Foto: Ricardo Xavier
A atuação de DJs mais antigos ajudou a construir a base da cena atual.
9 de março é o Dia Internacional do DJ. Em Santa Maria, além da felicidade, a data é motivo de reflexão sobre o atual cenário da discotecagem. Para profissionais que atuam na área há décadas, a cidade já viveu períodos mais fortes para a atividade, mas hoje enfrenta desafios relacionados ao avanço da tecnologia e à valorização da profissão.
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Em entrevista ao Diário, o DJ Ricardo Squarcieri, 61 anos, relembra que a cena local já teve maior espaço nas casas noturnas e bares da cidade. – O cenário atual de Santa Maria para DJs já foi muito bom. Mas, comparando com o que foi e o que é hoje, nós estamos vivendo como se fosse um momento de crise para ter espaço. – afirma.
Por conta disso, iniciativas de profissionais locais têm buscado fortalecer novamente a cultura da discotecagem, especialmente com o uso do vinil.
– Temos nossos projetos. O Marciano (Abreu) criou os Amigos do Bolachão para tentar trazer essa cultura do vinil de volta, porque a gente sente essa necessidade. A cena de DJ profissional tocando com qualidade enfraqueceu um pouco – relata Squarcieri.
Tecnologia
Para o DJ Marciano Abreu, 50 anos, a tecnologia teve papel importante nessa transformação.
– A tecnologia facilitou muito. É óbvio que facilitou. Só que às vezes as pessoas se lançam porque têm um software e dizem: “vou fazer”. Para quem aprendeu passo a passo, estudando como fazer de um modo aceitável, hoje as pessoas querem pular etapas. Não sou contra a tecnologia, tenho equipamentos de última geração, mas eles não dão o mesmo prazer que tocar com equipamentos analógicos – complementa o profissional.
Abreu também lembra que, no passado, dominar a técnica era indispensável. – Antigamente, ou você sabia tocar ou você não sabia. Não tinha como enganar isso. O vinil era muito difícil. Hoje a tecnologia consegue maquiar isso. – diz.
Apesar das mudanças, ele defende que a discotecagem deve ser reconhecida como uma forma de expressão artística.

Lembranças do passado
Para Squarcieri, a atuação de DJs mais antigos ajudou a construir a base da cena atual.
– Se os DJs estão tocando hoje, eles estão tocando em um alicerce que a gente criou. Existe uma história por trás disso e que deve ser respeitada – diz.
Marciano destaca ainda que, no início, muitas pessoas sequer sabiam o que era um DJ. E hoje, com as atividades ligadas à data e à valorização de diversos artistas a nível internacional, o cenário é outro.
– As pessoas não sabiam que existia essa atividade. Antes era visto como sonoplasta ou “alguém da rádio”. Percorremos um longo processo para que as pessoas entendessem o que é ser um DJ – finaliza.