma coordenação específica de logística. O bombeiro não vai precisar parar o resgate para resolver combustível, por exemplo. Cada setor terá seu papel definido, inclusive na reconstrução emergencial e na avaliação de danos – disse Neves Junior.
Exercício prático deve ser realizado neste semestre
A realização de um simulado de evacuação deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. A atividade será realizada em parceria com a Corsan e permitirá que a população conheça os trajetos, compreenda o funcionamento do sistema de alerta e saiba como proceder.
– O simulado é fundamental porque permite que a comunidade conheça as rotas de saída, entenda como funcionam os alertas e saiba para onde se dirigir. A partir do ponto de encontro, o município entra com acolhimento, transporte, e toda a assistência necessária. Esse treinamento reduz o pânico e aumenta a capacidade de autoproteção das pessoas – destacou o secretário.

Barragem segue em normalidade
O secretário da pasta reforçou, ainda, que a barragem do DNOS opera normalmente e de forma segura, e que o plano não decorre de risco iminente. A expectativa é que o modelo implantado a partir da barragem sirva como referência para outros tipos de desastres, como vendavais, incêndios de grandes proporções, inundações e deslizamentos, o que consolidaria um protocolo único de resposta rápida em Santa Maria.
– Em um desastre, não há tempo para decidir quem faz o quê. Tudo precisa estar previamente definido: quem coordena, quem executa, quem comunica, quem presta assistência. A desorganização pode gerar um desastre dentro do próprio desastre. Por isso, estamos trabalhando agora, em um cenário de normalidade, para que cada secretaria saiba exatamente qual é a sua atribuição – ressalta Neves Junior.
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