Produção de oliveiras deve alcançar safra recorde na região central do RS em 2026

Produção de oliveiras deve alcançar safra recorde na região central do RS em 2026

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A olivicultura da região central do Rio Grande do Sul vive a expectativa de uma safra histórica em 2026. Após dois anos consecutivos de perdas, a combinação de clima favorável, amadurecimento dos pomares e avanços técnicos deve impulsionar a produção de azeitonas, com possibilidade de recorde em volume e qualidade.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

A projeção representa uma virada após um período crítico para o setor. Em 2023, o Estado atingiu mais de 580 mil litros de azeite, estabelecendo um recorde. No entanto, em 2024 houve uma quebra acentuada, com redução de até 73% na produção e volume próximo de 193 mil litros. Em 2025, o cenário de baixa se manteve, com pouco mais de 190 mil litros produzidos, refletindo principalmente os impactos de condições climáticas adversas e da deriva de herbicidas.


Fatores que impulsionam a safra

Agora, o cenário é mais favorável. Conforme o extensionista rural e coordenador estadual de olivicultura da Emater/RS-Ascar, Antonio Carlos Leite de Borba, o clima recente contribuiu diretamente para o desempenho das lavouras:

Tivemos um inverno com horas de frio adequadas e uma primavera com volumes de chuva equilibrados, o que permitiu uma excelente polinização. Isso reflete diretamente na quantidade de frutos.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Além do clima, o aumento da área plantada e o avanço da idade dos pomares – muitos entrando agora na fase de maior produtividade – ajudam a explicar a expectativa positiva. Soma-se a isso a evolução no manejo, com práticas mais eficientes de nutrição, poda e escolha de cultivares adaptadas. O resultado aparece tanto no volume quanto na qualidade do azeite,consolidando o Rio Grande do Sul como responsável por cerca de 75% da produção nacional.


Produção regional

Do ponto de vista de quem está no campo, o cenário projetado para 2026 reforça o clima de recuperação e confiança após anos desafiadores. Em Caçapava do Sul, a empresa Prosperato – reconhecida internacionalmente pela qualidade dos seus produtos – destaca que o momento atual do ciclo é decisivo para consolidar esse resultado.

Foto: Prosperato / Reprodução

Para o diretor Rafael Marchetti, 32 anos, o resultado é fruto do equilíbrio entre condições naturais e trabalho técnico:

Não adianta só fazermos a nossa parte, dependemos do clima que é fundamental para que tenhamos uma boa colheita como neste ano. Da mesma forma, também não adiantaria só o clima ajudar sem o manejo adequado.

A projeção é atingir cerca de 50 mil litros de azeite, o dobro do volume registrado em 2025, reforçando a expectativa de uma safra acima da média.

O mesmo cenário se repete na região da Quarta Colônia, especialmente no Recanto Maestro, entre São João do Polêsine e Restinga Sêca. A área reúne cerca de 200 hectares plantados, com 40 já em produção, sob coordenação da Fundação Antonio Meneghetti e apoio da Faculdade Antonio Meneghetti.

Foto: Nathália Schneider (arquivo Diário)

Responsável técnico pela produção, o engenheiro agrônomo Fabrício Carlotto destaca o desempenho da colheita:

Até o momento, já foram colhidas mais de 225 toneladas de frutas, o que representa cerca de 60% a 65% da área produtiva. A expectativa é chegar entre 320 e 350 toneladas nesta safra, o que praticamente triplica o recorde anterior do Recanto Maestro, registrado em 2021.

Atualmente, o Estado conta com 4.987 hectares cultivados por 234 produtores. As maiores áreas estão em Encruzilhada do Sul (947 ha), Canguçu (440 ha), Bagé (404 ha) e Cachoeira do Sul (377 ha). Na Região Central, são 722,5 hectares plantados por 28 produtores, com destaque para Cachoeira do Sul (377 ha), Restinga Sêca (168 ha) e São Sepé (110 ha).


Quando uma safra é recorde?

De acordo com o engenheiro agrônomo Alex Fabiano Giuliani, o conceito está ligado à produtividade por área:

Uma safra é considerada recorde quando se obtém a maior produção possível dentro de uma determinada área, com mais frutos por hectare e, consequentemente, mais azeite.

Em média, são necessários de 5 a 10 quilos de azeitonas para produzir um litro de azeite, variando conforme a cultivar e as condições de cultivo. A partir do 4º ou 5º ano, os pomares podem atingir cerca de 5 toneladas por hectare, com potencial de produção entre 1.000 e 1.600 litros de azeite na mesma área.

Apesar do cenário favorável para este ano, a confirmação de uma safra recorde só ocorrerá após o fim da colheita, quando será possível mensurar o volume total produzido. Se as projeções se confirmarem, 2026 pode representar um novo marco para a olivicultura gaúcha, com alta produção e qualidade consolidada.

Produção nos últimos anos (RS)

  • 2023: 580,2 mil litros
  • 2024: 193,1 mil litros
  • 2025: 190,3 mil litros


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

POR

Vitória Sarturi

Falta de diesel afeta município de Itacurubi e alunos da zona rural têm aulas suspensas Anterior

Falta de diesel afeta município de Itacurubi e alunos da zona rural têm aulas suspensas

Tupanciretã é o segundo município da região a decretar situação de emergência pela falta de diesel Próximo

Tupanciretã é o segundo município da região a decretar situação de emergência pela falta de diesel

Geral