Foto: Vinicius Becker

A súmula oficial do árbitro Elias da Silva Elyseu sobre a partida entre Inter-SM e Avenida, disputada na noite de quinta-feira (5), no Estádio Presidente Vargas, em Santa Maria, registra três ocorrências atípicas: paralisação por uso de gás de pimenta, queda de energia com atraso de mais de 30 minutos no reinício do segundo tempo e confusão generalizada após o apito final.
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O jogo, válido pela estreia do quadrangular do rebaixamento do Gauchão, terminou empatado em 1 a 1.
Paralisações
Conforme o documento, aos 40 minutos do primeiro tempo o árbitro interrompeu a partida por cinco minutos após ação da Brigada Militar na torcida do Inter-SM:
"Aos 40 minutos do primeiro tempo paralisei a partida devido o uso de gás de pimenta usado pela Brigada Militar na torcida do Inter-SM, onde o gás adentrou ao campo de jogo atingindo atletas e a equipe de arbitragem. Após 5 minutos de paralisação o jogo reinicia normalmente", descreveu o árbitro.
Ainda segundo a súmula, no intervalo houve falha no sistema de energia do estádio, com desligamento dos geradores e impacto na iluminação. O reinício do segundo tempo atrasou cerca de 30 minutos.
"Durante o intervalo os geradores desligam afetando parte da iluminação do estádio, onde os atletas e arbitragem retornam para o campo após o prazo do intervalo e o jogo fica paralisado por cerca de 30 minutos. Após este prazo, os refletores acenderam e o jogo reinicia normalmente", registrou o árbitro.
Sobre o problema de iluminação, o presidente do Inter-SM já havia informado que a queda de energia foi causada pela queima de um transformador. Um gerador reserva precisou ser acionado para viabilizar a continuidade da partida, e o equipamento deve passar por revisão e substituição ainda nesta sexta-feira (6).
Confusão ao final da partida
Depois da partida, a súmula aponta ofensas de um integrante do staff do Avenida à equipe de arbitragem no meio de campo. O nome citado é João Pedro Forte Viegas, que acabou expulso.
Na sequência, o documento relata a entrada de dirigentes e integrantes de comissões técnicas no gramado e o início de um tumulto. Segundo o árbitro, com base também em imagens do VAR, o jogador Índio Ramírez, camisa 10 do Avenida, discutiu com uma mulher com camiseta do Inter-SM. O presidente do clube santa-mariense, Pedro Della Pasqua, teria se aproximado e empurrado o atleta.
"Foi observado pela equipe de arbitragem juntamente com o VAR que o atleta da equipe do Avenida, Sr. Juan Pablo Ramirez Velasquez, de número 10 se dirige à uma mulher não identificada, porém com a camiseta do Internacional SM e discute com ela, logo em sequência vendo essa discussão o presidente do Internacional SM, Sr. Pedro Della Pasqua, vai ao encontro à este atleta e o empurra com ambas as mãos o peito do referido atleta", descreveu a súmula.
A súmula aponta que o tumulto foi apartado por jogadores e membros das comissões técnicas das duas equipes. Nenhum jogador foi expulso na confusão.
Após o jogo, Della Pasqua afirmou que foi agredido na confusão e que pretende registrar ocorrência.
— Não sei o número do atleta, mas eu passei pelo treinador Gabriel (Dutra), que falou para mim: “fomos roubados”. Eu falei: “Não, não, não”. Nesse momento todo time dele se voltou contra mim e aqui eu não vou aceitar para ninguém mesmo, atiraram uma água na minha cara e veio o time defender. O Inter-SM não vai se acadelar dentro de casa, nem fora. Eu fui agredido, vou fazer um boletim de ocorrência, e depois a gente vê quais consequências disso — declarou.
Confira a íntegra da súmula:
"Aos 40 minutos do primeiro tempo paralisei a partida devido o uso de gás de pimenta usado pela brigada militar na torcida do Internacional- SM, onde o gás adentrou ao campo de jogo atingindo atletas e a equipe de arbitragem. Após 5 minutos de paralisação o jogo reinicia normalmente.
Durante o intervalo os geradores desligam afetando parte da iluminação do estádio, onde os atletas e arbitragem retornam para o campo após o prazo do intervalo e o jogo fica paralisado por cerca de 30 minutos. Após este prazo, os refletores acenderam e o jogo reinicia normalmente.
Após o final da partida, onde a equipe de arbitragem estava localizada (meio de campo), um integrante do staff da equipe do Avenida, Sr. João Pedro Forte Viegas, que se encontrava fora do campo de jogo e da casamata, se dirige a nós e profere as seguintes palavras ?tu conseguiu estragar o jogo (com o dedo em riste ao árbitro)?, ?tá de parabéns (irônico)?, onde o mesmo foi expulso. No momento da expulsão a equipe de arbitragem não conseguiu identificar se o mesmo fazia parte da comissão ou staff do Avenida, só sendo identificado após e dentro do vestiário.
Logo após o ocorrido acima, a equipe de arbitragem estava se dirigindo ao seu vestiário, quando o portão lateral foi aberto e dirigentes e staff de ambas equipes adentraram ao campo de jogo. Logo após uma confusão generalizada se inicia. Foi observado pela equipe de arbitragem juntamente com o VAR que o atleta da equipe do Avenida, Sr. Juan Pablo Ramirez Velasquez, de número 10 se dirige à uma mulher não identificada, porém com a camiseta do Internacional SM e discute com ela, logo em sequência vendo essa discussão o presidente do Internacional SM, Sr. Pedro Della Pasqua, vai ao encontro à este atleta e o empurra com ambas as mãos o peito do referido atleta. Após este ocorrido integrantes da comissão e staff do Internacional SM separam e ameniza o ambiente. Dirigentes e comissão do Avenida também ajudam a amenizar o ambiente de confusão."