Foto: Rodrigo Ziebell (Arquivo/Diário)
Em 60 anos, o MDB mudou muito. E para todos os gostos. Chegou a mudar de nome, acrescentando um P, até que a legislação permitisse voltar às origens. Que, aliás, remontam aos primórdios da ditadura. Entre seus expoentes históricos sempre esteve Cezar Schirmer (foto), que ostenta uma biografia que não prescinde do partido. Afinal, foi tudo nele – vereador, deputado (estadual e federal), prefeito, secretário de Estado. Nenhum dos cargos foi uma vez só. E inclui-se nessa lista a função de dirigente, tendo presidido o partido no Estado.
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Sua importância interna, à falta de outra evidência, pode ser percebida no site da sigla no Rio Grande do Sul. O nome dele é o segundo listado entre os membros do Diretório, atrás apenas do ícone Pedro Simon. A coluna poderia se estender quase ao infinito para demonstrar a ligação entre Schirmer e a agremiação que o abriga desde sempre. Então, surge a questão: por que, de repente, essa insigne liderança se vira contra seu próprio partido, que (pelo menos no Sul) sempre se colocou como centro-esquerda, e decide embarcar de mala e cuia na nau da destra, quase destra-destra do Rio Grande?
Quem chegasse agora de Marte talvez dissesse que o colunista abilolou, enlouqueceu, pirou. Como assim, que houve? É a pergunta que se fazem, sobretudo os veteranos, os que viveram os tempos do regime de sombras. Especialmente porque Cezar Schirmer estaria abraçando justamente defensores daquele período.
Dito tudo isto, aos fatos. O atualmente secretário de Planejamento da Capital, em entrevista à Radio Guaíba, afora confirmar apoio ao candidato ao Piratini do PL, Luciano Zucco, declarou textualmente: “estou com uma idade, com tanto tempo de vida, que vale mais o compromisso com a consciência e com a visão de mundo do que com uma filiação partidária”.
Visão de mundo que, aparentemente, mudou. Mas enfim... Trata-se da confirmação pública do que se noticiou em fevereiro: Schirmer se tornara conselheiro político de Zucco. Dois meses após, o presidente do MDB em Santa Maria, Igor Severo, protocolou pedido de explicações, interpretado como pedido de expulsão do histórico militante. Isso por atitude considerado “ato de infidelidade, caracterizada por atuar contra candidatura partidária e em apoio a candidatos diversos dos adotados pelo órgão partidário”.
Porém, pelo andar da carruagem, e do que disse na semana passada, Schimer sairá antes de o ofício ser avaliado. Que coisa!