Tradição que começa cedo: o Carnaval infantil nos clubes de Santa Maria

Tradição que começa cedo: o Carnaval infantil nos clubes de Santa Maria

Foto: Pablo Iglesias (Diário)

Bloco Xameguinho, do Clube Dores, é a corte infantil mais antiga de Santa Maria em atividade.

Em Santa Maria, o Carnaval também é território das crianças, que encontram nas matinês um espaço seguro e tradicional para viver a folia. Geralmente realizadas nas tardes de domingo e terça-feira de Carnaval, as festas infantis seguem firmes nos clubes sociais da cidade, onde gerações aprendem desde cedo que o samba também pode ser brincadeira, encontro e memória.


É nos salões do Avenida Tênis Clube (ATC), do Clube Recreativo Dores e do Clube Atiradores Santa-Mariense que os pequenos foliões tomam conta da pista. Ao som de marchinhas, sambas e músicas infantis, as matinês mantêm viva uma tradição que atravessa décadas, com bailes pensados especialmente para crianças e famílias, reunindo fantasia, música e muita animação.

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Tradição que atravessa gerações nos bailes infantis 

Foto dos primeiros anos do Bloco XameguinhoFoto: Pablo Iglesias (Diário)


Entre essas histórias que se renovam a cada Carnaval, uma das mais queridas é a do Bloco Xameguinho, do Clube Recreativo Dores — uma das tradições mais antigas do Carnaval infantil de Santa Maria. Criado em 1983, o grupo surgiu inicialmente como a corte infantil do clube. Com o passar dos anos, ganhou identidade própria e mudou de nome para Xameguinho, em referência ao Bloco Xamego, formado por sócios adultos. No Xameguinho, estavam, em sua maioria, os filhos desses associados, garantindo a continuidade da festa entre gerações.


Bloco Xameguinho no final dos anos 80Foto: Pablo Iglesias (Diário)


Foliões desde cedo 

Destinado a crianças de 5 a 11 anos, o bloco sempre foi aberto a meninas e meninos. Atualmente, é formado apenas por meninas, todas filhas de associados do clube, que se dedicam aos ensaios e às apresentações que abrem, tradicionalmente, os dois bailes infantis do Dores.


Entre elas está Maria Antônia Marques Begueristain Rospa, de 9 anos. No ano passado, ela viveu a experiência de ser rainha infantil do Carnaval do clube e, neste ano, assume uma nova responsabilidade: a de porta-estandarte do Xameguinho.

— Desde pequena gosto de samba e a minha família sempre me incentivou — conta, com a naturalidade de quem cresceu entre fantasias e batuques.


Outra pequena foliã é Giovanna Bassoaldo Moura, de 6 anos, que carrega o Carnaval praticamente no DNA. Filha de integrantes ligados à escola de samba Vila Brasil, ela recebeu recentemente o título de percussionista mirim da bateria da escola.

— Eu gosto muito de dançar e por isso eu adoro fazer parte do bloco — resume, com entusiasmo.

O Xameguinho também acolhe histórias que cruzam fronteiras. Diretamente do Texas, nos Estados Unidos, as irmãs Aurora e Stella Magnago Yu desembarcaram no bloco durante as férias em família no Brasil e aproveitaram para viver uma experiência diferente.

— Nós gostamos das fantasias, do brilho e de dançar. Lá nos Estados Unidos, nós dançamos jazz e ritmos latinos, mas Carnaval não tem lá, e por isso a gente gosta — explicam


Foto: Pablo Iglesias (Diário)


Em 2026, o bloco conta com cerca de 40 integrantes, que ensaiam a coreografia que dará início aos bailes infantis do clube. Fiel à tradição, o Carnaval do Dores é temático, e tanto as coreografias quanto os figurinos dialogam com o tema escolhido. Neste ano, o convite é para “Mergulhe no Carnaval Dorense”.


Trabalho que emociona 

A coreografia é criada por Alessandra Londero, com o apoio das amigas Luciane Caneda, Valéria Machado, Christiane Marin e Clebiana Ruviaro, responsável pela coordenação geral. Ex-integrante do Xameguinho nos primeiros anos do bloco, Clebiana fala com emoção sobre o significado da tradição


— Carnaval é uma vez no ano e precisamos apresentar essa cultura e os ritmos pras crianças, para que elas percebam se gostam ou não. E o Xameguinho não é só um bloco, é um sentimento que atravessa gerações — ressalta.


Emocionada, Clebiana recorda a época em que fez parte do blocoFoto: Pablo Iglesias (Diário)


Corte Infantil no ATC

Além do Clube Recreativo Dores, outro espaço tradicional de Santa Maria também mantém viva a presença das crianças na folia. No Avenida Tênis Clube (ATC), o Carnaval infantil é marcado pela atuação da corte infantil, um elemento presente há décadas na história do clube.


Foto: Pablo Iglesias (Diário)

 

Em 2026, o grupo é formado por 22 crianças, que iniciaram os ensaios nesta semana e irão se apresentar no domingo e na terça-feira de Carnaval, abrindo oficialmente os bailes infantis do ATC. A preparação fica a cargo da professora de dança Giullia Almeida Ercolani, de 26 anos, que carrega uma relação afetiva com a tradição: quando mais nova, ela também integrou a corte infantil do clube, reforçando o ciclo de continuidade que marca o Carnaval nos clubes sociais da cidade.


No ATC, os ensaios começaram nesta semanaFoto: Pablo Iglesias (Diário)


Mais do que festa, é aprendizado, memória e afeto — um primeiro passo para que novas gerações sigam dançando ao som da mesma alegria que embala a cidade há décadas.


Bailes Infantis em Santa Maria


Avenida Tênis Clube (ATC)

  • Quando: Domingo (15) e Terça-Feira (17)
  • Horário: 15h
  • Ingressos: R$ 20 (sócios em dia e crianças até 5 anos não pagam)


Clube Recreativo Dores

  • Quando: Domingo (15) e Terça-Feira (17)
  • Horário: 15h
  • Ingressos: R$ 30 (sócios com mensalidade em dia não pagam)


Clubes Atiradores Santamariense e Atirador Esportivo

  • Quando: Domingo (15) e Terça-Feira (17)
  • Onde: Floratta Eventos
  • Horário: 16h
  • Ingressos: R$ 10

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