Desde o início de julho, uma história em quadrinhos tem voltado os olhares para o Núcleo Aplicado a Toxicologia, o NAT, da Universidade Federal de Santa Maria. Em 2021, o professor do curso de Farmácia da UFSM, André Valle, decidiu unir uma velha paixão, os quadrinhos, com a toxicologia, área na qual atua. Ao lado dos alunos Marcelo Henrique Nascimento Santana e Victoria Gomes da Rosa, ele idealizou a HQ Noia, projeto de ensino que tem o objetivo de incentivar o aprendizado em toxicologia, a partir das histórias em quadrinhos. Neste mês, o grupo finalizou a segunda edição da jornada do protagonista Noia que será publicada em breve.
Inspirado em quadrinhos de super-heróis como os da Marvel e DC Comics, a HQ conta a história de José da Silva, o Noia, um dependente químico que vive pelas ruas de São Paulo. Ao fazer uso de substâncias químicas, se desejar, o protagonista pode desenvolver habilidades sobre-humanas, como superforça ou velocidade. No entanto, o corpo de Noia sofre com os efeitos adversos das drogas.
Segundo o professor e criador do projeto, André Valle, a ideia começou há 20 anos, mas a oportunidade de tornar real o universo de Noia surgiu no ano passado. E, além do estudo sobre a composição química e os efeitos das substâncias tóxicas e dos venenos, o projeto também tem possibilidade de refletir a respeito das questões sociais e psicológicas atreladas ao uso de drogas.
– Sempre quis juntar a parte nerd da ciência com o universo geek dos quadrinhos. Assim, surgiu o Noia. Na história, o personagem pode, por exemplo, tomar esteroides anabólicos androgênicos e desejar que isso faça ele ter uma força descomunal ou usar anfetaminas e correr muito mais rápido que qualquer ser humano na terra. Só que o corpo dele sente os efeitos como qualquer outra pessoa, sendo ele um dependente químico. Então, a história tem momentos bem sérios sobre isso – explica o professor.
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O universo de Noia tem outros personagens como advogados, estudantes universitários, peritos criminais e até padres que se envolvem no enredo. Quem usa da criatividade para roteirizar a história são os estudantes de Farmácia Marcelo Henrique Nascimento Santana e Victoria Gomes da Rosa.
– Desde que ouvimos o professor André falando sobre a ideia da HQ, ficamos bem empolgados. Gosto muito de cinema e já me envolvi com outras produções. Então, Noia foi uma oportunidade de aliar o trabalho que fazemos no laboratório com interesses pessoais, como o gosto por quadrinhos, cinema e tal – comemora Henrique.
Já para Victoria, o quadrinho foi o primeiro contato com a arte visual e gráfica. A estudante conta que o processo criativo é demorado e, em um dia, a dupla já passou cerca de oito horas para idealizar, escrever e editar o roteiro.
– Finalizamos a segunda edição e, agora, partimos para roteirizar a terceira. A história já está toda em nossa cabeça e sabemos até o final, mas o processo de escrever, editar e pensar nas cenas é bem demorado. Depois disso, o Affonso, ilustrador da HQ, fica responsável por toda a mágica de transformar a ideia em desenhos incríveis. Estamos muito felizes por ver que conseguimos aplicar os aprendizados de sala em uma história tão legal – comemora Victoria.
Além do professor André Valle, dos roteiristas Marcelo, Victória e do ilustrador Affonso Maia, orientado pelo professor do curso de Desenho Industrial na UFSM, André Dalmazzo, o projeto de ensino conta com mais 13 alunos que contribuem com a história do anti-herói José da Silva, o Noia. A HQ está disponível em formato virtual no site da UFSM.
Bibiana Pinheiro, [email protected] Leandra Cruber, [email protected]
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