Alunos de projeto de iniciação científica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estudam formas de imprimir e fabricar, de forma sustentável, o segundo produto mais consumido no mundo depois da água: o concreto. Já com os primeiros resultados, o Grupo de Ensino de Materiais Sustentáveis na Construção (Gemasc) busca, agora, investimento para continuar crescendo e aplicando os resultados encontrados nas pesquisas, que apresentam melhor desempenho que o tradicional.
A impressão 3D foi uma saída para desenvolver materiais alternativos e que reduzam o impacto ambiental causado na área da construção civil. No processo de fabricação com impressão, os objetos são construídos por camadas, guiadas a partir de um modelo desenhado digitalmente. Antes da impressão, os estudantes testam as dosagens dos componentes químicos, como explica a doutoranda em Engenharia Civil Tuani Zat:
— Somente depois de todo esse processo, testamos a impressão 3D, para ver se vai ser possível como material utilizado. Porque cada caso é bastante único, e precisamos estar atentos a bastante detalhes para conseguir fazer isso tudo funcionar.
A doutoranda Tuani, no momento da impressão 3D
No Brasil, esse tipo de impressão foi realizada em apenas dois locais, mas em nível mundial, já existem edificações completas construídas por camadas, com uso de impressoras maiores. Na UFSM, os alunos trabalham com escala laboratorial, mas, por se tratar de uma tecnologia promissora, estão abertos a investidores que possam acompanhar de perto e favorecer para o crescimento do grupo.
Coordenador de projeto de impressão com nanopartículas, o professor Paulo Matos explica que o grupo busca financiamento de empresas, em especial no ramo de robótica para fabricação de peças e equipamentos, pois as disponíveis no mercado precisam ser importadas, o que baratearia o processo:
— Existe muita possibilidade em aberto, pois como todas as empresas deste ramo são estrangeiras, traria o apelo de ter uma bandeira brasileira, assim como baratearia os equipamentos e processos.
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O uso na construção civil
Entre as principais vantagens do uso da tecnologia de impressão 3D na construção civil, estão a rapidez da construção, a diminuição de produção de resíduos e de mão de obra, além da possibilidade de ousar nos formatos, utilizando componentes geométricos e complexos, contribuindo o avanço e modernização da área. Porém, entre as desvantagens está o alto custo de execução, devido aos equipamentos necessários.
Exemplo de uma casa inteira construída com impressão 3D em concretoFoto: Alejandro Cegarra (divulgação The New York Times)
Para que esse modelo se torne viável e capaz de competir com os modelos tradicionais de construção civil, adaptações ainda precisam ser feitas. Para a doutoranda Tuani, existem dois caminhos possíveis: reduzir o custo do material ou a quantidade utilizada.
— Ou mudamos a parte de modelagem, trazendo estruturas mais esbeltas, utilizando menos material, ou reduzimos a questão de custo do material que a gente utiliza, trabalhando com materiais mais sustentáveis, que é um objetivo que a gente tem.
O Gemasc
O trabalho do Grupo de Estudos em Materiais Sustentáveis para Construção é voltado para a análise e uso de diferentes materiais de construção, trabalhando com produtos alternativos e de menor impacto ambiental. Com orientação do professor adjunto Erich Rodriguez Martinez, do Departamento de Construção Civil da UFSM, os objetivos são a formação dos alunos e o desenvolvimento dos materiais:
— Queremos formar jovens pesquisadores com o pensamento crítico para o desenvolvimento de materiais mais sustentáveis — afirma Erich.
Eduarda Costa, [email protected]
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