Dos 10 réus acusados de participar da morte do policial militar Bento Júnior Teixeira Borges, morto no dia 25 de dezembro de 2016, em um posto de combustíveis em São Gabriel, seis vão a júri popular nesta semana. Bento foi agredido por um grupo de pessoas e morreu após sofrer uma hemorragia em decorrência de um traumatismo craniano.
A primeira parte do julgamento inicia nesta quarta-feira (6), a partir das 9h, no Salão do Júri da Comarca de São Gabriel. Na ocasião serão julgados Adriel Gomes Corrêa, Anderson Martins Pedroso, Sílvio Jobim D’ Ávila, Robison Carvalho Pereira, Paulo César dos Santos Ferrer e Alan Costa Rieffel. Estes seis réus terão suas defesas a cargo da Defensoria Pública do Estado.
Já o júri dos demais réus, Roberto Carlos Carvalho Pereira, Giovani Castro Morback, Anderson Varreira dos Santos e Patrick Cassal Madri, ocorrerá no dia 24 de agosto. Estes quatro réus serão defendidos por seus respectivos advogados. A depender do júri, eles podem ser condenados à pena de 12 a 30 anos.
No dia 31 de dezembro de 2016 foram presos mais seis suspeitos de participar do assassinato do policial militar Bento Júnior Teixeira Borges. Foto: Márcio Vaqueiro (BD, 01.01.2017)
Entenda o caso
Bento Júnior Teixeira Borges,era soldado da Brigada Militar, e tinha 36 anos na época. Foto: Arquivo Pessoal
O crime ocorreu no dia 25 de dezembro de 2016 em um posto de combustíveis localizado na BR-290, após uma briga de casal que resultou em uma confusão envolvendo um grande número de pessoas. O policial Bento Júnior, de folga, teria tentado intervir na confusão, e teria sido agredido com um golpe de facão por João Gabriel Ferraz da Silva, 16 anos, momento em que teria disparado em legítima defesa.
O adolescente morreu e outras duas pessoas ficaram feridas. Após os disparos, o policial foi desarmado, espancado e esfaqueado por um grupo de pessoas envolvendo adultos e adolescentes. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
O laudo pericial apontou que Bento foi avaliado com dezenas de feridas e concluiu que a morte se deu por hemorragia intracraniana, consecutiva a traumatismo crânio-encefálico por arma branca.
Os réus e as acusações
Todos os 10 réus estão presos preventivamente no Presídio Estadual de São Gabriel. Eles respondem pelos crimes de homicídio qualificado e corrupção de menores. O crime de homicídio possui três qualificadoras. A primeira delas é o motivo torpe (vingança), pelo fato de, segundo o processo, a vítima ter sido agredida por ter “desferido tiros (em legítima defesa) contra um adolescente, amigo dos denunciados e seus comparsas”.
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A segunda qualificadora é o meio cruel, pois, conforme o processo, a vítima teria sido agredida “impiedosamente, por inúmeros golpes de facão, contra diversas partes do corpo, especialmente contra o rosto, o pescoço e a cabeça, sendo também atingido por pedras, cones, e golpes de barra de ferro, e chutado, o que lhe causou intenso e excepcional sofrimento”.
A terceira qualificadora diz respeito ao recurso que dificultou a defesa da vítima, que no caso foi a pluralidade de agressores e as agressões simultâneas à vítima. O crime de corrupção de menores diz respeito ao fato de que os réus teriam incentivado um grupo de cerca de dez menores a participar das agressões.
O soldado da Brigada Militar Bento Júnior Teixeira Borges, foi sepultado na noite do dia 25 de dezembro de 2016. Foto: Márcio Vaqueiro (BD, 25.12.2016)
O processo também descreve que o homicídio foi cometido contra policial militar “em decorrência de sua função, já que a vítima, embora estivesse no momento de folga, foi instada a intervir no tumulto causado por um adolescente no local”.
Além desses dois delitos, parte dos acusados também responde por dano. As sessões serão presididas pela Juíza de Direito da Comarca de São Gabriel, Juliana Neves Capiotti.
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