Vinicius Becker
Com a proximidade do inverno, a tendência é que aumente a frequência de fenômenos meteorológicos que comprometem a visibilidade nas estradas, como os enfrentados nos últimos dias em Santa Maria. Embora os termos neblina e cerração costumem ser tratados pela população como sinônimos, a meteorologia estabelece uma diferença crucial baseada em um único critério: a intensidade da perda de visão horizontal. Compreender essa gradação ajuda a entender o tamanho do risco enfrentado ao volante.
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A distinção prática entre os dois cenários é medida pela distância máxima que o condutor consegue enxergar à sua frente de forma nítida:
- Neblina: Tecnicamente, configura-se neblina quando a visibilidade horizontal fica reduzida, mas ainda se mantém acima ou em torno de um limite seguro, chegando de 500 a 1.000 metros de alcance.
- Cerração: É a manifestação mais extrema, fechada e densa desse mesmo fenômeno. Na cerração, a visibilidade horizontal cai drasticamente para menos de 500 metros, reduzindo o campo visual de forma severa — por vezes deixando visíveis apenas poucos metros à frente do capô do carro.
De acordo com o meteorologista Daniel Caetano, o surgimento desses fenômenos ocorre prioritariamente no período da manhã por coincidir com o momento de menor temperatura do dia. Conforme o ar aquece ao longo das horas, o nevoeiro começa gradativamente a se dissipar. Três fatores climáticos principais funcionam em conjunto para gerar a cerração:
- Temperaturas baixas;
- Alta umidade do ar;
- Ventos fracos ou ausência total de vento.
Locais de maior risco e o perigo nas estradas
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforça que dirigir sob neblina ou cerração exige uma postura defensiva imediata. Segundo Jussie Pettine, da PRF, não há uma regra engessada para o velocímetro nestas condições: “Não existe uma velocidade correta. Existe a velocidade segura para aquele momento e para aquela condição da pista”, pondera.
O risco é acentuado em trechos específicos das rodovias que favorecem o acúmulo de umidade e ar frio, como baixadas, proximidades de rios e regiões de serra, onde a cerração costuma ficar consideravelmente mais espessa.
Para garantir a segurança de todos e evitar colisões em cadeia, a PRF orienta seguir estritamente as seguintes diretrizes práticas:
- Manter o farol baixo ligado: É o procedimento correto para que os outros veículos consigam enxergar a sua presença na pista.
- Evitar o uso do farol alto: A luz alta reflete diretamente nas gotículas suspensas no ar, criando uma espécie de "parede branca" iluminada que piora a visibilidade significativamente.
- Reduzir bastante a velocidade: Adequando o deslocamento às limitações visuais do momento.
- Aumentar a distância do veículo da frente: Garantindo tempo de frenagem e reação caso ocorra algum imprevisto à frente.
- Utilizar faróis de neblina: Caso o veículo possua esse equipamento de fábrica.
- Evitar ultrapassagens: Realizar manobras de ultrapassagem nesses trechos é uma atitude de altíssimo risco pela falta de visibilidade do fluxo contrário.
- Não parar em locais perigosos: Se a visibilidade ficar totalmente comprometida, evite ao máximo parar no acostamento comum ou na pista. O ideal é buscar refúgio em pontos seguros comerciais, como postos de combustíveis.
Vale lembrar que dirigir sem o farol baixo ligado durante situações de chuva, neblina ou cerração não é apenas perigoso: configura uma infração de trânsito de gravidade média, sujeita a autuação e multa.
Em casos de emergência, necessidade de auxílio ou acidentes nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal está à disposição pelo telefone gratuito 191.