Foto: Vinicius Becker (Diário)
Entre corredores hospitalares, sorrisos e passos de dança improvisados, o som do Carnaval encontrou espaço na manhã desta segunda-feira (9) no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Em meio à rotina de exames, tratamentos e esperas, a música transformou o ambiente com a primeira edição carnavalesca do projeto Vozes que Curam, iniciativa que desde 2018 leva arte e cuidado a instituições de saúde.
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A ação percorreu diferentes setores do hospital, reunindo pacientes, acompanhantes e trabalhadores em momentos de pausa e leveza. Crianças saíam das salas de atendimento curiosas, tocavam instrumentos, cantavam junto. Adultos registravam com o celular e se emocionavam. Em vários corredores, placas com a pergunta “Como posso ajudar?” pareciam ganhar resposta ali mesmo: com uma canção, uma palma ritmada, um bom-dia animado.
“A alegria muda a química do nosso corpo”
Para o superintendente do HUSM, Humberto Moreira Palma, iniciativas como essa têm impacto direto no cuidado prestado dentro da instituição.

Segundo ele, a atividade integra um conjunto de ações culturais promovidas ao longo do ano pelo hospital, como apresentações musicais em datas comemorativas, exposições artísticas e intervenções realizadas em parceria com a universidade. A proposta é ampliar o à arte, inclusive com a expectativa de instalar um piano no hospital, aberto ao uso de pacientes e acompanhantes, a partir de doações.
Idealizadora do projeto Vozes que Curam, a fonoaudióloga Carla Viegas acompanhou de perto as reações ao longo da apresentação. Para ela, a música atua como um elemento essencial no resgate da esperança em ambientes marcados pela dor.

– A alegria muda a química do nosso corpo. Ver pacientes dançando com soro, de muleta ou com curativos mostra como a música consegue transformar o momento e devolver esperança – destacou.
“Parece simples, mas isso muda tudo”
A emoção também tomou conta de quem acompanhava os familiares. Quando a música chegou ao térreo do hospital, o casal Nelson Francisco Col Debella, 80 anos, e Rosana Maria Cruaus, 70, ambos de Nova Palma, não resistiu. Eles se levantaram, cantaram junto e aceitaram o convite para dançar no meio do hospital, arrancando aplausos de quem assistia.
– É maravilhoso. A gente não consegue ficar parado. Isso aqui traz alegria, traz força, é uma bênção dentro do hospital – disse Rosana.

Há duas semanas acompanhando o filho internado, Eliane Pereira, 75 anos, observava atentamente o impacto da ação nos outros pacientes. Ao lado da cama do filho, ela relatou ter visto mudanças que iam além do entretenimento.
– Tinha uma senhora que não levantava havia dias por causa da dor. Quando ouviu a música, levantou sozinha. Parece simples, mas isso muda tudo para quem está aqui dentro – contou.
Projeto
Além do Carnaval, o projeto Vozes que Curam também realiza ações em outras datas do calendário, como o Natal, e já tem novas atividades previstas, possivelmente para a Páscoa. A proposta segue a mesma: levar arte onde, muitas vezes, ela não chega e lembrar que, mesmo em ambientes de tratamento e espera, ainda há espaço para alegria, encontro e respiro.

O projeto conta com a participação dos músicos Marcelo Massário, Janu Uber e Renato Mirailh, que se apresentam com voz e violão, das cantoras Daiane Diniz e Carla Viegas, além do percussionista Pedrinho Monte, formando o grupo responsável pelas intervenções musicais realizadas no hospital.