Projeto em parceria com a UFSM utiliza jiu-jitsu para promover inclusão, pesquisa e integração em Santa Maria

Maria Eduarda Silva

Projeto em parceria com a UFSM utiliza jiu-jitsu para promover inclusão, pesquisa e integração em Santa Maria

Foto: Arquivo pessoal

A prática do jiu-jítsu tem ganhado um novo significado em Santa Maria. Criada recentemente, a Associação de Lutas, Movimento e Artes (ALMA) desenvolve, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ações que buscam unir esporte, educação, pesquisa e inclusão social. A iniciativa promove seminários gratuitos abertos à comunidade e busca transformar a modalidade em uma ferramenta de desenvolvimento humano e produção científica.

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Em entrevista ao programa Direto da Redação, da TV Diário e Rádio CDN, o presidente da associação, Rodrigo Brunhauser Karsten, contou que a proposta tem como objetivo aproximar universidade e comunidade por meio do jiu-jitsu.

– Nós estamos vinculados à universidade para executar estudos científicos com o jiu-jítsu. Ao mesmo tempo, estamos fomentando a extensão universitária de uma forma gratuita, permitindo que as pessoas tenham acesso à modalidade dentro da UFSM. A ideia é que o esporte seja uma ferramenta para gerar conhecimento, promover integração e beneficiar a comunidade – afirma Rodrigo.

Além das atividades esportivas, a associação pretende desenvolver pesquisas relacionadas à metodologia de ensino, preparação física e aos impactos do jiu-jitsu na saúde e na qualidade de vida dos praticantes.


Seminários gratuitos que reúnem atletas e professores

Desde o mês de maio, a ALMA promove uma série de seminários gratuitos com professores e atletas de diferentes academias da cidade. 

Entre os convidados que já participaram das atividades estão alguns dos principais nomes do jiu-jítsu da região. A programação contou com o professor Tiago Neves, da equipe Rilion Gracie, bicampeão do Abu Dhabi World Pro; Léo Morosetti, líder da Thork Jiu-Jitsu e um dos atletas mais bem ranqueados do Rio Grande do Sul; João Vítor Ritter, da Maido Jiu-Jitsu, campeão sul-americano e campeão peso e absoluto do Sul-Brasileiro; e Lucas Souza, o "Pulga", campeão europeu da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro e medalhista de bronze no Campeonato Mundial da entidade. 

Segundo Rodrigo, uma das metas do projeto é aproximar equipes que historicamente atuavam de forma mais isolada.

Antigamente existia muito aquela ideia de que quem era de uma academia não visitava outra. Ainda existe um pouco disso, então nós começamos a convidar professores mais antigos da cidade e atletas para compartilhar conhecimento. O objetivo é unir o jiu-jitsu de Santa Maria, criar um ambiente de aprendizado e mostrar que todos podem crescer juntos. Neste momento, estamos divulgando o trabalho das academias da cidade e criando oportunidades para que as pessoas conheçam a modalidade – destaca o presidente.

Foto: Arquivo pessoal

Uma história de superação que ajudou a criar o projeto

Entre os idealizadores da iniciativa está Daniela Machado, fisioterapeuta, faixa-preta de jiu-jitsu e estudante de Educação Física da UFSM. Durante a entrevista, ela conta que a sua trajetória pessoal também teve influência na criação da associação.

Daniela convive com uma doença degenerativa e progressiva que compromete a visão. Após deixar a atuação profissional na fisioterapia e dedicar-se à maternidade, enfrentou um período difícil, marcado por sintomas depressivos. Foi nesse contexto que ela conheceu o esporte.

– O jiu-jitsu foi uma salvação para mim. Tenho uma relação muito íntima com essa arte marcial porque ela transformou a minha vida. Conforme fui treinando e evoluindo, comecei a pensar que talvez existissem outras pessoas vivendo situações parecidas e que também poderiam ser ajudadas por meio do esporte – relata Daniela.

A experiência pessoal despertou o desejo de levar os benefícios da modalidade para outras pessoas e de produzir conhecimento científico sobre o tema.

– Eu via tudo o que o jiu-jitsu proporcionava na minha vida e pensava que deveria existir uma forma de estudar isso. Eu queria mostrar para as pessoas que aquilo que a gente observa na prática realmente acontece e pode ser comprovado. Foi aí que surgiu a vontade de entrar na universidade e pesquisar o esporte – conta a atleta.

Rodrigo Karsten e Daniela Machado no programa Direto da Redação Foto: Direto da Redação

Pesquisa científica é uma das prioridades 

O interesse pelos estudos levou Daniela a buscar uma vaga na UFSM. Para isso, precisou adaptar toda a preparação para os processos seletivos devido à deficiência visual.

– Fiz toda uma preparação adaptada, com material em áudio e apoio de ledores (profissional que lê textos, provas e documentos em voz alta para outra pessoa) para realizar as provas. Estudei bastante, consegui ingressar na UFSM e foi a partir daí que começamos a transformar essa ideia em um projeto maior – afirma a fisioterapeuta.

A associação está vinculada ao Grupo de Excelência em Lutas (GEL) do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da UFSM, coordenado pelo professor Thiago Pimenta. A parceria permite o desenvolvimento de estudos voltados ao desempenho esportivo e aos efeitos da prática do jiu-jítsu.

Atualmente, diversos atletas já participam de avaliações físicas e recebem acompanhamento em áreas como preparação física, fisioterapia e nutrição. Os dados coletados devem contribuir para futuras publicações científicas.

Para viabilizar a ampliação dos estudos, a associação busca captar recursos destinados à aquisição de quimonos e à melhoria da estrutura de tatames utilizada nas atividades.

– Eu sempre digo aos meus alunos que não basta afirmar que o jiu-jítsu melhora a vida das pessoas. Nós precisamos comprovar isso. Estar dentro da universidade nos permite coletar dados, realizar pesquisas e produzir conhecimento científico. É uma oportunidade de mostrar, com evidências, os impactos que a modalidade pode gerar na saúde, na qualidade de vida e até mesmo no desenvolvimento pessoal dos praticantes – destaca Daniela.

Quais são os próximos passos?

A programação da ALMA prevê a continuidade dos seminários ao longo do semestre e novas ações voltadas à comunidade. Entre os projetos em estudo estão a abertura de turmas gratuitas na universidade e a realização de capacitações em primeiros socorros para professores e instrutores.

– A ideia é oferecer um trabalho cada vez mais qualificado, tanto para quem pratica quanto para quem ensina. Quando todos conseguem trabalhar juntos, compartilhar conhecimento e desenvolver ações em benefício da comunidade, o resultado é muito maior para todos – finaliza Rodrigo.

Para saber mais sobre tudo o que envolve o projeto, acesse o Instagram: @almaprojetojiujitsu

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