Reclamações e longas filas marcam o primeiro dia de mutirão do CadÚnico em Santa Maria; prefeitura garante que todas as pessoas foram atendidas

Reclamações e longas filas marcam o primeiro dia de mutirão do CadÚnico em Santa Maria; prefeitura garante que todas as pessoas foram atendidas

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O primeiro dia do mutirão para atualização do Cadastro Único (CadÚnico) em Santa Maria foi marcado por longas filas e reclamações na tarde desta terça-feira (16). A mobilização, que visa facilitar o acesso de famílias de baixa renda a programas sociais, começou com um desencontro de informações entre a prefeitura e a organização do Centro Social Marista, no Bairro Nova Santa Marta, deixando dezenas de moradores expostos do lado de fora da instituição.


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A confusão começou porque o Centro Social distribuiu 30 fichas de atendimento antecipadamente, ainda na segunda-feira (15), para as famílias que já são atendidas pelos projetos da instituição. No entanto, no material oficial de divulgação publicado pela prefeitura no último domingo (14), não havia menção de que as vagas seriam limitadas ou de que haveria distribuição prévia de senhas.

Confiando no anúncio do Executivo, muitos moradores começaram a chegar ao local por volta do meio-dia para garantir atendimento no horário previsto, às 13h. Na fila que se estendia pela calçada, havia idosos e pessoas com deficiência física enfrentando as baixas temperaturas a céu aberto. 

Ao abrirem os portões, a comunidade foi informada de que apenas quem portava as fichas distribuídas no dia anterior teria o atendimento garantido, e que os demais precisariam aguardar por vagas remanescentes. Diante do impasse, algumas pessoas desistiram e foram embora, enquanto outras decidiram esperar.


O relato dos moradores

Para o estofador Moacir Lemes, 61 anos, a situação gerou indignação, principalmente pela falta de sincronia entre os servidores do município.

Estofador Moacir Lemes, 61 anosFoto: Vinicius Becker (Diário)

– Nós fomos orientados na própria secretaria, hoje, por volta das 11h da manhã, a vir aqui para pegar a ficha. Chegando aqui, disseram que as fichas já tinham sido distribuídas ontem cedo por um acordo com o secretário. É uma reclamação de toda a comunidade que está chateada. Há um desencontro total de informações. 

Lemes relatou ainda a dificuldade crônica enfrentada pela população para conseguir o serviço de rotina fora dos mutirões.

– Faz meses que eu tento ligar para o Cras da General Neto e ninguém atende o telefone fixo. Todo mundo veio para o mutirão para tentar resolver logo. 

Quem também precisou esperar do lado de fora foi o aposentado Noeli Rodrigues Teixeira, 68 anos. Ele costuma atualizar seus dados anualmente e aprovou a iniciativa de trazer o serviço para mais perto de sua casa, embora tenha lamentado a desorganização do primeiro dia.

– Antigamente, eu atualizava ali no Cras do Céu, depois mudaram lá para perto da rodoviária velha. Para nós, morando aqui no alto, ficou muito melhor fazer o cadastro no bairro, mas hoje infelizmente já chegamos com as fichas distribuídas.


O que diz a prefeitura

Presente no local, o chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Social, Adriano Machado, justificou que o limite de 30 senhas por turno é um regramento necessário para adequar o serviço à capacidade técnica das equipes de assistência.

Chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Social, Adriano MachadoFoto: Vinicius Becker (Diário)

– Sabemos que existe uma limitação tanto na questão do número de servidores quanto na estrutura física. Por isso, entendemos ser adequado fixar em 30 atendimentos. Porém, havendo a possibilidade, nada impede de atender os demais – explicou Machado, lembrando que quem não conseguir a atualização nos bairros pode procurar a sede do CadÚnico na Rua General Neto.

Por meio de sua assessoria de comunicação, a prefeitura admitiu que a distribuição antecipada de senhas por parte do Centro Social Marista foi um erro de comunicação entre a entidade parceira e a secretaria, o qual já está sendo corrigido para as próximas ações.

