"Levo esse exemplo para a minha vida", diz Juliano Cazarré ao conhecer trajetória de João Luiz Pozzobon para série documental

Foto: Marina Brignol (Diário)

O segundo dia de gravações em Santa Maria da série documental "Brasil de Todos os Santos" levou o ator Juliano Cazarré e a equipe da produtora Lumine a alguns dos locais mais emblemáticos da trajetória do venerável diácono João Luiz Pozzobon

Nesta terça-feira (16), as filmagens passaram pela Basílica da Medianeira e pela Capela Branca, uma das três capelas construídas por Pozzobon no município. A produção busca apresentar a história do santa-mariense a um público nacional por meio de um episódio dedicado ao legado comunitário e de fé deixado pelo fundador da Campanha da Mãe Peregrina.

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Em meio às gravações, Cazarré afirmou que um dos aspectos que mais o impressionaram na trajetória do venerável foi a capacidade de conciliar a intensa vida missionária com a dedicação à família. Segundo o ator, o exemplo do diácono permanece atual justamente por mostrar que o trabalho pela fé e a vida familiar podem caminhar juntos.

Na Capela Branca, a manhã de frio intenso foi amenizada pelo chimarrão compartilhado entre moradores da comunidade e integrantes da equipe. Voluntários que ajudam a cuidar do local também prepararam café para receber os visitantes. A simplicidade da pequena construção de madeira, preservada pela comunidade há décadas, chamou a atenção da produção e serviu de cenário para parte das gravações.

Natural de Pelotas, Cazarré afirmou que a visita ao município permitiu conhecer de forma mais profunda a história do homem que ajudou a difundir a Campanha da Mãe Peregrina pelo mundo.

– Estou muito feliz de poder visitar o Estado em que eu nasci, principalmente o interior. Estamos aqui em Santa Maria para conhecer a história e a vida do João Luiz Pozzobon, que agora já foi declarado venerável e, se Deus quiser, muito em breve, beato. Acho que vai ser uma alegria para o povo aqui de Santa Maria e para todo o povo gaúcho – afirmou.

O ator conta que já conhecia a trajetória do diácono por frequentar o Santuário de Schoenstatt, no Rio de Janeiro, mas que a passagem por Santa Maria revelou aspectos da vida de Pozzobon que ainda desconhecia.

– Eu sabia desse homem que levava a imagem da Mãe Peregrina, mas não conhecia os detalhes da história dele, de como viveu as virtudes em grau extraordinário, todo o esforço que fazia, o amor que tinha por Maria e por Jesus e também essa preocupação social que tinha com todo mundo da região. Ele sempre estava ajudando, levando cesta básica, visitando famílias, rezando o terço e até visitando presídios – contou.


O exemplo que mais marcou o ator

Entre as descobertas feitas durante as gravações, uma chamou especialmente a atenção de Juliano Cazarré: a capacidade de Pozzobon de conciliar a intensa missão evangelizadora com a vida familiar.

Ao longo da vida, o diácono percorreu mais de 140 mil quilômetros carregando a imagem da Mãe Peregrina e visitando comunidades em diferentes regiões. Mesmo assim, segundo o ator, jamais deixou a família em segundo plano.

O que me chama a atenção é a quantidade de coisas que uma pessoa consegue fazer quando pede o auxílio da graça. Caminhando como caminhou, mais de 140 mil quilômetros ao longo da vida dele, nunca abandonou a família – disse impressionado.

A reflexão ganhou ainda mais significado ao conhecer uma frase atribuída a Pozzobon.

– Tem uma frase dele que ficou muito marcada para mim. Ele dizia: "Eu posso mover o mundo inteiro, mas se eu esquecer da minha família, não fiz nada". Levo esse exemplo para a minha vida. Era um homem que tinha uma profunda vida espiritual, muita caridade com o próximo e um amor inegociável pela família – revelou.

Para o padre Vitor Hugo Possetti, vice-postulador da causa de beatificação, essa é justamente uma das características que tornam a trajetória de Pozzobon singular.

