Foto: Alexandre La Bella
Cena do documentário No Ritmo da Resistência- Memórias do Carnaval de Santa Maria.
No Ritmo da Resistência – Memórias do Carnaval de Santa Maria foi exibido na noite desta terça-feira (24), no auditório da Cesma, na região central de Santa Maria, dentro do ciclo Brasil de Todos os Sons, promovido pelo Cineclube Lanterninha Aurélio. O curta-documentário colocou em pauta a memória das escolas de samba e a retomada do Carnaval de rua em Santa Maria, marcada para 28 de março. A sessão, que reuniu cerca de 30 espectadores, foi marcada por emoção e reconhecimento entre integrantes da Unidos do Itaimbé e da Vila Brasil, que destacaram a importância de preservar a história do Carnaval na cidade.
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A produção resgata a trajetória das escolas de samba do município e relembra o período em que Santa Maria ficou dez anos sem desfiles oficiais. Para a diretora do curta, Gabriela De Almeida, preservar essa memória é também enfrentar um apagamento cultural.
– Eu acho muito importante manter essa memória. O Carnaval não é bagunça como muitas pessoas pensam. Ele também contribui com a sociedade, movimenta a economia – destacou.
Gabriela também se emocionou ao acompanhar a reação do público na sessão.
– Eu chorei bastante. Foi muito gratificante. Eu queria que o documentário fosse importante para as escolas, então saber que elas acharam ele importante e gostaram, para mim não tem preço – afirmou.
Documentário como política de memória
Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e orientador do documentário, Cássio dos Santos Tomain destaca que produzir um trabalho sobre o Carnaval dentro da universidade representa também um compromisso institucional com a memória.
– Produzir um documentário sobre o Carnaval dentro de uma universidade federal tem uma importância muito grande. A universidade assume um compromisso com essa memória. O ato de recordar, antes de tudo, é um gesto político – afirmou.
Segundo ele, o trabalho desenvolvido por Gabriela vai além do registro histórico e assume um papel de resistência cultural.
– O documentário também cumpre um papel político em torno da resistência. É uma construção de memória a partir do audiovisual – ressaltou.
“Acalma o coração da gente”
Para quem vive o Carnaval há décadas, o documentário representou reconhecimento.
Conselheira da Vila Brasil e filha de Agenor Alves do Amaral, fundador da escola, Alcione Flores do Amaral acompanhou a exibição emocionada.
– Foi bastante emocionante. Acalma um pouco o coração da gente, que é bem machucado. Pelo menos existiu, está registrado – declarou.
Vice-presidente da Liga das Escolas de Samba de Santa Maria (Liessma) e da Unidos do Itaimbé, Mirela Alves Almeida avalia que o filme evidencia a resistência das escolas.
– É uma sensação de prazer saber que ainda existem pessoas que lutam pelo Carnaval, além de quem faz parte das escolas. A Gabriela não é do samba e mesmo assim foi buscar essa história – ressaltou.
Retomada marcada para 28 de março
A estreia do documentário ocorre em um momento simbólico: o Carnaval de rua de Santa Maria tem retorno previsto para 28 de março. Para as representantes das escolas, no entanto, o recomeço exige cautela.
– A sensação é de estar ressuscitando, como uma fênix que ressurge das cinzas. Mas não será um Carnaval como era antes. Estamos praticamente partindo do zero – ponderou Mirela.
Alcione reforça que a retomada deve ser vista como um processo.
– Eu acredito que vai voltar, só que não podem esperar algo como há dez anos. Agora é uma retomada. Com força mesmo, acredito que a partir de 2027 – afirmou.