
Foto: Rafael Menezes
A notícia de que Leandro Boldrini confirmou sua inscrição e já iniciou as atividades em residência médica na área de trauma no Husm, na sexta, causou grande repercussão na cidade e no Estado. Em entrevista exclusiva ao colega Rafael Menezes, do Bei, Boldrini voltou a alegar inocência, negando participação na morte do filho Bernardo, pela qual ele foi condenado a 31 anos de prisão. E mais: afirmou que a residência médica no Husm, onde trabalhará 60 horas por semana, intercalando com as noites na cadeia, é um recomeço.
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Nas redes sociais, centenas de críticas ao fato de que a legislação brasileira permite que uma pessoa condenada por matar o próprio filho volte a trabalhar, e justamente num hospital, que tem a principal função de salvar vidas e curar pessoas.
É perfeitamente compreensível a reação das pessoas, que têm dificuldade de aceitar que ele possa ter direito a uma “segunda chance”, como prevê a lei. Afinal, por mais que já tenha pago boa parte da pena e tenha direito a liberdade para trabalhar, a condenação moral da sociedade segue e é impiedosa. Será que todos os pacientes e colegas aceitarão o contato direto com Boldrini, ao lembraram de sua condenação?
Do outro lado, a própria lei permite e prevê o direito à ressocialização, já que não existe pena de prisão perpétua no Brasil. Se não fosse agora, talvez daqui a alguns anos, Boldrini seria solto e buscaria a “segunda chance”.
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O caso de Boldrini e de outros tantos condenados por crimes como assassinato, em que o perdão dos parentes das vítimas e da sociedade é quase impossível, revela um dilema que nunca terá fim. Não há como os dois lados ficarem satisfeitos. É um conflito eterno e de difícil solução.