Foto: Vinicius Becker (Diário)
Antes mesmo de o treino começar no ginásio do Sest Senat, Jean-Pierre Chagas Avila abre uma mochila e retira quatro cadernos. Nas páginas, dezenas de recortes de jornais e fotografias contam a trajetória da Associação Voleibol Futuro (AVF) desde a fundação, em 2008, até os dias atuais.
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Os registros não surgiram por acaso. Foi o pai do treinador, Sergio Edmundo Pedroso Avila, conhecido pelo hábito de organizar e guardar lembranças da família, quem começou a reunir tudo o que era publicado sobre o projeto. A tradição permaneceu ao longo dos anos e, hoje, ajuda a preservar a memória de uma associação que nasceu para recolocar Santa Maria no cenário do voleibol gaúcho.
Enquanto as atletas iniciam mais um treinamento, Jean-Pierre folheia as páginas e relembra como tudo começou.
A história da AVF começou um ano antes da fundação oficial. Em 2007, Jean-Pierre era professor do Colégio Centenário e comandava uma equipe infantil feminina que conquistou o Campeonato Estadual Escolar, derrotando uma equipe de Porto Alegre formada por atletas da Sogipa e do União.
– Pensamos: "Se conseguimos vencer uma equipe que tinha atletas dos principais clubes do Estado, também temos condições de fazer Santa Maria voltar ao cenário do voleibol". Foi aí que nasceu a ideia da associação – relembra.
Ao lado de dois amigos, ele criou a AVF em 2008. O projeto iniciou com uma equipe infantil feminina e, aos poucos, foi ampliando as atividades até se tornar referência da modalidade na cidade.
Formação dentro e fora das quadras

Hoje, a AVF atende cerca de 190 pessoas entre equipes de competição, projetos de iniciação e turmas de vôlei para adultos.
São aproximadamente 60 atletas nas categorias competitivas, outras 60 crianças nas escolinhas de formação e mais de 70 adultos que participam do projeto "AVFmais", voltado ao esporte como lazer.
Embora os resultados em quadra sejam importantes, Jean-Pierre garante que o principal objetivo nunca foi acumular títulos.
– Costumo dizer para os atletas e para os pais que a AVF forma não só para o vôlei, mas para a vida. Não dependemos de títulos para sobreviver. O que mantém o projeto são famílias que acreditam que o esporte ajuda a formar cidadãs preparadas para enfrentar os desafios da vida – explica.
Segundo ele, valores como disciplina, responsabilidade, respeito e trabalho em equipe são trabalhados diariamente durante os treinamentos.
– A vitória é consequência. O mais importante é aquilo que o esporte ensina fora da quadra – diz.
Uma paixão que começou cedo
Entre as atletas que treinavam na tarde da reportagem estavam Giovanna Parcianello, 13 anos, e Valentina Michelotti, 12.
As duas chegaram à AVF por caminhos diferentes, mas hoje dividem a mesma rotina de treinos e competições.
Giovanna começou jogando vôlei de areia aos oito anos. Depois de participar de uma seletiva da associação, passou a integrar a equipe.
– Minha mãe viu que eu estava jogando bem e resolveu me trazer. Depois disso minha vida só melhorou. Hoje eu amo jogar vôlei. É uma paixão para mim – conta.
Já Valentina conheceu o esporte por influência do tio, que também foi aluno de Jean-Pierre.
– Eu não fazia ideia do que era o vôlei. Vi meu tio jogando e pedi para minha mãe me colocar. Hoje minha vida se resume praticamente a estudar e jogar vôlei. Preciso equilibrar as duas coisas, mas não consigo mais imaginar minha rotina sem o esporte.
As duas atletas já disputam competições estaduais representando Santa Maria.
Projeto cresceu junto com a cidade
Ao longo dos últimos 18 anos, a associação expandiu suas atividades e consolidou seu nome no voleibol gaúcho.
Além das equipes de base, a AVF passou a promover festivais e eventos que trouxeram grandes nomes da modalidade para Santa Maria, como o técnico da Seleção Masculina Brasileira Bernardinho e a atleta Tiffany Abreu, madrinha do Festival internacional LGBTQIAPN+ de Santa Maria.
Jean-Pierre também construiu uma trajetória pessoal que ajudou a dar visibilidade ao projeto. Em 2010, tornou-se o primeiro e único santa-mariense contratado para trabalhar na Superliga Nacional de Voleibol, integrando a comissão técnica da Sogipa, de Porto Alegre.
Segundo ele, toda essa caminhada fortaleceu a credibilidade da associação.
– Hoje a AVF virou uma referência em Santa Maria porque as pessoas conhecem o trabalho. É um projeto construído com planejamento, profissionais qualificados e muita dedicação desde 2008.
Seletiva da AVF abre vagas para novas atletas

A Associação Voleibol Futuro (AVF) realiza, no próximo sábado, dia 8 de agosto, a segunda seletiva de atletas de 2026. A avaliação é destinada a meninas interessadas em ingressar nas equipes de competição ou nos projetos de iniciação da associação.
- Data: 8 de agosto (sábado)
- Horário: a partir das 9h
- Local: ginásio do Sest Senat (Rua Cidade de Treinta y Três, 59 - Nossa Sra. de Lourdes)
- Público-alvo: meninas nascidas entre 2012 e 2016
- Não é necessário ter experiência no voleibol
- Usar roupas adequadas para atividade física e levar água para hidratação
- Levar documento de identificação
- E se eu não for selecionada? As participantes que não forem aprovadas para as equipes de competição poderão ingressar nas turmas de iniciação da AVF
- Inscrições: pelo formulário on-line no link da bio do projeto no instagram
Segundo o coordenador Jean-Pierre Chagas Ávila, muitas atletas que hoje integram as equipes da AVF iniciaram a trajetória justamente nas escolinhas de formação.
– Muitas atletas que hoje defendem nossas equipes começaram justamente nos projetos de formação. A seletiva é uma porta de entrada, mas quem ainda não estiver pronta continua treinando e evoluindo conosco.
AVF fará estreia inédita no Campeonato Estadual Adulto Masculino
Além do trabalho de formação, 2026 marcará um capítulo inédito na história da associação.
Pela primeira vez, a AVF disputará o Campeonato Estadual Adulto Masculino, representando Santa Maria com uma equipe formada por atletas oriundos da cidade e com passagens pelas seleções brasileiras de base.
A estreia está marcada para 30 de agosto, em Santa Maria.
A ideia surgiu após Jean-Pierre acompanhar a edição do Estadual do ano passado e perceber que havia condições de montar uma equipe competitiva utilizando talentos locais.
– Vi o nível da competição e pensei que a AVF poderia representar muito bem Santa Maria. Conseguimos reunir atletas da cidade que fizeram uma trajetória importante no voleibol e acreditamos que será um momento histórico para o esporte santa-mariense.