A Polícia Civil de Santa Maria vai investigar se houve negligência médica na morte da dona de casa Terezinha Laudelina Ribeiro da Silva, 56 anos, que morreu na última sexta-feira. Ela estava a caminho da unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF) da Vila Urlândia, mas morreu na rua, há uma quadra do local.
Segundo o delegado André Diefenbach, que vai investigar o caso, duas ocorrências foram registradas: uma informando a morte e outra denunciando a negligência. Ainda conforme o delegado, os parentes que registraram a segunda ocorrência informaram que Terezinha já passava por tratamento de saúde na unidade. Ainda segundo os familiares, quando morreu, a dona de casa estava indo ao posto pela segunda vez, no mesmo dia, em busca de socorro:
Vamos ouvir parentes, testemunhas e a equipe do posto para ver se se tratava de um caso de urgência e porque não foi dado o atendimento. Vamos averiguar se houve ou não negligência.
Segundo a filha de Terezinha, Elisiane Ribeiro da Silva, 39 anos, a mãe, que era hipertensa e sofria de depressão e problemas cardíacos, procurou atendimento por volta das 6h30min de sexta-feira, pois estava com dor no peito, tontura e dor de cabeça. Quando ela chegou à unidade, a equipe teria mandado que ela voltasse à tarde, pois não teria mais ficha para atendimento de manhã. Por volta das 11h, Terezinha saiu de casa para retornar ao posto, mas não conseguiu chegar.
Os médicos do posto já conheciam o quadro dela, sabiam dos problemas de saúde que ela tinha e, mesmo assim, não verificaram a pressão, só mandaram que ela voltasse de tarde. Nós temos testemunhas que viram ela dizendo que não estava bem e, mesmo assim, eles não fizeram nada afirma Elisiane.
A secretária de Saúde, Vania Olivo, informou que, na manhã desta segunda-feira, realizou uma reunião com os médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem da unidade de saúde para esclarecer o que aconteceu. Segundo Vania, a equipe disse que a paciente esteve no posto para mostrar exames e retirar uma receita, mas que não teria ficado lá para aguardar atendimento. A secretária disse, ainda, que o local não atende urgência e emergência, mas agenda as consultas.
Segundo a equipe, a consulta dela ficou agendada para de tarde. E eles disseram que ela não falou que estava se sentindo mal. Se fosse constatado que era algo urgente, ela teria recebido o atendimento garante a secretária.
Vania disse, ainda, que vai abrir uma sindicância para apurar o caso e constatar se houve ou não omissão por parte da equipe.
A família de Terezinha vai realizar um protesto no próximo sábado a partir das 11h. A ideia é percorrer o trajeto feito por Terezinha, saindo da casa dela e seguindo até o posto e, depois, até a secretaria de Saúde, onde devem ser colados cartazes contra a falta de atendimento.