Os cotados para o conclave, daqui a duas semanas, e os oito cardeais brasileiros

Os cotados para o conclave, daqui a duas semanas, e os oito cardeais brasileiros

Fotos Reprodução

Dos oito cardeais brasileiros que podem concorrer a Papa, um é gaúcho e três são catarinenses.

Com a morte do Papa Francisco, crescem os rumores sobre quem poderá ser o novo Pontífice. Diante da trajetória mais progressistas da Francisco, há discussões de que a Igreja Católica poderia escolher agora um cardeal mais conservador para conduzir o igreja. Especialistas no Vaticano têm levantado hipóteses sobre nomes cotados para ser eleito novo Bispo de Roma. Entre eles, há pelo menos dois brasileiros lembrados. A previsão é que o próximo conclave, a portas fechadas no Vaticano, ocorra daqui a 15 ou 20 dias.


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Ao todo, o Brasil tem oito cardeais, mas um deles tem 88 anos e não pode votar, pois a regra prevê um limite de 80 anos para ter direito a voto. É o arcebispo emérito de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno, 88 anos, que será convidado apenas a integrar o Colégio dos Cardeais, que discute assuntos inadiáveis da Igreja Católica até que um novo Papa seja eleito. Mas segundo a CNBB, mesmo não podendo votar, Damasceno poderia receber votos. Dos oito cardeais brasileiros que podem concorrer a Papa, um deles é gaúcho e três, catarinenses (veja abaixo).

Após o falecimento de um Papa, a Igreja fica em estado de Sede Vacante e prepara a reunião do Conclave, na qual é eleito o novo Bispo de Roma. As normas sobre o encontro estão na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis. Sete cardeais brasileiros participarão como cardeais eleitores, ou seja, que votam na eleição do novo Papa.


Nomes cotados para novo Papa

  • Pietro Parolin (Itália) - Tem mais de 40 anos de atuação no Vaticano e, desde 2013, atua como secretário de Estado do Vaticano (cargo que reúne as funções de um primeiro-ministro, além de ser considerado o "número 2" do papa)
  • Matteo Zuppi (Itália) - Atual arcebispo de Bolonha, negociou o fim de guerra de 16 anos no Moçambique e, agora, atuava nas negociações da Guerra da Ucrânia, a pedido do Papa Francisco
  • Pierbattista Pizzaballa (Itália) - Desde 2016, comanda o Patriarcado Latino de Jerusalém, que é uma das arquidioceses católicas com maior importância no mundo, por atual sobre a Palestina, Israel, Jordânia e Chipre
  • Luis Antonio Tagle (Filipinas) - Tem forte relação com os pobres e foi chamado de "Francisco Asiático"
  • Jean-Marc Aveline (França)
  • Juan Jose Omella (Espanha) - Arcebispo de Barcelona
  • Mario Grech (Malta) - É secretário do Sínodo dos Bispos
  • José Tolentino de Mendonça (Portugal)
  • Joseph Tobin (Estados Unidos) - Arcebispo de Newark
  • Robert Francis Prevost (Estados Unidos)
  • Arthur Roche (Inglaterra)
  • Peter Erdo (Hungria) - É considerado conservador
  • Robert Sarah (Guiné) - Conservador, apoia celebração de missas em latim e era forte crítico do papa Francisco
  • Fridolin Ambongo Besungu (Congo) - Pode ser o primeiro Papa negro
  • Peter Kodwo Appiah Turkson (Gana) - Cardeal que trabalha no Vaticano, tem 76 anos e poderia ser o primeiro Papa negro
  • Dom Sérgio da Rocha (Brasil) - Paulista, é arcebispo de Salvador
  • Leonardo Ulrich Steiner (Brasil) - Catarinense, é arcebispo de Manaus

    OS OITO CARDEAIS BRASILEIROS

    Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP)
    Nascido em Capela Nova (MG), tem 88 anos. Na juventude, estudou em seminários em Mariana (MG), Itália e Alemanha. Foi ordenado padre em 1968, em Conselheiro Lafaiete (MG). De 1986 a 2003, foi bispo auxiliar de Brasília. Em 2004, virou arcebispo de Aparecida (SP). É cardeal desde 2010 e presidiu a CNBB de 2011 a 2015. Há 10 anos, é arcebispo emérito e se mudou para Brasília


