Foto: Arquivo pessoal/ Adolpho Veloso
Adolpho Veloso durante as gravações de "Sonhos de Trem" entre o ator Joel Edgerton (à esquerda) e o diretor Clint Bentley (à direita).
Além das quatro indicações de “O Agente Secreto” em Melhor Filme, Ator, Filme Internacional e Direção de Elenco, o Brasil também terá representante na cerimônia do Oscar 2026, no dia 15 de março, na categoria de Melhor Fotografia. O diretor de câmera Adolpho Veloso, indicado pelo seu trabalho em "Sonhos de Trem", é o primeiro brasileiro a concorrer à esta estatueta. O prêmio reconhece o trabalho técnico responsável por definir iluminação, enquadramentos, movimentos de câmera e a composição das cenas, o que influencia diretamente na forma como o público percebe a história na tela.
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O primeiro brasileiro na categoria

Veloso já havia atuado em produções audiovisuais de grande alcance, como o videoclipe “Ameianoite”, de Pabllo Vittar e Gloria Groove. No cinema, o paulista passa a integrar uma categoria historicamente dominada por profissionais estrangeiros. Embora “Cidade de Deus” tenha sido indicado a Melhor Fotografia em 2004, o responsável pelas imagens foi o uruguaio César Charlone.
Em “Sonhos de Trem”, a escolha por câmera na mão e iluminação natural contribui para uma estética direta que valoriza a natureza e o ambiente da narrativa, que acompanha um lenhador solitário no início do século 20, durante a expansão ferroviária nos Estados Unidos. O formato de imagem em proporção 3:2, que não ocupa toda a tela, foi adotado com a intenção de remeter a um álbum de fotografias, conforme já explicou o brasileiro em entrevistas.
Na atual temporada de premiações, Adolpho Veloso já venceu o Critics Choice Awards, o prêmio da Associação de Críticos de Los Angeles e o Spirit Awards, o que o coloca entre os favoritos na disputa pelo Oscar.
Os concorrentes
A categoria de Melhor Fotografia no Oscar 2026 reúne cinco indicados, com dois estreantes além de Adolpho Veloso. Os trabalhos variam entre o uso de grandes formatos, contrastes intensos e abordagens naturalistas que valorizam textura, luz e atmosfera. Confira:
Autumn Durald Arkapaw – Pecadores

A única mulher presente e principal concorrente do brasil na categoria é Autumn Durald Arkapaw, que concorre ao Oscar por “Pecadores”, de Ryan Coogler. A diretora de fotografia já assinou trabalhos em produções como “A Última Showgirl” e “Pantera Negra: Wakanda para Sempre”, com espaço tanto em grandes estúdios quanto em projetos autorais.
A fotografia de Arkapaw é marcada pela captação em película de grande formato, que garante imagens mais amplas, detalhadas e com textura mais orgânica. Em “Pecadores”, tornou-se a primeira mulher a filmar um longa em IMAX 65mm. O projeto combina diferentes formatos de grande escala, alterna proporções de tela para criar maior imersão e amplitude. A obra aposta em alto contraste, sombras densas e luz natural para construir um clima de suspense, além de planos longos sem cortes e movimentos de câmera fluidos, recursos que reforçam o dinamismo de uma narrativa que mistura diferentes gêneros cinematográficos.
Além da indicação ao Oscar, a estadunidense venceu o prêmio da Sociedade de Críticos de Cinema de Boston, da Sociedade Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos e do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York.
Michael Bauman – Uma Batalha Após a Outra

Michael Bauman concorre ao Oscar por “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, cineasta com quem estreou como diretor de fotografia em “Licorice Pizza”, de 2020. Desde então, consolidou espaço em projetos de maior visibilidade, como a terceira temporada da série “Monstros”, da Netflix.
A fotografia de Bauman se destaca pelo uso da luz ambiente, com composições que valorizam profundidade de campo e movimentos de câmera discretos. Em “Uma Batalha Após a Outra”, aposta em enquadramentos amplos e em uma câmera que acompanha os personagens com fluidez. O longa filmado em VistaVision, formato que amplia a área filmada e garante maior definição e riqueza de detalhes, reforça a escala visual e a tensão dramática sem recorrer a excessos.
Na temporada de premiações, venceu Melhor Fotografia no Prêmio da Sociedade Britânica de Cinematógrafos e na Associação de Críticos de Cinema de Chicago.
Dan Lautsen - Frankenstein

Dan Laustsen concorre ao Oscar por “Frankenstein”, dirigido por Guillermo del Toro. O dinamarquês é conhecido pelas parcerias com o cineasta em “A Forma da Água” e “O Beco do Pesadelo”, que também lhe renderam indicações ao prêmio da Academia. Ele também trabalhou na franquia de ação “John Wick” e em “Silent Hill”.
A fotografia de Laustsen é marcada pelo alto contraste e uso dramático de luz e sombra, com paletas que alternam tons frios e quentes para criar profundidade e atmosfera que ambientam o espectador. O diretor de câmera costuma trabalhar com poucas fontes principais de iluminação e permite que a escuridão componha a cena. Em “Frankenstein”, adota estética gótica e construção visual artesanal, com cenários grandiosos e, ao mesmo tempo, detalhados.
Além da indicação ao Oscar, o escandinavo acumula outras 31 nomeações na temporada pelo trabalho na produção, ainda sem vitórias.
Darius Khondji – Marty Supreme

Darius Khondji chega a sua quarta indicação ao Oscar por seu trabalho em "Marty Supreme", de Josh Safdie. Em 2025, também assinou a fotografia de “Mickey 17” e “Eddington. O diretor de fotografia iraniano-francês já trabalhou em produções como “Seven - Os Sete Crimes Capitais”, “Amor” e “Meia-Noite em Paris”, transitando entre o suspense e filmes autorais.
A fotografia de Khondji é marcada por alto contraste e uso expressivo de sombras, com inspiração em pinturas clássicas que retratam lutas de boxe. Ele costuma trabalhar com luz direcional e criar áreas pontuais de iluminação em meio a grandes zonas de sombra, para reforçar tensão e profundidade. Em colaboração com o designer de produção Jack Fisk, buscou, em “Marty Supreme”, uma iluminação naturalista nas sequências de tênis de mesa, para evitar inundações de luz e preservar uma atmosfera íntima e de época. As cenas durante as partidas foram registradas com uma abordagem que combina realismo físico e composição coreografada, com a câmera acompanhando o movimento dos jogadores.
Além da indicação ao Oscar, acumula outras 10 nomeações na temporada pelo longa, ainda sem conquistar prêmios.