Prejuízos com depredação de escolas crescem mais de 10 vezes e chegam a quase R$ 105 mil em Santa Maria

Os prejuízos provocados por crimes de dano ao patrimônio público nas escolas da rede municipal de ensino de Santa Maria tiveram um crescimento expressivo em apenas um ano. Levantamento da prefeitura aponta que os danos passaram de R$ 11,5 mil em 2024 para R$ 116 mil em 2025, um aumento absoluto de R$ 104,5 mil, o que representa quase dez vezes mais gastos no período.

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Os valores incluem despesas com reparos estruturais, reposição de materiais furtados e recuperação de equipamentos danificados – recursos que deixam de ser aplicados em ações pedagógicas, manutenção e melhorias nas próprias unidades escolares.


Escolas mais atingidas e repetição dos crimes

Entre os registros estão a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dom Luiz Victor Sartori, no Bairro Nonoai, que teve sucessivos furtos de fios de cobre no início de 2025, e a Emef Pão dos Pobres, no Bairro Nossa Senhora de Fátima, onde foram contabilizadas sete ocorrências apenas em novembro de 2025. 

Foto: Rian Lacerda (Diário)

Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Smed), os casos se concentram principalmente em áreas mais vulneráveis, incluindo regiões próximas a casas prisionais e espaços de passagem, como o loteamento Cipriano da Rocha. 

A secretária adjunta de Educação, Adriana Bonumá, chama atenção à reincidência dos crimes e o tipo de material levado.

Tivemos um número muito elevado de furtos em 2025, principalmente de fios de cobre. Em algumas escolas, o material era reposto e, pouco tempo depois, furtado novamente – afirma.


"O fio arrancado das escolas vira dinheiro rápido"

Para a Secretaria de Educação, o aumento dos casos está relacionado a um conjunto de fatores, com destaque para a valorização do cobre e o fortalecimento do mercado ilegal de metais. A Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública (SMSOP) confirma que esse comércio tem sido um dos principais vetores dos crimes contra o patrimônio público.

Foto: Beto Albert

De acordo com o secretário adjunto Sandro Nunes, houve crescimento no número de recicladoras, especialmente irregulares, o que facilita o escoamento do material furtado.

– O quilo do cobre chega a quase R$ 50 em algumas recicladoras. O fio arrancado das escolas vira dinheiro rápido, muitas vezes para alimentar o tráfico de drogas – explicou.

Segundo ele, o município passou a enquadrar esses casos considerando não apenas o valor do item furtado, mas o impacto coletivo.

Não é só o fio. É a escola que fica sem aula, o posto de saúde que interrompe os atendimentos. Hoje, os flagrantes levam em conta o dano social causado – afirmou.


Reflexos no cotidiano escolar

Os impactos vão além do prejuízo financeiro. Conforme a SMEd, muitas escolas precisaram utilizar recursos da própria autonomia financeira para reparos emergenciais, redirecionando verbas que seriam destinadas a projetos pedagógicos, materiais didáticos ou melhorias internas.

Quando os danos superam a capacidade da unidade, é necessário abrir processos de licitação, o que prolonga o tempo de resposta. Em alguns casos, alunos precisam ser deslocados temporariamente para outros espaços, comprometendo o calendário letivo.


Vandalismo também afeta o meio ambiente

Os danos ao patrimônio público também atingem áreas ambientais. Dados das secretarias de Meio Ambiente e de Serviços Públicos indicam que, desde 2023, 134 mudas de árvores foram vandalizadas em 14 pontos da cidade, com estimativa de que cerca de 20% das mudas plantadas sofram algum tipo de dano humano.

Cada muda tem custo médio de R$100, considerando tutor e adubação. Embora parte seja obtida por meio de parcerias e compensações ambientais, os custos operacionais – como mão de obra, deslocamento e insumos – recaem sobre o município.

Segundo a Secretaria de Segurança, diferentemente dos furtos em escolas, parte do vandalismo ambiental não gera retorno financeiro e ocorre, muitas vezes, por ação deliberada, especialmente envolvendo jovens em áreas centrais da cidade.


Expectativa de redução em 2026

Apesar dos índices de prejuízos, dados da Guarda Municipal de Santa Maria (GMSM) apontam queda no número de ocorrências de dano ao patrimônio público. Em 2025, foram atendidos 52 registros, a maioria envolvendo invasão, arrombamento e furto. Em 2024, o total havia sido maior, com 89 ocorrências.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Com base nesse cenário, a Secretaria de Segurança e Ordem Pública projeta nova queda dos indicadores em 2026, com a continuidade das políticas adotadas, como a ampliação do videomonitoramento no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) e o fortalecimento das ações contra a receptação.

Temos uma expectativa positiva para 2026, com a manutenção dessas ações ao longo do ano – afirma o secretário adjunto Sandro Nunes.


Apelo à comunidade

As forças de segurança intensificaram ações preventivas, com reforço de rondas, ampliação do videomonitoramento e fiscalização de recicladoras, em atuação integrada entre órgãos municipais e forças policiais. 

As secretarias reforçam, no entanto, que a preservação do patrimônio público depende também do engajamento da comunidade, com denúncias de situações suspeitas pelos telefones 153 (Guarda Municipal) ou 190 (Brigada Militar).


Relembre alguns casos:


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