Foto: Rian Lacerda (Diário)
A audiência pública realizada na noite de segunda-feira (25) na Câmara de Vereadores de Santa Maria aprofundou o debate sobre os serviços prestados pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan/Aegea), alvo de críticas de parte da população por cobranças consideradas abusivas, falhas no abastecimento e problemas na execução de obras na cidade.
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A gerente de Relacionamento Institucional da Corsan em Santa Maria, Andréia Zanini, afirmou durante entrevista ao programa Direto da Redação que a companhia considera legítima a intensificação da fiscalização por parte do Executivo municipal e defendeu que o momento é de diálogo e esclarecimentos à comunidade.
– A Corsan entende como um movimento legítimo e extremamente alinhado com o propósito da companhia de trazer esclarecimentos para a população e, principalmente, por meio da escuta ativa, agir onde seja necessário – declarou.
Segundo Andréia, a empresa mantém planejamento simultâneo para ampliação das obras de esgotamento sanitário e melhorias no abastecimento de água. Ela também destacou ações de aproximação com as comunidades, especialmente antes do início das obras.
– Fazemos reuniões de aproximação e informação para esclarecer desde o princípio e evitar situações de desinformação ou falta de clareza sobre os objetivos da empresa – afirmou.
Reclamações sobre contas e abastecimento
A audiência ocorre em meio a uma crescente insatisfação popular. Nos últimos dias, moradores relataram faturas com valores elevados e dificuldades para resolver problemas relacionados ao serviço.
Na segunda-feira (25), a prefeitura e o Procon iniciaram um mutirão de atendimento na Praça Saldanha Marinho para receber denúncias e reclamações sobre o serviço da concessionária. Logo nas primeiras horas da ação, filas se formaram no local.
Entre os casos relatados estava o do microempreendedor Odair Favarine Petrin, 56 anos, que afirmou receber cobranças irregulares de taxa de esgoto e contas duplicadas.
A crise também levou o prefeito Rodrigo Decimo (PSD) a endurecer o discurso contra a companhia. Em entrevista à Rádio CDN, o chefe do Executivo afirmou que o município já realizou centenas de notificações e não descarta até mesmo uma eventual rescisão contratual caso os problemas persistam.
Atendimento descentralizado
Questionada sobre a existência de um atendimento prioritário às reclamações envolvendo contas excessivas e desabastecimento, Andréa Zanini afirmou que a Corsan possui canais digitais e presenciais permanentes para atendimento, além de ações itinerantes nos bairros.
– Temos atendimento móvel, com van e equipes que vão até as comunidades para esclarecer imediatamente situações relacionadas tanto a obras quanto a cobranças comerciais – explicou.
Segundo ela, a descentralização do atendimento busca facilitar o acesso da população e agilizar encaminhamentos.
Câmara cobra explicações
A audiência pública foi proposta pelo vereador Tubias Callil (PL), que criticou a metodologia utilizada pela companhia para medição do consumo de água. Conforme o parlamentar, o Legislativo recebeu relatos de moradores com contas que chegam a R$ 15 mil.
– A Corsan não coloca a equipe na rua para fazer a medição e utiliza uma amostragem com a qual não concordamos. Queremos entender o porquê de tudo isso – afirmou o vereador antes da audiência.
Além da mobilização da Câmara, o Procon informou que mantém processos administrativos contra a concessionária, com multas que já somam mais de R$ 1,5 milhão.