Em Portugal, a tradição do Halloween – crianças fantasiadas a pedirem doces nas casas da vizinhança – cresce a cada ano, segundo Instituto Português de Administração de Marketing. Nesta época, os supermercados e as lojas estão cheios de prateleiras com gomas, balas e doces de diversos formatos, todos com a temática do Dia das Bruxas. Há muita fantasia e acessórios como máscaras e maquiagens à mostra nas vitrines. Muitos espaços de lazer organizam, inclusive, eventos de Dia das Bruxas, com direito à cardápio temático e brincadeiras assustadoras.
O halloween foi popularizado pelos Estados Unidos, mas a origem é dos povos celtas. A tradição chamada “Samhain” que significa fim do verão era uma festa que durava 3 dias – de 31 de outubro a 2 de novembro – e celebrava o fim da colheita. Acreditava-se que neste período havia uma ligação entre mortos e vivos, e que os espíritos voltavam às casas para pedir comida e, por isso, os familiares deixavam comida na frente da porta. Diz-se ainda que para não ser perseguido pelos espíritos, as pessoas usavam máscaras.
Existem teorias que explicam que a Igreja Católica, na tentativa de se apropriar do “Samhain”, criou o Dia de Todos os Santos em primeiro de novembro. E seria daí que vem a palavra Halloween, uma abreviação de All Hallow’s Eve, véspera do Dia dos Santos. No feriado católico, famílias preparavam bolos e doces para entregar às crianças pobres que passavam de porta em porta pedindo comida. Em troca, elas prometiam rezar pelos mortos. A data também é conhecida como dia de Pão por Deus.
Em Portugal, a tradição católica do Pão por Deus ganhou força depois de 1º de novembro de 1975 quando um grande terremoto atingiu Lisboa. Há registros de mais de 10 mil mortos e dizem que esse número pode ser ainda maior. A cidade ficou destruída e muitas pessoas ficaram a vagar pelas ruas pedindo comida, conta-se que as crianças pediam “pão por Deus”. E essa tradição resiste até hoje no Dia de Todos os Santos.
Por isso, aqui na terra de Camões as tradições do Dia das Bruxa e dos Dia de Todos os Santos misturam-se. Na escola da minha filha mais velha, as crianças já combinaram de irem vestidas de bruxas e outros personagens aterrorizantes. No colégio da minha filha mais nova – uma escola católica – os educadores ensinam que não se celebra o Dia das Bruxas; mas sim pratica-se a solidariedade através do Pão por Deus. Em uma versão mais solidária da tradição, a escola pede que as famílias doem alimentos não perecíveis. A cada ano, a escola escolhe uma instituição para ajudar, entregando as doações.
Trabalho da escola de fazer uma receita assustadora (cupcakes do terror). Foto: arquivo pessoal