Foto: Divulgação
O mês de janeiro chegou ao fim, mas o combate e a conscientização sobre a hanseníase seguem. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ainda é responsável por cerca de 90% dos casos novos diagnosticados nas Américas, sendo o segundo país a diagnosticar mais casos no mundo.
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Isso porque é possível realizar desde o diagnóstico até o tratamento contra a hanseníase gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Santa Maria, o Setor de Tuberculose e Hanseníase da Policlínica José Erasmo Crossetti é referência no acolhimento de usuários com a doença.
O serviço multiprofissional conta com uma equipe composta por médico, enfermeira, técnica de enfermagem, farmacêutica, assistente social, nutricionista, auxiliar de laboratório e agente administrativo. Em entrevista ao Diário, o médico assistente do setor, Guilherme Weber, falou sobre a doença e a incidência em Santa Maria:
– A hanseníase é uma doença causada por uma bactéria chamada de Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. O resto do mundo ainda chama a doença de lepra. Porém, o Brasil, durante o século 20, proibiu o termo nos documentos oficiais do governo, como uma medida para tentar combater o preconceito. Nos últimos 5 anos, tivemos menos do que 15 casos de hanseníase no município. Atualmente temos três pessoas com idades entre 47 e 84 anos estão em tratamento conosco. Além disso, temos também outros três pacientes que já terminaram o tratamento, porém continuam em acompanhamento devido às reações que a doença causa.
Assistência
Além da oferta de consultas médicas e de enfermagem, o setor conta com laboratório para a realização de exames de baciloscopia de lóbulos de orelhas e cotovelos para hanseníase e uma farmácia de medicamentos. Segundo Weber, a estrutura é fundamental para garantir uma boa assistência aos usuários. Os fatores de risco e os sintomas da doença também foram comentados pelo médico:
– Os principais fatores de risco para desenvolver hanseníase é conviver com uma pessoa com a doença, principalmente morar com ela durante anos. Além disso, a parte genética influencia muito, portanto se você é familiar de sangue de uma pessoa com hanseníase, a chance de desenvolver a doença, caso entre em contato com alguém, é maior. Essa doença causa lesões de pele com perda de sensibilidade ou sintomas neurológicos inespecíficos como choque, queimação e agulhadas. Então, se você apresentar esse quadro, deve procurar ajuda médica.

Preconceito
Embora o Brasil tenha avançado no debate e assistência a pacientes com hanseníase, Weber aponta os estigmas e a falta de conscientização sobre a doença como problemas recorrentes no cotidiano do SUS.
– O preconceito normalmente se origina no medo da doença. E o medo normalmente está relacionado à falta de informação. Hoje temos a internet, que facilita muito a difusão da informação, existem médicos no Instagram que falam muito sobre a doença. Um aprendizado muito grande em relação à hanseníase é que ela não é transmitida por contato. Além disso, ela exige muito tempo de convivência para transmitir, portanto não vai ser através de um contato rápido que a doença vai ser transmitida. Não deixe de conversar ou até mesmo abraçar uma pessoa apenas porque ela tem ou está com suspeita de hanseníase. O preconceito mata muito mais que a própria doença – conclui o médico.
Não se cale!
Práticas discriminatórias no atendimento ou durante o tratamento da doença podem ser denunciadas pelo Disque Saúde 136. O canal oficial de Ouvidoria-Geral do SUS funciona de segunda a sexta-feira, em todo o país.
Conheça o setor de Tuberculose e Hanseníase
- Horário de atendimento – Segunda a sexta-feira, das 7h30min às 16h30min
- Onde – Rua Floriano Peixoto, 1752, junto à Policlínica Central José Erasmo Crossetti
- Contato – Telefone (55) 3921-7069 ou e-mail [email protected]