Em nota, Arquidiocese de Santa Maria afirma que restrição ao álcool em festas é medida de cuidado com a saúde e a vida

Em nota, Arquidiocese de Santa Maria afirma que restrição ao álcool em festas é medida de cuidado com a saúde e a vida

Foto: Beto Albert (Arquivo/Diário)

A decisão da Arquidiocese de Santa Maria de manter a proibição da venda e do consumo de bebidas alcoólicas em festas e eventos ligados às comunidades católicas segue gerando debate entre lideranças religiosas, organizadores de festas e fiéis, especialmente após a retomada das celebrações com o fim do Ano Jubilar. Diante dos questionamentos e das interpretações divergentes sobre a medida, a Arquidiocese divulgou um posicionamento oficial reforçando os motivos pastorais, sociais e religiosos que sustentam a restrição.


Confira abaixo, na íntegra, a nota divulgada:


Cuidado com a vida, coerência pastoral e compromisso com o bem comum

Diante de questionamentos e polêmicas em torno da orientação de não permitir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em festas e eventos vinculados às comunidades católicas, a Arquidiocese de Santa Maria reafirma que essa decisão é uma opção pastoral responsável, fundamentada no cuidado com a vida, na proteção das famílias e na preservação do sentido educativo, evangelizador e comunitário dos espaços e iniciativas da Igreja.

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O consumo de álcool não é um elemento neutro. Dados amplamente reconhecidos pela ciência e pela saúde pública demonstram que o álcool está associado ao adoecimento, à violência, a acidentes e a mortes evitáveis, com impacto direto nas famílias e na sociedade. No programa Sem Censura, recentemente transmitido no Canal Brasil, o cardiologista Cláudio Domênico, que tem se destacado no debate público sobre saúde e prevenção, reflete sobre o consumo de álcool e faz um alerta: “Não há dose segura de álcool para o corpo humano”. Ele aponta ainda que a expressão “beber com moderação” é enganosa, pois cada organismo responde de forma diferente, e que, no futuro, as bebidas alcoólicas poderão ser vistas com o mesmo rigor com que hoje se enxerga o cigarro.

No Brasil, os efeitos do consumo de álcool recaem também sobre o sistema público de saúde, a segurança e a convivência social. Ignorar esse contexto seria negligenciar uma responsabilidade ética, social e pastoral da qual a Igreja não pode abdicar.

As festas comunitárias têm valor cultural, histórico e afetivo. Contudo, quando passam a depender da bebida alcoólica como principal fator de arrecadação ou de atração, crescem os riscos de conflitos, desordem, exposição indevida de crianças e adolescentes e a descaracterização do próprio sentido do evento e do espaço eclesial.

Há registros, inclusive, de situações graves ocorridas em eventos com consumo de álcool no território da Arquidiocese, que resultaram em violência e sofrimento, evidenciando como esse contexto pode se tornar perigoso, sobretudo para os mais vulneráveis. A Igreja tem o dever de garantir que suas iniciativas sejam ambientes seguros, familiares e coerentes com o Evangelho.

É importante também corrigir informações que não correspondem à realidade. Ao contrário do que afirmam alguns críticos, os dados pastorais consolidados de 2025 não confirmam redução de fiéis nem de arrecadação em razão dessa orientação. Em todo o território da Arquidiocese de Santa Maria, constatou-se exatamente o oposto:

  • Crescimento da presença de crianças, adolescentes, jovens e famílias nas celebrações, festas e atividades comunitárias;
  • Fortalecimento de um ambiente mais acolhedor, familiar e inclusivo, especialmente para pessoas que antes se sentiam afastadas ou constrangidas;
  • Manutenção e, em diversos casos, aumento da arrecadação, obtida por meios alternativos, criativos e coerentes com a identidade cristã, na grande maioria das pequenas e grandes comunidades da região.

Esses resultados concretos permitiram não apenas manter, mas ampliar os projetos sociais da Arquidiocese, com impacto direto no cuidado com a vida. Foi possível expandir e fortalecer obras e iniciativas voltadas:

  • Ao cuidado com os idosos;
  • À proteção, educação e acompanhamento de crianças e adolescentes;
  • À atenção pastoral e social aos doentes e às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Os números demonstram que coerência pastoral não afasta pessoas, não empobrece a Igreja e não enfraquece a missão.

A Arquidiocese reafirma que não é contra a alegria, a convivência nem as festas, mas é decididamente a favor de festas que eduquem, protejam e promovam a vida. Por isso, segue incentivando alternativas saudáveis e responsáveis de convivência e arrecadação, como almoços comunitários, cafés, feiras, eventos culturais, música, integração familiar e ações solidárias.

Diante disso, impõe-se uma pergunta necessária e honesta, feita com serenidade, mas também com clareza: quem defende o consumo de bebidas alcoólicas em eventos ligados à Igreja está, de fato, promovendo o bem comum, a proteção da vida e a inclusão das famílias? Ou estaria apenas defendendo modelos que, embora habituais, já não respondem aos desafios humanos, pastorais e sociais do nosso tempo?

Os jovens precisam do álcool para viver a verdadeira alegria?

A Arquidiocese de Santa Maria reafirma que suas decisões pastorais são tomadas com base em dados concretos, escuta atenta da realidade, responsabilidade social e fidelidade ao Evangelho, que chama à vida plena, à comunhão e ao cuidado especial com os mais frágeis. Essas decisões estão alinhadas com o discernimento da Igreja no Brasil e com o Evangelho, ainda que haja quem discorde.

A história, com o passar do tempo, mostrará quem esteve, de fato, defendendo a vida em abundância, como ensina Jesus em Jo 10,10. Cuidar também é prevenir. Não é perda: é missão.

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