O trabalho surgiu da necessidade de comprar um carro. Márcio da Silveira dos Reis, 32 anos, trabalhava como frentista em um posto de combustíveis quando decidiu complementar a renda vendendo espetinhos no Centro, em 2005. Depois de 11 anos à frente da banca, localizada quase em frente à Catedral Metropolitana, na Avenida Rio Branco, ele conquistou um público fiel. Hoje, o churrasquinho é sua principal fonte de renda.
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– Eu entrava às 6h e saía às 14h do posto. Eu tinha recém feito minha carteira de motorista e queria comprar um carro. Comecei bem simples. Peguei uma calça jeans, cortei e fiz uma bolsinha. Comprei uma churrasqueira na ferragem por R$ 40 e coloquei naquela bolsa. Eu largava do trabalho no início da tarde, carregava uma caixa térmica e a churrasqueira e vinha para o Centro para vender espetinhos – lembra Márcio.
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Na época, o churrasquinho era vendido a R$ 1. Hoje, Márcio vende o produto a R$ 2, acompanhado de farinha, alho, vinagrete ou pimenta. Márcio mora no bairro Tancredo Neves. Até estar a postos, no Centro, a rotina começa cedo. Às 8h ele recebe o carregamento do frigorífico que, diariamente, entrega as carnes frescas. A manhã é reservada para o preparo, corte e higienização do alimento.
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Depois do almoço, com a ajuda do pai e de um funcionário, a carne começa a ser espetada e refrigerada, para, então, ir para o carro. Às 16h, a banca já está pronta e começa a servir os primeiros clientes.
– Persistência é tudo. Já pensei em desistir muitas vezes. A inflação prejudica muito a gente, que trabalha na rua. Todo mundo pensa que é fácil vender espetinho, mas são, no mínimo, 14 horas de serviço por dia. Eu começo cedo e vou parar só às 23h30min, quando eu fecho a banca. Chego em casa só à meia-noite – comenta.
Ele não revela quantos espetinhos faz por dia: ¿é segredo¿. Mas garante que o movimento é bom. Para fidelizar ainda mais o público, ele trabalha até com máquina para pagamento em cartão.
– Aqui, cerca de 30% do pessoal usa a máquina. A gente procura fazer o melhor, né? E facilitar a vida das pessoas, porque, às vezes, chega o meio do mês, e ninguém mais tem dinheiro, aí, coloca no crédito. O meu público é basicamente estudantes e trabalhadores – explica.
Nos finais de semana, Márcio serve os espetinhos em aniversários, festas de 15 anos, casamentos e formaturas. Para os eventos, são 22 sabores diferentes, de salgados a doces, como entrevero, frango com bacon e morango e chocolate. Neste ano, ele planeja abrir um restaurante de churrasquinhos. Mas a banca, que já virou tradição, deve continuar, mas sob a gerência do pai dele.
– Foi aqui que eu me fiz. Tudo o que eu tenho hoje é por causa do espetinho. Eu me casei em 2014, e as despesas foram todas pagas com o que saiu daqui. Eu devo muito ao churrasquinho.