Foto: Vinicius Becker
Cerração aumenta nas manhãs frias e exige atenção redobrada no trânsito gaúcho
As manhãs frias têm sido marcadas por um cenário cada vez mais comum nas rodovias do Rio Grande do Sul: pistas cobertas por neblina densa, baixa visibilidade e motoristas enfrentando dificuldades para dirigir nas primeiras horas do dia.
Com a chegada das massas de ar frio e do tempo seco típico desta época do ano, a formação de cerração tem se intensificado em diversas regiões do estado, especialmente na Região Central e na Serra Gaúcha. Segundo o meteorologista Daniel Caetano, a diferença entre neblina e cerração está principalmente na intensidade da visibilidade.
– Quando a visibilidade horizontal é maior do que um quilômetro, chamamos de neblina. Já quando ela fica abaixo de um quilômetro, o fenômeno é considerado cerração ou nevoeiro – explica.
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De acordo com o especialista, o fenômeno ocorre principalmente durante o outono e inverno, especialmente no amanhecer, quando as temperaturas estão mais baixas.
– O período da manhã é o mais comum porque é justamente o momento de menor temperatura do dia. Conforme o ar aquece, o nevoeiro começa a se dissipar – destaca.
Frio, umidade e vento fraco favorecem o fenômeno
Caetano explica que três fatores principais contribuem para a formação da cerração:
- temperaturas baixas
- alta umidade do ar
- ventos fracos ou ausência de vento
– Quando temos calmaria, muita umidade e frio, as condições ficam bem favoráveis para a formação de nevoeiro e cerração – afirma.
Embora o fenômeno seja mais associado ao inverno, ele também pode ocorrer em outras épocas do ano, desde que haja umidade suficiente na atmosfera. Segundo o meteorologista, a frequência maior observada nas últimas semanas está diretamente relacionada à chegada do período mais frio do ano.
– A neblina está ficando mais frequente porque estamos entrando em uma época em que esse tipo de condição climática se intensifica – explica.
Ele também comenta que o ditado popular “cerração baixa, sol que racha” nem sempre se confirma.
– Tivemos dias recentes com bastante cerração e, mesmo assim, o sol apareceu pouco, porque havia atuação de uma frente fria na região – pontua.
Locais de maior risco nas rodovias
A combinação entre frio intenso e cerração exige atenção especial de quem precisa pegar a estrada. Segundo o agente da 9ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Jussie Pettine Santos, algumas regiões apresentam ainda mais risco para ocorrência de neblina densa.
– Principalmente aqui na Região Sul, locais de serra, regiões montanhosas e áreas de baixada próximas a rios e riachos costumam registrar neblina mais fechada e mais intensa – explica.
Nesses trechos, a visibilidade pode diminuir drasticamente em poucos metros, aumentando o risco de acidentes. A PRF reforça que dirigir sob neblina exige redução imediata da velocidade e atenção redobrada.
– Não existe uma velocidade correta. Existe a velocidade segura para aquele momento e para aquela condição da pista - destaca Pettine.
Entre as principais orientações estão:
- manter o farol baixo ligado
- evitar o uso do farol alto
- reduzir bastante a velocidade
- aumentar a distância do veículo da frente
- utilizar faróis de neblina, caso o veículo possua
- evitar ultrapassagens.
O policial alerta que muitos motoristas cometem o erro de utilizar farol alto na tentativa de enxergar melhor.
– Existe a tentação de levantar o farol, mas ele reflete na neblina e acaba ofuscando ainda mais a visão do motorista – explica.
Por isso, o recomendado é manter apenas o farol baixo e, se disponível, utilizar o farol auxiliar de neblina, que ilumina áreas mais próximas ao veículo e ajuda na visualização da pista, linhas divisórias e obstáculos. Outro ponto importante é evitar parar em locais perigosos caso a visibilidade fique extremamente comprometida.
– Se não houver condições seguras para continuar dirigindo, o ideal é procurar um local afastado da pista para estacionar. Nunca parar sobre a pista e evitar acostamentos estreitos – orienta.
Segundo ele, veículos parados muito próximos da rodovia podem só ser visualizados por outros motoristas quando já estiverem perto demais para frear. Pettine também lembra que dirigir sem farol baixo ligado durante chuva, neblina ou cerração é infração de trânsito, além de representar um grande risco à segurança.
Inverno deve aumentar frequência de nevoeiros
Com a aproximação oficial do inverno, a tendência é que as manhãs com cerração continuem frequentes nas próximas semanas em várias regiões do estado. Por isso, o meteorologista Daniel Caetano recomenda que os motoristas acompanhem a previsão do tempo antes de viajar e, sempre que possível, evitem deslocamentos em horários de maior incidência de neblina. A Polícia Rodoviária Federal reforça que está disponível para auxiliar motoristas em situações de emergência pelo telefone 191.