Foto: Arthur Camponogara

A decisão da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina, neste domingo (19), em Nova York, ultrapassa as fronteiras dos dois países e mobiliza torcedores em diferentes partes do mundo. Em Santa Maria, histórias de argentinos, brasileiros e espanhóis mostram como a final do Mundial também será vivida intensamente longe dos estádios.
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Na cidade, a expectativa pela partida passa pela proximidade com a Argentina. Na Espanha, santa-marienses acompanham de perto o clima nas ruas às vésperas da decisão.
Por aqui, a torcida é argentina
Na Carnicería San Baldomero, em Santa Maria, a final terá um significado especial para os sócios-proprietários João Guedes, 39 anos, santa-mariense, e Maria Eugenia Molina, 42 anos, argentina da província de Córdoba.
O casal se conheceu há 11 anos, enquanto trabalhava em um restaurante em Florianópolis. Maria havia chegado ao Brasil como turista e acabou permanecendo no país após conhecer João. Em 2019, os dois se mudaram para Santa Maria e passaram a trabalhar na Carnicería. Cerca de três anos depois, tornaram-se sócios do empreendimento.
Apaixonada pela seleção argentina, Maria garante que a confiança no tetracampeonato permanece intacta.
– A Argentina é um sentimento para nós. Gostamos de sofrer, mas sempre dá certo. Temos toda a confiança de que vamos ganhar essa Copa – afirmou a argentina.
A relação com a seleção ultrapassa o futebol. Segundo ela, a paixão pelo país é construída desde a infância.
– A gente nasce com essa paixão. Aprende em casa, aprende na escola. Desde criança, já colocam a camisa, ensinam a cantar o hino nacional. Isso vai crescendo cada vez mais – disse.
Segundo João, que declarou que torcerá pelo país da esposa, o envolvimento dos argentinos impressiona.
– A Maria nem acompanha futebol durante o ano, mas, quando envolve a seleção, ela chora, grita. Na Argentina, é um evento à parte. O sentimento é diferente – disse o santa-mariense.
Maria esteve no Maracanã para acompanhar a Argentina na final da Copa do Mundo de 2014, vencida pela Alemanha. Em 2022, comemorou o título mundial argentino já morando em Santa Maria.
Mesmo longe da família, que permanece em Córdoba, a comerciante mantém contato constante.
– Minha família me liga por vídeo na hora da festa nas praças. Nessas horas bate a saudade, mas também a alegria – contou, emocionada.
Na Carnicería, o clima da final também virou tema entre os clientes, que brincam com descontos e churrascos caso a Argentina conquiste o título. E Maria já fez até uma promessa.
– Eu não gosto de tatuagem, mas, se a Argentina ganhar, vou tatuar a taça no braço – revelou.
Nos palpites, Maria aposta em uma vitória argentina por 2 a 0, enquanto João acredita em um triunfo por2 a 1.
Na Espanha, a torcida de um pequeno
A milhares de quilômetros de Santa Maria, a expectativa pela final também movimenta a família da santa-mariense Renata Silveira de Grandi, 41 anos, que vive em Valência ao lado do marido, André Rotta Sebben, 40, e do filho Arthur, de apenas quatro. Nascido na Irlanda, o menino mora com os pais na Espanha desde cedo.
Segundo Renata, desde o início da Copa do Mundo o filho decidiu que torceria pela seleção espanhola, mesmo durante os jogos do Brasil.
– Nos dias dos jogos do Brasil, nós vestíamos a camisa da seleção brasileira e ele, sem pensar duas vezes, vestia a camiseta da Espanha – conta Renata.
Arthur é admirador do meia Pedri, camisa 20 da seleção espanhola, e também gosta de acompanhar o irmão de Lamine Yamal, que virou uma espécie de mascote da equipe espanhola.
– Como mãe brasileira, criada acompanhando a minha mãe na Baixada Melancólica, torcendo pelo nosso Inter-SM, entendo a relação dele com o país e me sinto orgulhosa de ter passado esse sentimento de amor pelo futebol – afirma Renata.
Ela relata que a população espanhola vive um clima de confiança antes da decisão. Segundo a santa-mariense, as ruas de Valência ficaram lotadas após a semifinal, com telões espalhados pelas principais praças da cidade. A presença da numerosa comunidade argentina na Espanha também aumenta a expectativa para a decisão.
– O clima é um misto de rivalidade e confiança. Acredito que será uma grande partida, com bola no chão, jogo rápido e muita rivalidade em campo – projeta.

Santa-mariense relata frustração inglesa com derrota na semifinal
Enquanto Espanha e Argentina se preparam para a final, em Londres ainda predomina a decepção pela eliminação inglesa.
Quem acompanhou de perto esse cenário foi o jornalista Julio Mota, morador da capital britânica. Segundo ele, o sentimento dominante entre torcedores e imprensa é o de uma oportunidade perdida.
– A sensação hoje é de enorme frustração. O consenso é que a Inglaterra permitiu que a Argentina crescesse até conseguir a virada – relata.
Apesar da eliminação, o tom predominante é de tristeza, e não de revolta. A Inglaterra não é campeã mundial desde 1966, quando sediou o torneio.
– Nos pubs onde assisti ao jogo, o silêncio depois do segundo gol da Argentina dizia mais do que qualquer protesto. É aquela sensação já conhecida pelos ingleses de que o sonho escapou outra vez nos momentos decisivos – afirma.