Foto: Mateus Ferreira
Com a onda de calor persistente em Santa Maria, as vendas de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado têm registrado crescimento expressivo, impulsionando o setor de eletrodomésticos local. Segundo informações coletadas no comércio, o início deste mês de fevereiro apresenta um aumento de 25% a 30% nas vendas em comparação ao início de janeiro, quando as temperaturas não estavam tão elevadas.
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William Borba Silva, 39 anos, gerente de uma loja comercial, destacou que as vendas iniciaram 2025 com dados positivos. Os consumidores têm optado também por uma combinação de aparelhos para enfrentar o calor.
- As vendas estão com bons números, basicamente todos os dias temos clientes na loja e sai mercadoria. E com uma peculiaridade: normalmente, as pessoas mesclam em casa o ar-condicionado com o ventilador, o que reflete diretamente nas vendas. Então, com esse aumento das taxas de energia, os clientes que desejam economizar acabam preferindo o ventilador - conta Silva.
O gerente destaca que, com o aumento de vendas, os dados também são positivos se comparados com o início do ano em 2024.
- Se a gente comparar o mesmo período deste ano com o do ano passado, as vendas de ventiladores tiveram um aumento de 50% - revela.
Esse movimento se deve, em parte, à necessidade de equilibrar conforto e economia, já que o uso intensivo do ar-condicionado aumenta consideravelmente a conta de luz. Outro fator também levado em consideração são os preços dos eletrodomésticos usados como forma de amenizar o calor.
Em uma pesquisa nos sites de algumas lojas do varejo de Santa Maria, ventilador e ar-condicionado estão entre os cinco itens mais pesquisados, e os preços variam muito. O ventilador pode ser encontrado com valor inicial de R$ 109, sendo este o mais barato. Já os preços mais elevados estão próximo de mil reais, com algumas marcas sendo vendidas a R$ 996. Outros estilos, como o ventilador de teto, são encontrados em algumas lojas com o preço variando entre R$ 1,2 mil a R$ 1,4 mil.
Já o ar-condicionado é encontrado para venda no valor de R$ 1,9 mil, entre os modelos mais baratos. Já os preços mais elevados estão entre R$ 9,1 mil e até R$ 13,4 mil, dependendo do modelo, da marca e da potência do condicionador de ar.

O impacto do calor no dia a dia
A população, no entanto, enfrenta dificuldades para lidar com as temperaturas extremas. A contadora Márcia Silva, 50 anos, conta sobre a estratégia em casa para enfrentar as altas temperaturas.
- Para enfrentar o calor de Santa Maria, só com um bom ar-condicionado, porque ninguém merece. É muito quente nesta cidade – afirma.
Na sexta-feira (7), Márcia estava no comércio do Centro realizando a compra de um ar-condicionado, mas relatou que fez muita pesquisa para encontrar o melhor produto e cujo preço coubesse no orçamento da família.
- Quando saí para comprar, pesquisei muito, pois hoje em dia a diferença é bem relevante e a gente precisa economizar, porque a conta de luz vai aumentar – relata.
Quem também estava no comércio em busca de um ar-condicionado era a dona de casa Madalena Quevedo Ribas, 56 anos. Ela pesquisou muito os preços e acabou não levando nada para casa na sexta-feira. Madalena relatou sobre a dificuldade de enfrentar o calor e ainda conseguir controlar a conta de luz no final do mês.
- Em casa está bem difícil, porque é muito quente e a gente precisa ligar o ventilador ou o ar-condicionado. Só que dá um horror de luz, pois está fazendo temperatura muito alta. E se a gente está em casa, não tem como ficar sem ligar um ventilador ou um ar-condicionado – diz.
O aposentado João Davi de Medeiros também ressalta sobre o impacto financeiro que o uso do ar-condicionado acaba causando no orçamento mensal.
- Para enfrentar esse calor em casa, só com o ar-condicionado ligado direto. Mas dai é aquilo, no fim do mês, a conta é três vezes maior do que se paga normalmente. É difícil se a gente pensar no custo, mas só desse jeito para aguentar – afirma.
Com o aumento das temperaturas, os consumidores em Santa Maria têm demonstrado adaptabilidade, mesclando tecnologias e estratégias para manter a qualidade de vida, mesmo diante de desafios financeiros e climáticos. Enquanto isso, o mercado segue atento a essa demanda, buscando oferecer soluções que aliam eficiência energética e conforto.
A região e o contexto nacional
A situação em Santa Maria reflete um cenário mais amplo. De acordo com dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), de 2019, 24% dos lares gaúchos possuíam aparelhos de ar-condicionado – um índice acima da média nacional, que era de 16,7%. Essa diferença ressalta o impacto do clima mais severo na região sul do país, onde a busca por soluções de climatização se torna não apenas uma questão de conforto, mas também de saúde.
Os dados, claro, podem ter sofrido alteração ao longo dos anos, tendo em vista que as altas temperaturas têm se repetido ano após ano.
Dicas para enfrentar o calor
Enquanto muitos aguardam que o termômetro comece a recuar, especialistas recomendam algumas medidas para amenizar os efeitos das altas temperaturas:
- Uso racional dos aparelhos: Alternar entre ar-condicionado e ventilador pode reduzir o consumo de energia sem sacrificar o conforto.
- Manutenção regular: Verificar filtros e realizar a manutenção preventiva dos aparelhos ajuda a manter a eficiência energética.
- Ventilação natural: Aproveitar as horas mais frescas do dia para ventilar os ambientes pode contribuir para a renovação do ar.
- Cuidado com a iluminação: Reduzir o uso de lâmpadas incandescentes e optar por alternativas mais eficientes também pode diminuir a geração de calor interno.