Antes mesmo de chegar à avenida, o carnaval já pulsa nos bairros de Santa Maria. No bairro João Goulart, na região conhecida como Estação dos Ventos, é o som dos ensaios da Sociedade Recreativa Beneficente Cultural Mocidade Independente das Dores que tem reunido a comunidade e marcado a contagem regressiva para o desfile do dia 28 de março.
Fundada em 1987 e conhecida pelas cores branco, azul, verde e vermelho, a escola, tradicionalmente ligada ao bairro Nossa Senhora das Dores, neste ano realiza seus ensaios região Centro-Leste da cidade, conhecida como Estação dos Ventos. É ali que a comunidade tem se reunido nos últimos dias, transformando o espaço em ponto de encontro em torno do samba.
– Hoje a escola ensaia aqui na Estação dos Ventos, porque a grande maioria dos integrantes da bateria fazem parte desta comunidade e por isso a Escola veio agregar a esse povo que é apaixonado pelo Carnaval. E a comunidade nos aceitou e nos acolheu muito bem, todos participam dos ensaios da bateria e, para nós, voltar a ter uma comunidade presente é a maior vitória nessa retomada do Carnaval na cidade – destaca o carnavalesco da Mocidade, Anderson Braz.
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Primeira a desfilar na noite da retomada
A Mocidade terá a responsabilidade de ser a primeira a entrar na avenida, abrindo caminho para as outras seis agremiações que participam do desfile do dia 28 de março. Mais do que iniciar o espetáculo, a escola carrega o simbolismo de dar o primeiro passo no retorno de uma das manifestações culturais mais populares, esquecida há mais de uma década.
– São 11 anos esperando e agora com a missão de voltar para a Avenida com as nossas próprias forças e, essa força, vem da nossa paixão pelo carnaval. Nós somos carnavalesco e amantes da cultura. O carnaval está no nosso sangue e, por isso, nós não podemos deixar o nosso samba morrer e ele não vai – desabafa o Presidente da Mocidade Independente das Dores, Romeu do Nascimento.
Recordando o título de 2011
Para o desfile, estão previstos cerca de 240 componentes, distribuídos em seis alas. Mesmo sem caráter competitivo, a agremiação aposta em um desfile estruturado, com fantasias, adereços e elementos cênicos pensados para marcar o reencontro com o público.
A apresentação contará com casal de mestre-sala e porta-bandeira, porta-estandarte, comissão de frente, além de dois tripés e um elemento alegórico que ajudarão a dar forma ao enredo.
Na avenida, a escola levará uma releitura do enredo apresentado em 2011, quando homenageou o cineasta santa-mariense Sérgio Assis Brasil - ano em que conquistou o único título de sua história, em quase quatro décadas de existência.

– Tudo o que vamos mostrar na Avenida está sendo produzido aqui em Santa Maria e com recursos próprios e de quem deseja nos apoiar neste retorno e o trabalho está sendo incansável – evidencia o carnavalesco.
Entre ensaios, ajustes e expectativas, a Mocidade Independente das Dores se organiza para um desfile que vai além da estética. Trata-se de um momento de retomada, de memória e de pertencimento - em que o samba volta a ocupar seu espaço e a reunir a comunidade em torno da cultura popular.