Senna completaria 63 anos: conheça histórias de moradores da região marcadas pelo ídolo da Fórmula 1

Letícia Almansa Klusener,Luis Santos

Senna completaria 63 anos: conheça histórias de moradores da região marcadas pelo ídolo da Fórmula 1
Foto: Site Ayrton Senna (Divulgação)

Nascido em 21 de março de 1960, o tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, completaria 63 anos nesta terça-feira (21). Com uma trajetória memorável, sendo um dos grandes nomes da F1, Senna é lembrado e admirado até hoje.

De forma inevitável Senna é lembrado até hoje pelo trágico acidente que o vitimou. Em 1° de maio de 1994, no Grand Prix de San Marino, na Itália, a vida do campeão se encerrou. Até hoje, muitas teorias cercam o acidente no Circuito de Ímola. Naquele fim de semana, outros dois já haviam acontecido, um envolvendo Rubens Barrichello e outro causando a morte de Roland Ratzenberger.

Era a terceira etapa da temporada, o campeão havia se transferido para a Williams. No ano anterior, tinha ficado em segundo lugar pela McLaren. Assim, uma temporada que poderia ter sido marcada por recomeços, foi o fim de muitos sonhos. Foi liderando o GP que Senna bateu forte no muro quando escapou da curva Tamburello. Ao ser atendido ainda na pista, foi levado ao hospital por um helicóptero. A batida aconteceu às 14h48min. No hospital, Senna faleceu às 18h40min. O anúncio viria apenas às 19h05min. 

A perícia concluiu que a barra de direção do carro teria atingido a cabeça do piloto e levado à morte. Como antes do acidente a corrida já havia sido também paralisada, algumas teorias culpam o fato de os pneus terem se esfriado nesse meio tempo, o que faz com que eles percam a pressão e a aerodinâmica do carro tenha se desestabilizado. Tudo isso contribuiu para que o carro da Williams tenha perdido a aderência com a pista. 

Apesar de muitas pessoas lembrarem do Senna pela morte trágica, sua história em vida marcou e segue marcando muitas pessoas. Conheça a história de três amantes da categoria que vivem em Santa Maria. 

Os brasileiros na F1

Mesmo sendo o nome mais lembrado pelas pessoas quando se fala em F1, Senna não foi o primeiro, não foi o único nem o último piloto que representou o país. Emerson Fittipaldi foi o pioneiro a vencer a modalidade. Em 1970, conquistou o GP de Watkins Glen. Em 1972, sagrou-se campeão mundial. Foi também o mais novo da categoria a levantar a taça. Outro brasileiro, José Carlos Pace correu pela F1 e garantiu uma única vitória no GP de Interlagos. Já Nelson Piquet foi o terceiro piloto do Brasil a vencer uma corrida de Fórmula 1 e o primeiro a ser tricampeão mundial. Os principais nomes depois de Senna, e que atualmente disputam a Stock Car, são Felipe Massa e Rubens Barrichello. Ao todo, 32 pilotos brasileiros disputaram uma corrida de Fórmula 1. Felipe Drugovich é o reserva da Aston Martin e pode se tornar o  33° nome da lista.

Um dos motivos para Ayrton Senna ser muito lembrado, além dos números marcantes, é pela vontade de competir e o orgulho de representar o país onde nasceu. 

De geração em geração

Em 1986, no México, a seleção argentina de futebol conquistou seu bicampeonato em Copas do Mundo. A seleção brasileira caía nas quartas de final para a França nos pênaltis. Mesmo com o sofrimento no esporte com bola, Senna orgulhava a nação no Circuito de Detroit. Com um tempo brilhante no sábado, conquistando a pole position, Senna chegou no domingo com a torcida brasileira ao seu lado. O cartaz exposto pelos fãs dizia para Senna vingar os brasileiros e dar um “olé no francês” Alain Prost. Senna viu o aviso, e fazendo um sinal positivo com o polegar, confirmou que realizaria o pedido. Vencendo a prova com folga naquele domingo, foi ao pódio com Laffite e Prost. Na volta da desaceleração, Senna viu um brasileiro com a bandeira próximo a pista. Pegou-a e deu uma volta em seu carro com ela levantada. Ali surgia Ayrton Senna do Brasil. 

Foto: arquivo

Com apenas um ano de idade, o estudante de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Lucas Cante Bozza, 30 anos, tem na memória o dia do falecimento de Senna:

— Eu lembro do pai e da mãe muito tristes, porque alguém tinha morrido. Eu lembro do Ayrton Senna, eu lembro do capacete. Lembro da bandeira. Essa é a minha primeira memória.

Lucas Cante Bozza competindo pelo projeto Bombaja da UFSM. Foto: Arquivo pessoal

— Quando esse cara surgiu, ele tapou uma lacuna esportiva no coração do brasileiro. Ele corria em um carro que não tinha tanta potência e, mesmo assim, “matava a pau”. Deixava a gente no auge, era muito lindo de ver. Quando ganhou a corrida e desfilou com a bandeira do Brasil, foi emocionante — relembra Bento Ferreira, 61 anos, atendente de farmácia, que acompanha a modalidade desde a época de Emerson Fittipaldi e se considera um fã de Ayrton Senna. 

