Foto: Beto Albert (Diário)
As enchentes que inundaram o Estado e que afetaram mais de 2 milhões de pessoas também causaram danos significativos à agricultura. O levantamento dos prejuízos ainda não pode ser avaliado com precisão, justamente por ainda ter localidades que seguem sem acesso terrestre.
A partir de um levantamento prévio baseado no que vinha sendo apurado na última semana de abril, que antecedeu o auge das chuvas no Rio Grande do Sul, segundo o gerente regional da Emater/Ascar de Santa Maria, Guilherme Passamani, naquela ocasião faltavam ser colhidos na Região Central que abrange trinta e cinco municípios, 30% da área de soja; 20% da de arroz; e 28% das lavouras de milho.
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Soja
Mesmo com pausas nas chuvas e sendo possível colher mais um pouco das áreas, no caso da soja, houve redução drástica na qualidade dos grãos, quando comparado ao período antes das enchentes. Conforme o último boletim conjuntural divulgado pela Emater, a área colhida do grão alcançou 85% no Estado. O restante não deve ser colhido, visto que o custo operacional não compensa a posterior venda. Baseado nesses dados, as perdas das lavouras variam de 20% a 100%.
Ainda sobre a soja, os prejuízos serão maiores nas regiões centro, sul e oeste do Estado, onde grandes extensões ainda não haviam sido colhidas. A estimativa de produtividade projetada inicialmente era de 3.329 kg/ha, mas não deve alcançar esse resultado. Na região de Santa Maria, a expectativa inicial de produtividade era de 3.269 kg/ha, porém, após a enxurrada, a estimativa passou para 2.665 kg/ha, o que representa uma redução de 18%.
Milho
Na colheita do milho, foram colhidos cerca de 88% no Estado. Já na Região Centro, conforme Passamani, 28% das lavouras tinham sido colhidas.
Feijão
Em relação ao feijão foram plantados 740 hectares de feijão, na região de Santa Maria, atendida pela Emater. Até o início do período chuvoso, aproximadamente 25% da colheita havia sido realizada. No restante da safra, as perdas tendem a ser totais. No Estado, a área cultivada em 2ª safra, está estimada em 19.900 hectares, mas a produtividade deve ser inferior à projetada que seria de 1.568 kg/ha.
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Arroz
No que refere à colheita do arroz, além dos 80% que já tinham sido colhidos na região de Santa Maria, houve pouco avanço após as intensas chuvas. O boletim da Emater aponta que algumas lavouras ainda estão alagadas. Outro ponto que desfavorece o produto é a armazenagem, que ocorre em silos, e grande parte foi danificada. Após as chuvas, estima-se que haja redução na produtividade para 7.314 kg/ha, o que representa perda aproximada de 6% em relação à expectativa inicial. A área cultivada está estimada em 132.688 hectares. Em todo o Estado, a área colhida alcançou cerca de 86%.
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Conforme o gerente regional, é desafiador fazer um levantamento preciso, pois, além de não ter acesso a todas as localidades atingidas, a perda da produção agrícola é bem superior.
– É necessário considerar as perdas ambientais – o quanto foi perdido de meio ambiente para a produção sustentável da lavoura, como por exemplo, as camadas de solo. Mensurar em valor é desafiador. São perdas que, talvez, levem décadas para serem sanadas – afirmou ele, destacando que, em alguns casos, os impactos não serão sentidos somente nesta safra, mas sim, em várias posteriores, pois praticamente todas as culturas e criações foram afetadas de alguma forma.

Olericultura
Um cultivo que, desde o primeiro momento, vem sendo retomado é a olericultura, como hortaliças e folhosas. Produtores já fazem novos canteiros e semeadura. Segundo Passamani, até o início de junho devem aparecer os resultados.
Nas informações da Emater, nos municípios que integram a regional de Santa Maria, as chuvas e a inundação causaram diversas perdas em cultivos. Em São Pedro do Sul, as perdas são de 24 toneladas de alface em 2 hectares, ocasionando, inclusive, o aumento dos preços. Em Silveira Martins, foram perdidas 120 toneladas de batata inglês em uma área de 6 hectares, atingindo 10 agricultores. Em Santa Maria, 20 hectares de alface foram afetados, contabilizando perda de 100 toneladas; no cultivo de repolho, foram 15 hectares atingidos, totalizando 262 toneladas perdidas; e nas lavouras de mandioca, foram 30 hectares prejudicados, que somam 525 toneladas perdidas. No município, são mais de 40 olericultores com prejuízos.
Passamani reforça que a Emater, desde o início das intensas chuvas, busca auxiliar os produtores unindo forças com municípios e Estado. Além do intenso trabalho, segundo ele, é preciso repensar nas áreas atingidas, de forma estratégica para buscar melhorias.