    João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília

    Aos 77 anos, é nascido em Mafra (SC), mas cresceu no interior do Paraná, na cidade de Borrazópolis. Após ingressar no Seminário Menor São Pio X, em Assis (SP), foi ordenado padre em 1972, em Apucarana (PR). Estudou Filosofia em Curitiba e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e foi reitor de seminário em Londrina (PR). Nos anos 1980, estudou novamente em Roma e, no início dos anos 1990, foi nomeado bispo auxiliar de Vitória (ES). Em 1998, virou bispo de Ponta Grossa (PR). Teve breve passagem pela Arquidiocese de Maringá (PR), até ser nomeado, em 2004, arcebispo de Brasília. Em 2011, ganhou o cargo de prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica pelo Papa Bento 16. Em 2012, virou cardeal e participou do conclave que elegeu o Papa Francisco, no ano seguinte

    Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo

    Nascido em Cerro Largo, dom Odilo tem 75 anos e é arcebispo de São Paulo. Apesar de ser gaúcho, entrar no seminário São José, em Curitiba, no ano de 1963. Após ser ordenado padre em Quatro Pontes (PR), em 1976, atuou mais de 30 anos nas cidades de Cascavel e Toledo, também no Paraná, onde foi professor e reitor de seminários. É mestre e doutor em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Recebeu o título de bispo auxiliar de São Paulo em 2002, tendo assumido como arcebispo da capital paulista em 2007, quando virou cardeal. No conclave de 2013, quando o argentino Jorge Bergoglio foi eleito e virou o Papa Francisco, Scherer negou que fosse um dos favoritos, como especialistas no Vaticano chegaram a comentar na imprensa. Respeitando à regra da Igreja Católica, em dezembro de 2024, ele pediu renúncia ao cargo, mas devem ficar na arquidiocese até o ano que vem


    Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro

    Natural de São José do Rio Pardo (SP), Tempesta tem 74 anos e é padre desde 1974. Em 1997, foi ordenado bispo da arquidiocese de São José do Rio Preto, também no interior de São Paulo. Sete anos depois, assumiu como arcebispo de Belém (PA) e, desde 2009, comanda a arquidiocese do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, foi um dos responsáveis por organizar a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em 2013, que marcou a primeira viagem do Papa Francisco ao Exterior e a única dele ao Brasil. Desde 2014, é cardeal


    Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus

    Nascido em Forquilhinha (SC), tem 74 anos. Foi ordenado padre em sua cidade natal em 1978. Formado em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade Salesiana de Lorena e doutro em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma, foi secretário-geral do Pontifício Ateneu Antoniano, também na capital italiana, entre 1999 e 2003. Desde 2005, é bispo, tendo sido nomeada pelo Papa João Paulo 2º para a Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Em 2011, virou bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília e foi eleito secretário-geral da CNBB. Em 2019, o Papa Francisco nomeou Steiner como arcebispo de Manaus, sendo considerado o primeiro arcebispo da Amazônia. É cardeal desde 2022


    Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre

    Nascido em Gaspar (SC), tem 64 anos e é padre desde 1990, após ter ingressado na Ordem dos Frades Menores. Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma, ele foi nomeado bispo auxiliar de Porto Alegre em 2010. Três anos mais tarde, foi alçado ao cargo de arcebispo da Capital, pelo próprio Papa Francisco, que o nomeou cardeal em dezembro passado. Atualmente, também é presidente da CNBB


    Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador

    Nasceu em Dobrada (SP) e tem 65 anos. Recebe também o título de Primaz do Brasil porque é o religioso que comanda a arquidiocese mais antiga do país. É padre desde 1984 e tem mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, além de doutorado pela Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Foi nomeado bispo auxiliar de Fortaleza (CE) em 2001, tendo passado a arcebispo de Teresina (PI) em 2008, e de Brasília, em 2011. Presidiu a CNBB de 2015 a 2019 e, em 2020, assumiu a Arquidiocese de Salvador

    Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, 57 anos

    Natural de Valença (RJ), é o cardeal brasileiro mais jovem, com 57 anos. Costa foi ordenado padre em 1992 e atuou em uma paróquia na cidade de Vassouras (RJ). Estudou Filosofia e Teologia em seminários no Rio e se tornou mestre e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Nos anos 2000, lecionou na PUC-RJ e coordenou o Departamento de Teologia, além de ter dado aulas no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e no Instituto de Filosofia e Teologia Paulo VI, em Nova Iguaçu. Em 2010, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e participou da organização da Jornada Mundial da Juventude de 2013. Desde 2020, comanda a Arquidiocese de Brasília, tendo sido nomeado cardeal em 2022

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