Foto: Vinicius Becker (Diário)
Para quem trafega pelas rodovias federais que cortam Santa Maria, um cenário tem se tornado recorrente: o descarte irregular de lixo às margens das vias. Em 2025, mais de 50 toneladas de resíduos foram recolhidas nesses trechos. Para 2026, a projeção é de que esse volume dobre. Os dados são da empresa Neovia Infraestrutura Rodoviária, responsável por um dos processos de manutenção e coleta dos materiais.
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O problema concentra-se principalmente no perímetro urbano da BR-287 e da BR-158, com registros frequentes em pontos como o viaduto da Tancredo Neves e a região do Bairro Juscelino Kubitschek, identificados como focos recorrentes de descarte irregular. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), tanto o volume de resíduos quanto o número de pontos de descarte aumentam ano a ano.
Principais materiais encontrados e impactos
Segundo o Dnit, entre os resíduos mais frequentemente recolhidos às margens das rodovias federais estão lixo doméstico; vasilhas, latas, pneus e plásticos; móveis e eletrodomésticos, como televisões, camas, geladeiras, fogões, máquinas de lavar e roupeiros; louças sanitárias; restos de veículos; além de entulhos da construção civil, entre outros materiais.

O descarte irregular de resíduos preocupa as autoridades pelos impactos diretos ao meio ambiente, à saúde pública e à segurança viária. A prática, recorrente às margens das rodovias, agrava problemas estruturais e amplia os riscos para motoristas e comunidades do entorno.
De acordo com o Departamento, o acúmulo de lixo às margens das rodovias compromete o funcionamento dos sistemas de drenagem, favorecendo alagamentos e a formação de lâminas de água sobre a pista, especialmente em períodos de chuva. A situação aumenta o risco de aquaplanagem e acidentes.
Além disso, os resíduos descartados de forma inadequada criam condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, entre outros vetores, ampliando os riscos sanitários. Do ponto de vista da segurança viária, os materiais também podem reduzir a visibilidade dos motoristas e obstruir dispositivos de escoamento da água, agravando as condições de tráfego.
Como funciona o recolhimento
O Dnit é responsável pela manutenção e pelas roçadas da faixa de domínio das rodovias federais. Sempre que as equipes identificam pontos de descarte irregular, o procedimento segue um fluxo definido em parceria com o município:
- O Dnit identifica os resíduos durante inspeções de rotina ou ações de manutenção;
- A empresa Neovia Infraestrutura Rodoviária, contratada pelo Dnit, realiza a coleta, reunindo o material e depositando-o provisoriamente na faixa de domínio, em local seguro, para transbordo;
- A Secretaria de Serviço Públicos do município é acionada, ficando responsável pelo recolhimento final e pela destinação correta dos resíduos no aterro sanitário.
A destinação ocorre no aterro sanitário da Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), localizado nas proximidades do Complexo Penitenciário Estadual de Santa Maria, que recebe diferentes tipos de resíduos recolhidos no município.
Segundo o Dnit, cada ação de limpeza resulta, em média, na coleta de um a dois caminhões caçamba de lixo.
Parceria com o município
O superintendente de Água, Esgoto e Resíduos Sólidos da Secretaria de Serviços Públicos de Santa Maria, Ivan Beuter Nazaroff, explica que o município mantém contrato permanente para o recolhimento de focos de lixo dentro da cidade, o que facilita a atuação conjunta com o Dnit.
– O Dnit não tem contrato direto com o aterro. Então, eles agrupam o material e nos avisam. A prefeitura desloca a equipe, recolhe e faz a destinação final. Para nós, esse volume é pequeno se comparado ao que recolhemos mensalmente na cidade – afirma.
Segundo o superintendente, o serviço municipal recolhe cerca de mil toneladas de resíduos por mês em Santa Maria. Dentro desse total, o volume proveniente das rodovias é menor, embora ambientalmente relevante.
Crime ambiental e ações de conscientização
O Dnit reforça que o descarte irregular de resíduos é crime ambiental, conforme a Lei nº 9.605/1998, sujeito à aplicação de multas e a penas que podem incluir detenção ou reclusão. A prática pode ser denunciada por qualquer cidadão, inclusive à Polícia Rodoviária Federal (PRF), em casos de flagrante.

Como medida preventiva, o órgão desenvolve ações de educação ambiental, com foco em alunos da rede pública de bairros cortados pelas rodovias federais e em comunidades localizadas no entorno das obras da Travessia Urbana.
Em julho do ano passado, foi realizada mais uma edição do evento Rodovia Limpa, na BR-287, com a participação da PRF, do Legislativo municipal, da Guarda Municipal de Trânsito e de entidades civis. A ação teve como objetivo a limpeza das margens da rodovia e a orientação de motoristas e pedestres. Segundo a empresa responsável pelo processo de coleta, uma nova iniciativa de conscientização está prevista, embora ainda não haja data definida para a realização.