Golpes imobiliários acendem alerta em Santa Maria e cartórios orientam compradores a verificar imóveis antes de fechar negócio

Golpes imobiliários acendem alerta em Santa Maria e cartórios orientam compradores a verificar imóveis antes de fechar negócio

Foto: Beto Albert (Arquivo, Diário)

O aumento dos golpes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis tem acendido um alerta em Santa Maria e em todo o Rio Grande do Sul. Diante do avanço dos crimes de estelionato, os cartórios de Registro de Imóveis reforçam a importância da consulta a bases oficiais antes de qualquer negociação para evitar prejuízos financeiros.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o Rio Grande do Sul registra cerca de 67 mil ocorrências de estelionato por ano, o equivalente a aproximadamente sete golpes por hora. Desde 2018, esse tipo de crimeapresentou crescimento de 231% no Estado.

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Entre as fraudes mais frequentes estão a venda de imóveis por falsos proprietários, a oferta de propriedades inexistentes ou que não estão à venda, a negociação do mesmo imóvel para diferentes compradores e a ocultação de dívidas ou restrições que impedem a transferência do bem.

Para ampliar a segurança nas negociações, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam a plataforma RI Digital, que reúne informações sobre mais de 7,8 milhões de imóveis registrados no Rio Grande do Sul. Pelo sistema, é possível consultar a situação jurídica da propriedade, identificar o proprietário registrado e verificar a existência de eventuais restrições.

De acordo com o presidente do Registro de Imóveis do Brasil, Seção Rio Grande do Sul (RIB-RS), Ricardo Martins, a consulta ao Registro de Imóveis deve ser considerada uma etapa indispensável antes da concretização de qualquer negócio.

- Em um cenário de crescimento das fraudes, a consulta ao Registro de Imóveis deixa de ser uma etapa opcional e passa a ser uma medida essencial de segurança. É ali que o cidadão encontra a informação oficial capaz de confirmar a titularidade do imóvel e revelar qualquer restrição que possa comprometer a negociação - afirma.


Como se proteger

A principal recomendação é que o comprador solicite uma certidão atualizada da matrícula do imóvel antes de realizar qualquer pagamento. O documento reúne o histórico da propriedade, identifica o proprietário atual e informa a existência de penhoras, indisponibilidades, dívidas ou outros bloqueios que possam impedir a transferência.

Casos recentes de atuação de falsos corretores e de organizações criminosas especializadas em fraudes imobiliárias demonstram a dimensão do problema. Em muitas situações, as vítimas descobrem o golpe apenas no momento da escritura ou do registro do imóvel, quando constatam que o vendedor não é o verdadeiro proprietário ou que existem impedimentos legais desconhecidos.

A orientação dos especialistas é que toda negociação seja precedida pela conferência das informações em fontes oficiais, reduzindo os riscos e garantindo maior segurança jurídica na compra ou venda de imóveis.


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