Com base em estatísticas recentes do Ministério do Trabalho e Emprego, aproximadamente 74,3% dos acidentes de trabalho são considerados típicos, de acordo com o Art. 19 da Lei 8.213/91 e 26,6% classificados como acidentes de trajeto. Conforme o docente do curso Técnico em Segurança do Trabalho do Senac Santa Maria, Rosito Borges, entre os acidentes típicos os mais frequentes são: quedas e escorregões, acidentes com partes rotativas de máquinas e equipamentos. “Além dos afastamentos ligados a doenças ocupacionais, em especial os relacionados aos fatores psicossociais associados ao trabalho e outros fatores ergonômicos, como LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho)”, afirma o especialista.
Os setores de construção civil e transporte rodoviário são os maiores responsáveis pelos acidentes graves e/ou fatais. “Entre os fatores responsáveis pela frequência desses acidentes podemos citar: natureza de risco das atividades econômicas predominantes; alta informalidade e precariedade nas condições de trabalho; subnotificações e falhas em registros e cumprimentos de procedimentos; e, principalmente, baixa cultura de segurança na prevenção e gestão do risco pelas empresas”, destaca Rosito.
Entre esses acidentes mais comuns, o docente considera que todos poderiam ser facilmente evitados com medidas simples de prevenção. “A prevenção é a antecipação de eventos adversos. Atitudes de prevenção como treinamentos, campanhas de conscientização, inspeções eficazes, e aderência a cultura de segurança são fatores eficientes na redução da ocorrência de sinistros”, enfatiza.
Treinamento adequado
De acordo com o especialista, a falta de treinamento adequado é um dos fatores mais decisivos para a ocorrência de acidentes de trabalho no Brasil — especialmente nos tipos mais recorrentes, como quedas, cortes, prensamentos, choques elétricos e acidentes com máquinas. Para Rosito, os trabalhadores não conseguem perceber riscos/perigos associados à sua atividade e o uso incorreto dos Equipamentos de Proteção Coletivas (EPC) e Equipamentos de Proteção Individual (EPI); a operação incorreta e insegura de máquinas e equipamentos; ausência de procedimentos e rotinas; e, falhas na comunicação evidenciam ainda mais a importância do treinamento correto.
Que tecnologias ou práticas de segurança modernas estão ajudando a reduzir esses acidentes e como as empresas podem implementá-las? O docente elencou uma série de dispositivos e sistemas que podem ser utilizados com essa finalidade, como por exemplo:
• Wearables (dispositivos vestíveis de segurança): Consiste em sensores usados no corpo (coletes, capacetes, cintos) que monitoram fadiga, vibração, proximidade de riscos, entre outros;
• Sistemas de monitoramento por vídeo com Inteligência Artificial (IA): Câmeras com IA podem detectar falta de EPI, acesso a áreas restritas, comportamento inseguros, por exemplo;
• Realidade virtual e realidade aumentada: São ferramentas muito utilizadas em treinamento de atividades de alto risco, como altura, espaços confinados e combate a incêndio;
• Checklists e inspeções digitais: Através de aplicativos que facilitam a ocorrência das verificações.
No entanto, Rosito alerta que, apesar de todos os dispositivos citados, nada substitui a cultura de segurança e o engajamento do trabalhador sobre o tema.
Maiores desafios
Para o docente, os principais desafios para uma cultura de prevenção efetiva no Brasil incluem crenças equivocadas sobre custo (ou seja, para muitos empresários a segurança é vista como um custo, não como investimento). “Acrescente a isso tolerância ao risco, falta de liderança engajada, comunicação precária, treinamentos ineficazes, pressão por produtividade, subnotificação e pouca integração entre áreas. Esses fatores mantêm comportamentos inseguros e impedem que a segurança se torne valor organizacional — e não apenas obrigação legal. Também se deve levar em conta o comportamento altamente reativo da população em geral. O comportamento reativo é o oposto do comportamento proativo: como o nome diz, o reativo reage, ou seja, não está preocupado com a prevenção. Apenas considera a segurança quando o evento adverso já aconteceu”, conclui Rosito.
Para interessados na área, o Senac Santa Maria está com inscrições abertas para o curso Técnico em Segurança do Trabalho. As aulas iniciam no dia 10 de março de 2026 e ocorrerão de segunda a sexta-feira, das 19h às 22h. Mais informações pelo telefone (55) 2018-1260 ou compareça na escola que fica localizada na Rua Professor Braga, 60 – Centro.