A Polícia Civil divulgou um balanço das ações realizadas em 2022 em Santa Maria. A reportagem teve acesso aos dados que mostram os números de apreensões de drogas. Em um comparativo com 2021, nota-se que o total de apreensões de maconha caiu quase pela metade. No entanto, as apreensões de crack e cocaína praticamente duplicaram. Já as drogas sintéticas, como ecstasy e LSD, tiveram um aumento ainda maior. Saiba quais os fatores colaboraram para essas apreensões.
Os dados mostram a redução de 35% na apreensão de maconha em 2022. Enquanto em 2021 foram apreendidos 104 quilos, no ano passado, foram 67,4 kg na cidade. Já as apreensões de cocaína passaram de 7,2 kg para 13,2 kg, somando seis quilos a mais – alta de 83%. De crack, foram apreendidos pouco mais de três quilos a mais – passou de 4,3 kg para 7,4 kg – aumento de 72%.
As apreensões de drogas sintéticas tiveram um aumento ainda maior. Só de ecstasy, foram 170% mais. Em 2021, foram apreendidos 134 comprimidos – no ano passado, foram 362 porções da droga. Já de LSD, não houve apreensão em 2021 e, em 2022, foram 91 porções recolhidas.
A Polícia Civil credita as apreensões à quantidade de operações realizadas durante o ano e, também, ao trabalho de investigação na apuração de suspeitos e envolvidos com o tráfico de drogas. Para o delegado regional Sandro Meinerz, não houve a redução da circulação de drogas na cidade, mas sim uma mudança nas quantidades das apreensões.
– O que estamos visualizando, no cenário das drogas, é que reduziu a apreensão de maconha. Não acredito que tenha reduzido a circulação dessas drogas, houve apenas uma redução nas apreensões da Polícia Civil em relação à maconha. Houve um aumento expressivo e significativo das apreensões referentes ao crack e à cocaína, que são drogas mais pesadas, com maior nocividade, com maior efeito no organismo dos consumidores. São drogas também com valor agregado muito grande – diz Meinerz.
Avaliação
O delegado afirma que os números já foram maiores em outros anos e que o trabalho de investigação tem que ser cada vez melhor, pois os criminosos mudam a maneira de agir. Meinerz diz ainda que existe um mercado consumidor muito grande na cidade, e que isso fortalece a criminalidade.
– A melhoria desses números é fruto do trabalho de investigação. Nós já tivemos, no passado, anos com números muito superiores por parte somente da Polícia Civil, mas os criminosos se especializam, criam estratégias para dificultar o trabalho da polícia e o número de apreensões. O que a gente consegue ver é que, sim, existe um público consumidor muito grande em Santa Maria, uma circulação de drogas muito grande na cidade pela posição geográfica. Santa Maria é usada para distribuir drogas para várias cidades da região. A sociedade santa-mariense consome muito e acaba alimentando esse mercado do tráfico, acaba fortalecendo economicamente as facções criminosas que estão por trás do tráfico de drogas. Naturalmente, quanto mais consumidores tivermos, mais circulação de drogas vamos ter e, obviamente, isso tende a refletir nas apreensões.
Campanhas
O delegado aponta que uma alternativa para a redução do consumo de drogas, e consequentemente para a diminuição da circulação, é o investimento em campanhas de prevenção.
– Há uma questão que devemos pensar nas campanhas de prevenção ao uso de drogas, campanhas de esclarecimentos visando afastar principalmente crianças, adolescentes, jovens do consumo dessas drogas que são altamente nocivas à saúde das pessoas. Obviamente que isso vai redundar na redução do consumo, e reduzindo o consumo, vai reduzir o tráfico, porque só existe a oferta, porque existe grande procura. Campanhas de prevenção serão muito mais úteis para que nós possamos evitar o contato dos jovens com as drogas, porque depois que as pessoas se tornam dependentes, muitas vezes elas se embrenham com o crime, trabalham para traficantes. É todo um processo, uma rede que se estabelece e que cria sérios problemas para a coletividade – explica Meinerz.
Já o delegado André Diefenbach, que assumiu a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) no segundo semestre de 2022, afirma que as apreensões de drogas na cidade variam e que não se pode comparar as apreensões com o consumo.
– A apreensão de drogas é variável porque as investigações são dinâmicas e variáveis relativamente a quem está armazenando drogas ou a quem está traficando. A Draco trabalha com denúncias, além de informações das próprias investigações e vai apurando os fatos. Ora se apreende um tipo de droga, ora de outro. Eu acho que esses dados não são suficientes para se dizer que está se vendendo mais ou está se consumindo mais droga de um tipo ou de outro. Por exemplo, há dias atrás, a Draco apreendeu em um dia 12 quilos, no outro mais um quilo de droga tipo skunk. Então, é muito dinâmico e muito variável especificar – diz Diefenbach.