O Executivo informou também que, após o ocorrido, inseriu um adendo no texto do site oficial e reforçará que a capacidade técnica das equipes é de 30 atendimentos por turno, orientando que a prioridade de preenchimento das vagas seja dada a quem não atualiza os dados há mais de um ano. A prefeitura garantiu que, apesar do tumulto inicial, todas as pessoas que permaneceram no local nesta terça-feira (16) receberam atendimento.


O que diz o Marista

Pelo lado do Centro Social Marista, a assistente social Camila Müller Agostta explicou que as fichas foram distribuídas de forma antecipada por meio do grupo de comunicação das famílias que já são assistidas pelos projetos do centro e que estavam com o CadÚnico desatualizado.

Camila negou qualquer intenção de excluir os demais moradores e ressaltou que a medida foi tomada em comum acordo com o município, para evitar aglomerações desordenadas diante das limitações estruturais do mutirão.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

– O Marista sempre abriu as portas para a comunidade e jamais negou atendimento. Mas, devido ao espaço físico pequeno e ao número reduzido de cadastradores enviados, nós chegamos a esse acordo das 30 fichas. Como a fila que se formou do lado de fora estava muito grande, demos prioridade para os casos urgentes, com prazos de recadastramento mais apertados, e avisamos os demais moradores que o Cras voltará a atender a comunidade no bairro a partir do próximo mês –justificou a assistente social.

Ainda em contraste com a garantia dada pela prefeitura à reportagem – de que todos os presentes na fila seriam acolhidos –, a assistente social reiterou que a orientação técnica em vigor no local era rígida: o teto máximo de atendimento estava fixado em 30 pessoas, com encerramento das atividades impreterivelmente às 16h.


Cronograma dos próximos mutirões

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Para evitar novos tumultos, a prefeitura informou que, a partir das próximas ações, haverá um limite de atendimento fixado na distribuição de 30 fichas por turno, entregues diretamente no local e com prioridade para quem não atualiza os dados há mais de um ano. 

Atualmente, Santa Maria conta com 83.785 pessoas (38.462 famílias) registradas no CadÚnico. O banco de dados é o único passaporte para benefícios cruciais como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Água e Energia Elétrica, e o programa Minha Casa, Minha Vida.


Atendimento das 8h30min ao meio-dia e das 13h às 16h

  • Quarta-feira (17), na Cozinha Comunitária Chico Xavier (Travessa Gramado, no Bairro Lorenzi)
  • Quinta-feira (18), no Instituto ASSFFOR (Rua Hilda C. Colussi Berleze, 453, Bairro João Luiz Pozzobon)
  • Sexta-feira (19), na ESF São Carlos (Rua Agostinho Scolari, 546, Bairro Urlândia)
  • 22 de junho, na Associação do Centro Comunitário Infantil do Bairro Carolina (Rua Pedro Álvares Cabral, 218, Bairro Carolina) – Atendimento pela manhã, das 8h30min ao meio-dia
  • 22 de junho, na cozinha comunitária Obra Social Nossa Senhora do Trabalho (Rua Oliveira Mesquita, 10, Bairro Salgado Filho) – Atendimento pela tarde, das 13h às 16h
  • 23 de junho, na ONG Mãos Unidas Pelo Cipriano (Rua Niterói, 500, Bairro Pinheiro Machado)
  • 24 de junho, na Associação Comunitária da Tancredo Neves (Avenida Paulo Lauda, 705, Bairro Tancredo Neves)
  • 25 de junho, na EMEF Pedro Kunz (Rua Augusto Kunz, 480, Bairro Passo das Tropas)
  • 26 de junho, na Saema (Sociedade Assistencial e Educativa Mãe Admirável) (Rua Irmã Terezinha Werner, Bairro Nova Santa Marta)
  • 29 de junho, na creche comunitária Estação dos Ventos (Rua Luís Castagna, Bairro Km 3)


Documentos necessários: RG e CPF originais dos adultos da casa, certidão de nascimento e CPF original das crianças e comprovante de residência atualizado com menos de 90 dias. 



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