Desde a noite de quarta-feira (22), uma ação conjunta da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego com o Ministério Público do Trabalho (MPT-RS), a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal realizou um pente-fino na situação empregatícia de trabalhadores que atuavam na colheita da uva e no abate de frangos em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
Em torno de 200 trabalhadores foram encontrados em más condições de alojamento após uma vistoria em uma pousada na Rua Fortunato João Rizzardo, no Bairro Borgo, em Bento Gonçalves.
A denúncia foi feita por um grupo que conseguiu escapar do local e levar o caso à PRF em Porto Alegre. De acordo o relato dos trabalhadores, eles teriam sido submetidos a jornadas exaustivas, recebiam comida imprópria para consumo, só podiam comprar produtos em um único estabelecimento, com desconto salarial e preços elevados, e eram mantidos vinculados ao trabalho por supostas “dívidas” contraídas com o empregador.
A procuradora coordenadora da PTM Caxias do Sul, Ana Lucia Stumpf González, e a vice-coordenadora regional da Conaete (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas), procuradora Franciele D’Ambros, foram a Bento Gonçalves representando o MPT-RS na Força-tarefa.
Ao longo desta quinta-feira (23), as procuradoras colheram depoimentos de pessoas alojadas no local. O MPT-RS também foi chamado a auxiliar nos trâmites de regularizações e na negociação com empregadores para pagamento de verbas rescisórias e garantia de transporte de retorno para os trabalhadores, a maioria proveniente da Bahia. A apuração das circunstâncias completas do caso deve continuar pelos próximos dias.
* Com informações do Ministério Público do Trabalho da 4ª Região