Se houvesse uma guerra nuclear, Santa Maria sentiria os efeitos? Projeto local ajuda a responder

Se houvesse uma guerra nuclear, Santa Maria sentiria os efeitos? Projeto local ajuda a responder

Reprodução/ Redes Sociais

Em meio ao cenário internacional marcado por conflitos e escaladas militares, principalmente entre Estados Unidos, Israel e Irã, uma dúvida começa a aparecer no imaginário da população: caso ocorresse uma guerra nuclear entre países atualmente em conflito, como isso poderia afetar Santa Maria?

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A resposta envolve ciência, monitoramento atmosférico e análise técnica. E o projeto Bate Papo Astronômico é capaz de ajudar a compreender esse cenário.

Desde 2022, o projeto Bate-Papo Astronômico mantém em Santa Maria uma estação meteorológica que também monitora níveis de radiação ionizante de fundo. Trata-se de uma iniciativa pioneira no Brasil, reconhecida oficialmente pela Agência Espacial Brasileira (AEB) ainda em seu primeiro ano de operação.

O que é medido em Santa Maria?
A estação registra variáveis meteorológicas tradicionais, como temperatura, umidade, pressão atmosférica, vento e índice de chuva, mas também mede continuamente a radiação ionizante por meio de um tubo Geiger-Müller, que é que um sensor usado para a detecção de radiação ionizante.

O equipamento detecta principalmente radiações Beta, Gama e Raios X. O foco do projeto é o estudo da chamada radiação ionizante de fundo, é o que afirma Fabricio Colvero, diretor-executivo do projeto Bate-Papo Astronômico.

- Essa seria a que está naturalmente presente no ambiente, oriunda da radiação cósmica e de elementos radioativos naturais do solo, como tório, rádio e o gás radônio. Esses níveis são relativamente constantes e variam pouco ao longo do tempo, sofrendo apenas pequenas oscilações associadas a condições meteorológicas, como chuvas - explicou.

Com mais de três anos e meio de dados acumulados, o BPA construiu uma base histórica estável, permitindo identificar qualquer alteração fora do padrão normal.

Uma explosão nuclear distante poderia ser detectada em Santa Maria?
De acordo com Fabrício, de forma objetiva, sim, é possível que alterações fossem detectadas, dependendo das circunstâncias.

Estação ajuda a analisar as mudanças nos céus da regiãoFoto: Bate Papo Atronômico

- Caso ocorresse uma explosão nuclear atmosférica em outro continente, a possibilidade de detecção em Santa Maria dependeria de fatores como o tipo e magnitude da detonação, a quantidade de material radioativo liberado, a altura atingida pela pluma e também as correntes atmosféricas globais responsáveis pela dispersão - explicou.


Mesmo assim, a eventual chegada de partículas radioativas ao Brasil ocorreria em pequenas escalas, o que também representaria pouco risco aos santa-marienses.

E se o conflito envolvesse usinas nucleares?
Outro cenário possível seria o dano severo ou destruição de usinas nucleares durante um conflito armado. Nesse caso, a liberação de material radioativo poderia atingir a atmosfera.

- Novamente, tudo dependeria da circulação global dos ventos e das condições meteorológicas. Em níveis muito baixos, sistemas sensíveis como o da estação de Santa Maria poderiam registrar variações discretas - finalizou, comentando sobre a possibilidade de afetar Santa Maria.

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