Foto: Arquivo pessoal
A prática do jiu-jítsu tem ganhado um novo significado em Santa Maria. Criada recentemente, a Associação de Lutas, Movimento e Artes (ALMA) desenvolve, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ações que buscam unir esporte, educação, pesquisa e inclusão social. A iniciativa promove seminários gratuitos abertos à comunidade e busca transformar a modalidade em uma ferramenta de desenvolvimento humano e produção científica.
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Em entrevista ao programa Direto da Redação, da TV Diário e Rádio CDN, o presidente da associação, Rodrigo Brunhauser Karsten, contou que a proposta tem como objetivo aproximar universidade e comunidade por meio do jiu-jitsu.
– Nós estamos vinculados à universidade para executar estudos científicos com o jiu-jítsu. Ao mesmo tempo, estamos fomentando a extensão universitária de uma forma gratuita, permitindo que as pessoas tenham acesso à modalidade dentro da UFSM. A ideia é que o esporte seja uma ferramenta para gerar conhecimento, promover integração e beneficiar a comunidade – afirma Rodrigo.
Além das atividades esportivas, a associação pretende desenvolver pesquisas relacionadas à metodologia de ensino, preparação física e aos impactos do jiu-jitsu na saúde e na qualidade de vida dos praticantes.
Seminários gratuitos que reúnem atletas e professores
Desde o mês de maio, a ALMA promove uma série de seminários gratuitos com professores e atletas de diferentes academias da cidade.
Entre os convidados que já participaram das atividades estão alguns dos principais nomes do jiu-jítsu da região. A programação contou com o professor Tiago Neves, da equipe Rilion Gracie, bicampeão do Abu Dhabi World Pro; Léo Morosetti, líder da Thork Jiu-Jitsu e um dos atletas mais bem ranqueados do Rio Grande do Sul; João Vítor Ritter, da Maido Jiu-Jitsu, campeão sul-americano e campeão peso e absoluto do Sul-Brasileiro; e Lucas Souza, o "Pulga", campeão europeu da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro e medalhista de bronze no Campeonato Mundial da entidade.
Segundo Rodrigo, uma das metas do projeto é aproximar equipes que historicamente atuavam de forma mais isolada.
– Antigamente existia muito aquela ideia de que quem era de uma academia não visitava outra. Ainda existe um pouco disso, então nós começamos a convidar professores mais antigos da cidade e atletas para compartilhar conhecimento. O objetivo é unir o jiu-jitsu de Santa Maria, criar um ambiente de aprendizado e mostrar que todos podem crescer juntos. Neste momento, estamos divulgando o trabalho das academias da cidade e criando oportunidades para que as pessoas conheçam a modalidade – destaca o presidente.
Uma história de superação que ajudou a criar o projeto
Entre os idealizadores da iniciativa está Daniela Machado, fisioterapeuta, faixa-preta de jiu-jitsu e estudante de Educação Física da UFSM. Durante a entrevista, ela conta que a sua trajetória pessoal também teve influência na criação da associação.
Daniela convive com uma doença degenerativa e progressiva que compromete a visão. Após deixar a atuação profissional na fisioterapia e dedicar-se à maternidade, enfrentou um período difícil, marcado por sintomas depressivos. Foi nesse contexto que ela conheceu o esporte.
– O jiu-jitsu foi uma salvação para mim. Tenho uma relação muito íntima com essa arte marcial porque ela transformou a minha vida. Conforme fui treinando e evoluindo, comecei a pensar que talvez existissem outras pessoas vivendo situações parecidas e que também poderiam ser ajudadas por meio do esporte – relata Daniela.
A experiência pessoal despertou o desejo de levar os benefícios da modalidade para outras pessoas e de produzir conhecimento científico sobre o tema.
– Eu via tudo o que o jiu-jitsu proporcionava na minha vida e pensava que deveria existir uma forma de estudar isso. Eu queria mostrar para as pessoas que aquilo que a gente observa na prática realmente acontece e pode ser comprovado. Foi aí que surgiu a vontade de entrar na universidade e pesquisar o esporte – conta a atleta.

Pesquisa científica é uma das prioridades
O interesse pelos estudos levou Daniela a buscar uma vaga na UFSM. Para isso, precisou adaptar toda a preparação para os processos seletivos devido à deficiência visual.
– Fiz toda uma preparação adaptada, com material em áudio e apoio de ledores (profissional que lê textos, provas e documentos em voz alta para outra pessoa) para realizar as provas. Estudei bastante, consegui ingressar na UFSM e foi a partir daí que começamos a transformar essa ideia em um projeto maior – afirma a fisioterapeuta.
A associação está vinculada ao Grupo de Excelência em Lutas (GEL) do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da UFSM, coordenado pelo professor Thiago Pimenta. A parceria permite o desenvolvimento de estudos voltados ao desempenho esportivo e aos efeitos da prática do jiu-jítsu.
Atualmente, diversos atletas já participam de avaliações físicas e recebem acompanhamento em áreas como preparação física, fisioterapia e nutrição. Os dados coletados devem contribuir para futuras publicações científicas.
Para viabilizar a ampliação dos estudos, a associação busca captar recursos destinados à aquisição de quimonos e à melhoria da estrutura de tatames utilizada nas atividades.
– Eu sempre digo aos meus alunos que não basta afirmar que o jiu-jítsu melhora a vida das pessoas. Nós precisamos comprovar isso. Estar dentro da universidade nos permite coletar dados, realizar pesquisas e produzir conhecimento científico. É uma oportunidade de mostrar, com evidências, os impactos que a modalidade pode gerar na saúde, na qualidade de vida e até mesmo no desenvolvimento pessoal dos praticantes – destaca Daniela.
Quais são os próximos passos?
A programação da ALMA prevê a continuidade dos seminários ao longo do semestre e novas ações voltadas à comunidade. Entre os projetos em estudo estão a abertura de turmas gratuitas na universidade e a realização de capacitações em primeiros socorros para professores e instrutores.
– A ideia é oferecer um trabalho cada vez mais qualificado, tanto para quem pratica quanto para quem ensina. Quando todos conseguem trabalhar juntos, compartilhar conhecimento e desenvolver ações em benefício da comunidade, o resultado é muito maior para todos – finaliza Rodrigo.
Para saber mais sobre tudo o que envolve o projeto, acesse o Instagram: @almaprojetojiujitsu