– Eles estão querendo levar o João como testemunho de um homem que, a partir da fé, viveu o amor, o carinho ao próximo e ajudou na vida espiritual de muitas pessoas. Mais pessoas ainda vão poder conhecer a vida do João e, mais do que conhecer, se sentirem inspiradas e transformadas a partir do exemplo dele – ressaltou.


Pelos caminhos percorridos por Pozzobon

Foto: Amanda Teixeira (Divulgação)

As gravações em Santa Maria começaram ainda na segunda-feira (15). O primeiro compromisso da equipe foi na Casa Museu João Luiz Pozzobon, onde Cazarré conversou com Humberto Pozzobon, um dos filhos do diácono. As demais irmãs não puderam participar devido a problemas de saúde.

Ao longo do dia, o grupo também visitou a Capela Nossa Senhora das Graças, onde está localizado o túmulo de Pozzobon, além do Santuário de Schoenstatt e do Centro Mariano, onde foram registradas imagens da peregrina original utilizada pelo diácono durante sua missão.

Já nesta terça, o roteiro passou pela Basílica da Medianeira. No local, a produção buscou aprofundar aspectos da relação de Pozzobon com a Igreja Católica e com os bispos da época. Em seguida, a equipe seguiu para a Capela Branca, onde entrevistou moradores e voluntários que ajudam a preservar a memória do diácono.

– Eles estão tendo a oportunidade de conhecer pessoas que conviveram com o João, que tiveram experiência direta com ele. Está ficando um registro muito importante, histórico, sobre a vida do João, caminhando pelas ruas onde ele caminhou e ouvindo pessoas que estiveram próximas dele – destacou o padre Vitor.

Segundo Juliana Lovato, integrante da Equipe Pastoral João Luiz Pozzobon, a produção já demonstrava interesse em contar a história do santa-mariense antes mesmo dos primeiros contatos para organizar as gravações.

– Eles já visualizavam fazer um dos episódios sobre o seu João. Quando entramos em contato, eles disseram que já era uma vontade deles. A partir daí ajudamos na organização das entrevistas, dos locais e no acompanhamento da equipe – detalhou.


A comunidade que mantém a memória viva

A passagem da equipe pela Capela Branca mobilizou moradores da comunidade. Enquanto câmeras e equipamentos eram posicionados, voluntários preparavam café para os visitantes e compartilhavam chimarrão para amenizar o frio rigoroso da manhã.

Entre eles estava Isonilda da Silva da Rosa, de 67 anos, uma das moradoras mais antigas da comunidade. Há mais de duas décadas vivendo nas proximidades da capela, ela integra o grupo responsável pelos cuidados cotidianos do espaço.

Cazarré e Isonilda durante gravação interna na Capela BrancaFoto: Marina Brignol (Diário)

Suas tarefas incluem trocar os panos do altar, cuidar das flores e auxiliar na manutenção do local. Um trabalho simples, mas que ajuda a preservar um dos espaços mais simbólicos da trajetória de Pozzobon. Sua neta e seu filho estavam no local acompanhando-a contar sobre as suas vivências com o venerável.

A própria capela chamou a atenção da equipe de gravação. Construída em madeira e sem grandes adornos, ela reflete a simplicidade frequentemente associada ao diácono. A impressão foi compartilhada por integrantes da produção e também ressaltada por quem acompanhava as filmagens.


Próximos passos

Após concluir as gravações em Santa Maria, a equipe seguiu para São João do Polêsine para registrar novos pontos ligados à trajetória de João Luiz Pozzobon. Somente depois o grupo partirá para a região das Missões, onde dará continuidade à série.

A expectativa é que “Brasil de Todos os Santos” seja lançada no próximo ano. Quando o episódio estiver pronto, Cazarré espera retornar à cidade:

– Eu gostaria muito que a gente fizesse uma sessão aqui, reunisse a população para assistir. Acho que seria um carinho que podemos ter com as pessoas que estão nos recebendo tão bem.

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