Muito mais que números

Senna ganhou três campeonatos mundiais (1988, 1990, 1991, todos pela McLaren), disputou 161 Grand Prix, conquistou 65 pole positions, fez 19 voltas mais rápidas (elas também pontuam no resultado final do campeonato). Contudo, muito além dos números, Senna alterou normas, propôs ideias e redesenhou o futuro do automobilismo. 

Ainda na década de 1990, o autódromo de Interlagos precisou passar por uma alteração no traçado. À época, Ayrton propôs que um “S” fizesse a ligação da reta dos boxes à curva do sol. Além da alteração visual, o piloto ajudou nos ajustes do muro e das zebras do circuito. Quem viu as corridas no antigo circuito, reclama do atual. As curvas eram muito mais “altas e baixas”. Um dos motivos da mudança foi a segurança, o outro, a possibilidade da Fórmula Indy também correr no local, fazendo concorrência com a Fórmula 1. 

A luta pela educação

Carro utilizado por Senna fica em exposição na sede do Instituto Ayrton Senna, em São Paulo Foto: divulgação

O tricampeão de Fórmula 1 idealizava um Brasil onde crianças tivessem mais oportunidades de desenvolvimento pleno e de acesso aos recursos necessários para um padrão de vida decente. Ele acreditava que só a educação de qualidade poderia transformar vidas e, por isso, era necessário uma iniciativa de combate à desigualdade social na educação, que atinge milhões de brasileiros. 

Ayrton morreu antes de realizar seu sonho, mas sua irmã, Viviane Senna, deu início, ainda em 1994, à criação do Instituto Ayrton Senna. Desde então, a organização tem contribuído com a educação de milhares de crianças e adolescentes por meio do ensino em tempo integral, de modo que todos tenham chances de atuar como “agentes de transformação social”.

— Além de ser um excelente piloto, ele era um cara carismático. Até a preocupação social, ajudando algumas instituições, faziam ele conquistar mais fãs — ressalta Bento. 

Ao longo dos anos, a instituição foi protagonista na causa da educação no Brasil. Por meio de programas educacionais como o “Acelera Brasil”, “Se Liga”, “Gestão Nota 10” e o “Circuito Campeão”, o Instituto Ayrton Senna tem sido um dos protagonistas na questão educacional no país. 

Uma lenda reconhece outra lenda

Além de ser referência para muitos brasileiro, Senna recebe homenagens ao redor do mundo. Assim como Senna e outros tantos pilotos, Lewis Hamilton iniciou sua carreira no esporte no kart aos 8 anos. E sua trajetória vencedora começou contra um brasileiro. O inglês competia pelo mundial contra Felipe Massa. Na ocasião – no GP do Brasil em 2008 –, Hamilton conquistou seu primeiro campeonato na última volta. Talvez, o carinho pela torcida brasileira tenha aflorado ali, mesmo Hamilton tendo deixado o brasileiro com o vice-campeonato. 

A proud moment for @LewisHamilton 💚💛The seven-time world champ has been made an honorary citizen of Brazil 🇧🇷👏#F1 pic.twitter.com/3ADdx4qA9L— Formula 1 (@F1) November 8, 2022

Em novembro de 2022, após outros seis campeonatos mundiais, Hamilton retornou para o Brasil, mas agora não apenas para competir. O piloto britânico recebeu o título de cidadão honorário do Brasil durante sessão solene da Câmara dos Deputados, em Brasília. Na sessão, Hamilton relembrou o começo de tudo: 

— Quando eu tinha 5 anos, vi Ayrton correr pela primeira vez, e esse foi o momento em que eu soube que queria ser campeão do mundo. 

O automobilismo em alta

Apesar de não ter nenhum brasileiro atualmente entre os corredores na Fórmula 1, o esporte segue se popularizado. Em 2019, a Netflix lançou a série F1: Dirigir Para Viver, que mostra o mundo por trás das corridas. Os bastidores das relações entre pilotos e integrantes das equipes foi um grande sucesso, de modo que deve chegar em sua quinta temporada em breve.

Fãs da modalidade também utilizam o TikTok, uma plataforma de vídeos, para mostrar, de maneira rápida, os melhores momentos de corridas que duram horas. Bento usa as redes sociais para rever as conquistas de Senna:

— Eu me emociono até hoje. Eu vejo os videozinhos das vitórias dele e me emociono. O cara era impressionante — conta. 

Renato Leonardo Bezerra Molina, 64 anos, cresceu em Santa Maria. E o entusiasmo pela categoria e por carros foi desde muito cedo. Conheceu um senhor que tinha um Fairlane 1958 que competia em corridas entre os municípios da região. O ruído do motor alimenta a paixão de Renato até hoje: 

— Acredito que o interesse da maioria das pessoas hoje em dia se deve às atualizações, às novas tecnologias. As pessoas têm acesso à informação de forma mais facilitada hoje. 

Renato reforça que se a fatalidade não tivesse interrompido a carreira de Senna, ele facilmente competiria mais campeonatos em alta. 

— Com certeza o Senna teria ganho pelo menos mais dois campeonatos tranquilamente.

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