Os desafios de circular pela BR-158, a pior rodovia federal da Região Central

Os desafios de circular pela BR-158, a pior rodovia federal da Região Central

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Trecho com desnível e acostamento deteriorado aumenta o risco para motoristas na BR-158, na chegada a Júlio de Castilhos.

A BR-158, entre Santa Maria e Tupanciretã, continua sendo uma das piores rodovias para circular na região central do Estado. A falta de sinalização horizontal, as ondulações e a ausência de manutenção tornam a rodovia um desafio para motoristas. Com a chegada do escoamento da safra de soja e o aumento no fluxo de veículos pesados, o perigo se eleva em pontos críticos da rodovia que liga Santa Maria ao Norte e Sul do Estado.


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Rodovia é uma das mais movimentadas da Região Central

Motoristas enfrentam problemas de conservação, ausência de pintura na pista e desníveis no asfaltoFoto: Vinicius Becker (Diário)

Somente neste ano, no km 264, em Júlio de Castilhos, a rodovia recebeu um fluxo – em apenas um sentido – de 316 mil veículos. É o que aponta um radar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que monitora a velocidade e o volume de tráfego. Desse total, quase 13 mil foram caminhões. Considerando a soma dos 10 radares entre Santa Maria e Cruz Alta, o número chega a mais de 2 milhões de registros entre 1º de janeiro e o terceiro mês de abril deste ano. Somando os 93 dias, a média é de aproximadamente 22,5 mil veículos por dia utilizando a rodovia, o que representa cerca de 937 por hora e 15 a 16 veículos por minuto passando pelos pontos monitorados.


Rodovia ainda está ruim

Falta de sinalização horizontal é um dos problemas registrados na BR-158, no trecho entre Santa Maria e Júlio de Castilhos.Foto: Vinicius Becker (Diário)

O Diário fez o percurso entre Santa Maria e o trevo de acesso a Tupanciretã no final de março. O ponto mais crítico fica entre Júlio de Castilhos e Tupã. O principal problema nos quase 25 km entre as duas cidades são as diversas ondulações e a visível falta de conservação por parte do Dnit. Em alguns pontos, há múltiplos problemas. Na chegada à cidade de Júlio de Castilhos, há um trecho com ausência de sinalização horizontal, acostamento deteriorado e diversas ondulações como mostra a foto abaixo:

Trecho com desnível e acostamento deteriorado aumenta o risco para motoristas na BR-158, na chegada a Júlio de Castilhos.Foto: Vinicius Becker (Diário)

​Em outro trecho entre as duas cidades, havia uma operação tapa-buracos, com funcionários realizando serviços de conservação ao lado da pista.


Já entre Júlio de Castilhos e Val de Serra, com cerca de 30 km, o percurso é dividido entre áreas em boas condições e trechos bastante danificados. Cerca de 6 km após Val de Serra, a via apresenta boas condições, com camada asfáltica mais nova. Porém, nos locais mais críticos, o desnível, provocado pelo volume alto de veículos pesados, prejudica o deslocamento. A falta de acostamento também é um problema em alguns pontos, onde o asfalto se espalha para fora da pista, formando desníveis.


Entre Val de Serra e Itaara, em um trecho de 17 km, pontos que foram recuperados no ano passado voltam a apresentar problemas. Na Borracharia do Cláudio, no trevo de acesso a Val de Serra, o fluxo de atendimentos aumentou.

Caminhoneiro Liverio Lopes Martins, 42 anos, de Tupanciretã, relata prejuízos com desgaste de pneus devido às condições da BR-158.Foto: Rian Lacerda (Diário)

Caminhoneiro que estava no local fazendo a troca de pneu, Liverio Lopes Martins, 42 anos, de Tupanciretã, que também circula pela BR-392, relata prejuízos. Com um caminhão de quatro eixos, ele afirma que a vida útil do pneu diminui pela metade diante das condições da rodovia. Cada pneu custa, em média, R$ 3 mil.


Entre Itaara e Santa Maria, no final da serra, na entrada da Estrada do Perau, a sinalização horizontal está desgastada e há desnível, o que torna a curva perigosa. Após esse ponto, até a primeira entrada da cidade, o trecho continua em más condições e não recebia melhorias. Há falta de placas de sinalização e em alguns pontos estão tomadas pela vegetação. Na serra, não há placa sinalizando o começo e o fim das terceiras faixas além de um desnível que aparentemente cedeu com as obras de encostas após 1 km da Polícia Rodoviária Federal (PRF).


Falta de conservação

A rodovia entre Santa Maria e Cruz Alta concentra falhas como falta de sinalização, ondulações e desgaste do asfalto, agravadas pelo alto fluxo de veículos pesados.Foto: Vinicus Becker (Diário)

De modo geral, a reportagem não identificou máquinas do Dnit entre Santa Maria e Júlio de Castilhos durante o percurso realizado no dia 20 de março. Apenas uma equipe fazia roçada em Itaara. De acordo com fontes ouvidas pelo Diário, o Dnit não estaria repassando recursos para a conservação do trecho nem para continuidade das obras de recuperação profunda da pista, que foram feitas em alguns trechos nos últimos dois anos, o que explicaria o agravamento dos problemas e a falta de equipes ao longo da rodovia.


A reportagem questionou o Departamento que, por meio de nota, negou a informação. Disse que o contrato de manutenção da BR-158 está vigente e com recursos disponíveis para serviços de conservação. Também afirmou – mesmo sem flagrante de máquinas pela reportagem – que estão sendo executados serviços de tapa-buracos e recuperação de pista. O órgão ressalta que, em meados de março, equipes realizaram serviços no segmento próximo à localidade de Val de Serra. Porém, a nota não explica porque a rodovia não recebe melhorias significativas como a retirada do asfalto antigo nos pontos mais críticos. 

Relembre as condições da rodovia em outras reportagens: 

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