Com 30 anos, Bobi desbanca Spike e se torna o cão vivo mais velho do mundo

Denzel Valiente

Com 30 anos, Bobi desbanca Spike e se torna o cão vivo mais velho do mundo
Já era Spike! Bobi é na verdade o cão mais velho do mundo. Fotos: Guinness World Records (Divulgação)

Em janeiro deste ano o chihuahua Spike se tornou notícia ao ser reconhecido como o cachorro mais velho do mundo pelo Guinness World Records, ele tem 22 anos, mas seu reinado durou pouco. Mais precisamente, foram duas semanas, porque agora o Guinness reconheceu Bobi, nascido em 11 de maio de 1992, como o cão vivo mais velho. Porém, ele ainda tem mais um motivo para se orgulhar já que é o cachorro mais velho de todos os tempos.

Bobi tinha 30 anos e 266 dias em 1º de fevereiro de 2023, quando foi oficialmente anunciado pelo Guinness. Ele viveu toda a sua vida com a família Costa na aldeia rural de Conqueiros, em Leiria, Portugal. O cão é um rafeiro do alentejo, que é uma raça de cão de guarda de gado com uma média de vida de 12 a 14 anos.

O cão português quebrou um recorde de quase um século. Até então, o cachorro mais velho de todos os tempos era Bluey, que viveu de 1910 a 1939 e era um pastor australiano que viveu até os 29 anos e 5 meses de idade.

Como Bobi comprovou a idade

Bobi trintou em 2022, mas foi reconhecido apenas esse ano.

Em 1992, Bobi foi inscrito no Serviço Médico-Veterinário do município de Leiria. Esse documento foi o que confirmou a data de nascimento dele. A idade de Bobi também foi verificada pelo Siac, um banco de dados de animais de estimação autorizado pelo governo português e administrado pelo SNMV (Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários).

Uma história de superação

Bobi aos sete anos em 1999.

A história de Bobi é milagrosa e começa em 1992. Ele nasceu em um anexo onde a família Costa armazenava madeira.

– Eu tinha oito anos. O meu pai era caçador e sempre tivemos muitos cães – disse Leonel Costa, tutor do Bobi, hoje com 38 anos.

Devido ao número de animais que já possuíam, o pai de Leonel decidiu que não poderiam ficar com os filhotes recém-nascidos (Bobi tinha mais três irmãos).

– Infelizmente, naquela época, era considerado normal pelas pessoas mais velhas que não podiam ter mais animais em casa enterrar eles numa toca para que não sobrevivessem – explicou Leonel.

Foi assim que, no dia seguinte ao nascimento dos cachorros, os pais do Leonel entraram no lugar onde os filhotes estavam e os levaram enquanto a mãe, Gira, estava ausente. No entanto, eles não perceberam que haviam deixado um para trás. Leonel lembra que ele e seus irmãos ficaram muito tristes nos dias seguintes, porém, perceberam que Gira continuava visitando o galpão onde nasceram seus filhotes.

– Achamos estranha a situação, porque se os animais não estivessem mais lá, por que ela iria lá – disse.

Eles decidiram seguir Gira em uma de suas idas ao galpão, onde descobriram Bobi. Felizmente, ele escapou do mesmo destino de seus irmãos, pois estava disfarçado entre toda a madeira. Então, Leonel e seus irmãos decidiram manter a existência de Bobi em segredo.

– Sabíamos que quando o cachorro abrisse os olhos meus pais não iriam mais enterrá-lo. Era de conhecimento popular que esse ato não poderia ou deveria ser feito – explicou Leonel.

Quando os pais de Leonel finalmente descobriram Bobi, já era tarde, o cachorrinho já havia aberto os olhos. Então, ele passou a fazer parte da família.

– Confesso que quando descobriram que já sabíamos, gritaram muito e nos castigaram, mas valeu a pena e por um bom motivo!

Como Bobi vive seus dias

Bobi e um de seus irmãos felinos, o Ceguinho, em 2022.

Leonel acha que um dos maiores fatores para a longevidade do Bobi é o “ambiente calmo e tranquilo” em que vive, “longe das cidades”. Bobi nunca foi acorrentado ou preso a uma coleira e sempre gostou de passear livremente pelas florestas e fazendas que cercam a casa da família. Leonel descreve Bobi como “muito sociável”, pois cresceu com muitos outros animais. Agora, em sua velhice ele é menos aventureiro já que andar é difícil, então passa a maior parte do tempo no quintal com seus quatro amigos gatos. A visão de Bobi também piorou, Leonel frequentemente percebe que ele esbarra em obstáculos ao caminhar. 

Devido à idade, Bobi descansa mais do que costumava e gosta de ficar deitado na cama após as refeições. Nos dias mais frios prefere relaxar junto à lareira. Quanto à sua alimentação, sempre comeu ‘comida humana‘.

– O que a gente comia, eles comiam também. Entre uma lata de ração ou um pedaço de carne, Bobi não hesita e escolhe a nossa comida – disse Leonel. Ele acredita que isso contribuiu muito para a longevidade.

Leonel sempre deixa a comida de molho na água antes de servir seus bichinhos, a intenção é tirar a maior parte dos temperos. Bobi é o “último de uma longa geração de animais” da família.

– O Bobi é especial porque olhar para ele é como lembrar das pessoas que fizeram parte da nossa família e infelizmente não estão mais aqui, como meu pai, meu irmão ou meus avós que já partiram deste mundo. Bobi representa essas gerações – completou o tutor de Bobi.

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*Com informações do Guiness World Records.

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