Viveiro produz 1,5 mil mudas para recuperar áreas atingidas pela enchente em Santa Maria

Viveiro produz 1,5 mil mudas para recuperar áreas atingidas pela enchente em Santa Maria

Foto: Vinicius Becker

Na localidade de Três Barras, no interior de Santa Maria, o plantio de novas árvores começaram a ocupar espaços que há pouco tempo carregavam as marcas deixadas pelas enchentes. Um viveiro comunitário criado no distrito de Arroio Grande já alcançou a marca de 1,5 mil mudas produzidas.


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Mantido pelo Instituto Camboatá, o espaço funciona em uma pequena propriedade cercada por vegetação nativa e já distribuiu – de forma gratuita – mais de 600 plantas para projetos de restauração florestal no Rio Grande do Sul. A estrutura, construída de forma sustentável com bambu tratado e telas de proteção, abriga espécies típicas da Mata Atlântica, como cereja-do-rio-grande, araçá, angico, cedro, sete-capotes e juçara.


O projeto

O projeto surgiu em maio de 2025, após a organização ser contemplada pelo edital Mata Atlântica Viva, do Fundo Casa Socioambiental. A iniciativa recebeu R$ 60 mil para implantação da estrutura, aquisição de insumos e manutenção das atividades durante 12 meses.

Foto: Vinicius Becker

Segundo o advogado e ecologista Patrick Mayer, 33 anos, integrante do Instituto, a proposta nasceu da necessidade de fortalecer ações de recuperação ambiental em uma das regiões mais impactadas pelas fortes chuvas de 2024:

– A comunidade de Três Barras está inserida em uma área de grande importância ecológica, dentro do corredor ecológico da Quarta Colônia. É um território que sofreu impactos significativos com as enchentes e continua enfrentando consequências desses eventos climáticos. Por isso, entendemos que era importante direcionar atenção e ações concretas para esse local.


Produção coletiva

Atualmente, 10 integrantes do Instituto participam da gestão do viveiro. O grupo é responsável pelo cultivo das mudas, manutenção diária da estrutura, irrigação, comunicação, prestação de contas e organização das atividades educativas.

Foto: Vinicius Becker

Ao longo do primeiro ano de funcionamento, cerca de 1,5 mil mudas foram produzidas. Embora a meta inicial fosse alcançar duas mil unidades, os organizadores avaliam o resultado como positivo, especialmente porque muitas espécies nativas apresentam crescimento mais lento.

Parte das mudas já foi destinada a iniciativas de recuperação ambiental na Aldeia Guarani Mbya, em Itaara, na comunidade quilombola Vovó Isabel, em Nova Palma, e em ações realizadas na Vila Resistência, em Santa Maria.


Educação ambiental

Outra frente do projeto é a educação ambiental. Durante o último ano, o instituto promoveu atividades no viveiro, em feiras e nas comunidades atendidas pelas doações.

Foto: Vinicius Becker

A proposta é aproximar moradores da biodiversidade local e estimular o conhecimento sobre espécies da Mata Atlântica.

– O viveiro assume uma importância que vai além da produção de mudas. Ele coloca as pessoas em contato com as árvores nativas e permite construir esse conhecimento de forma coletiva, fortalecendo a relação da comunidade com o território e com a conservação ambiental – destaca Mayer.

Na última terça-feira (2), o projeto integrou a programação da Semana do Meio Ambiente de Santa Maria com a palestra “Por uma Mata Atlântica viva: a experiência do Viveiro Comunitário de Três Barras”, ministrada pelos integrantes do Instituto Camboatá Patrick Mayer, Tiago Portella Fialho e Pedro Francisco Marquezini, que apresentaram experiências de conservação e recuperação da Mata Atlântica.


Principais espécies cultivadas:

  • Cereja-do-rio-grande
  • Araçá
  • Angico
  • Cedro
  • Sete-capotes


Novas iniciativas

Com o encerramento do primeiro ciclo de financiamento, o Instituto Camboatá já trabalha em novas iniciativas. Entre elas, estão a criação de um núcleo comunitário de Defesa Civil em Três Barras, além de uma ação voltada à valorização ambiental e cultural da comunidade quilombola Vovó Isabel, em Nova Palma.

Foto: Vinicius Becker

Embora a prestação de contas do projeto tenha sido concluída no fim de maio, o viveiro seguirá em funcionamento. As mudas ainda em crescimento continuarão sendo distribuídas gratuitamente para ações de recuperação ambiental na região.


Relembre

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 afetaram cerca de 478 municípios e provocaram uma das maiores tragédias climáticas da história do Estado.

Em Três Barras, no interior de Santa Maria, os impactos ainda são sentidos. Além da enchente de 2024, a localidade enfrentou novos episódios de chuva intensa em junho e dezembro do ano passado, acumulando danos em estradas, pontes, passagens e atividades ligadas à produção rural e ao turismo.


Contato

Quem tiver interesse em acompanhar e conhecer o Viveiro Comunitário ou receber mudas de árvores nativas pode entrar em contato via:​


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