NathSchneider
Contar e Encantar Histórias. Esse é o nome e o objetivo de um projeto financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC-SM) e apoiado pela Secretaria Municipal de Educação que teve início no dia 14 de abril e deve receber mais de duas mil crianças na Biblioteca Pública Henrique Bastide até o fim do ano. Quem deu o pontapé inicial nas atividades foi a E.M.E.F Rejane Garcia Gervini. Os alunos dos 1º, 2º e 3º anos da instituição estiveram na biblioteca pelo turno da tarde. Lá, um cenário especial, com elementos da história, os esperava. A maioria deles nunca havia entrado na biblioteca. Eles ouviram atentamente a história do livro “Nuang: caminhos da liberdade”, escrito pela carioca Janine Rodrigues e com ilustrações da acriana Luciana Nabuco. Elas trabalham com projetos e atividades pedagógicas de educação antirracista.Quem conta as histórias é a atriz Daniela Varotto. Ela trabalha com contação de histórias há 12 anos e é especialista em desenvolver um repertório lúdico onde as crianças são conduzidas a vivenciar cada passagem dos livros, interagindo com a contadora. – Está sendo muito legal. Sou suspeita para falar, pois amo ver os olhinhos deles brilhando enquanto ouvem. As histórias trazem experiências de outras pessoas e incentivam a imaginação. É importante que o projeto esteja ocorrendo na Biblioteca Pública justamente para divulgar o espaço. Mostrar para as crianças que tem muitos livros e que eles podem habitar aqui. Isso tem ficado obsoleto com a questão da internet, por exemplo, mas os livros são maravilhosos companheiros de Viagem – conta Daniela.
Daniela Varotto trabalha com contação de histórias há 12 anos
Michelle Turra é professora e coordenadora de anos inicias da Secretaria Municipal de Educação e comanda uma atividade pedagógica que ocorre no segundo andar da Biblioteca Pública Henrique Bastide, após a contação da história.
– Nós sorteamos elementos do livro que eles acabaram de ouvir e, com isso, trabalhamos a questão das palavras, alfabetização e criatividade, já que eles desenham coisas que aparecem na história. O importante é que essas crianças possam vir lá de seus bairros e comunidades e tenham acesso à Biblioteca Pública. Eles ficaram muito felizes em conhecer o espaço. E esse é o objetivo da Secretaria: que as crianças possam vivenciar a iniciação a leitura.
Michelle realiza atividades pedagógicas com os alunos após a história
APRENDIZADO E REFLEXÃO
Os pequenos ouviam atentamente à história de Nuang e de seu povo. Ela é uma menina negra com grandes cabelos crespos, tão belos que eram, na verdade, coroas. Um certo dia, Nuang é raptada e levada para uma grande fazenda. Havia sido escravizada. O assunto, sério, é contado com leveza para as crianças, que entendem a importância da liberdade para Nuang e seu povo. O Pietro Hanzel Facco, de 8 anos, que nunca havia ido até a biblioteca, refletiu sobre a narrativa:– Eu gostei muito da história. A palavra “uhuru” que a Nuang fala, quer dizer amor, paz e e liberdade. Mas eu acho um abuso muito grande o que aconteceu, raptarem as pessoas. E eu acho que, infelizmente, essas coisas podem ocorrer na vida real também.
O Joaquim Zago Vaz, 7 anos, também gostou muito de como Nuang enfrentou tudo que ocorreu à ela ao longo da história:– Ela sempre seguia, nunca parava. A Nuang continuava destruindo todos os perrengues e as barreiras que apareciam na frente dela.Após ouvirem a história, participarem das atividades e fazerem um lanche, as crianças recebem um material de apoio pedagógico produzido a partir do conteúdo abordado nas obras para ser potencializado em sala de aula. Neste primeiro ano do projeto, também será abordado o livro “Obax” de André Neves, que fala sobre diversidade racial. Outras 36 escolas da Rede Municipal de Ensino devem visitar a Biblioteca Pública Henrique Bastide durante o projeto “Contar e Encantar Histórias”. As próximas escolas a participarem do projeto em abril são as EMEFs Euclides da Cunha, Pinheiro Machado, Francisca Weinmann e Padre Nóbrega.