Meteorologistas da UFSM registram tornado em cidades da região e transformam trabalho em documentário

Meteorologistas da UFSM registram tornado em cidades da região e transformam trabalho em documentário

Foto: Divulgação

Uma ideia que saiu de um projeto de mestrado de um estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) se transformou em uma experiência de campo e produção de um documentário. Os meteorologistas Murilo Lopes, Mateus Rebelo e Fernando Forgioni, em saídas voluntárias a campo, passaram a monitorar tempestades e coletar dados. Em uma das situações conseguiram registrar um tornado entre Tupanciretã e Cruz Alta, em 21 de abril de 2024, antes do Rio Grande do Sul vivenciar a enchente, que afetou 2.398.255 pessoas, deixou 23 desaparecidos e registrou 185 óbitos. Os dados são do governo do Estado, atualizados em 19 de agosto de 2025. 

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Segundo o meteorologista Murilo Lopes, a proposta começou com a instalação de estações meteorológicas móveis na dianteira de tempestades, de modo a registrar informações antes e durante a passagem: 

— No ano passado, conseguimos, pela primeira vez, realizar medições com estações portáteis em uma tempestade que produziu um tornado. Esses dados serão muito úteis para entendermos melhor a atmosfera que favorece esse tipo de fenômeno. A gente só tinha um equipamento e a vontade da galera. Tudo foi feito de maneira extremamente voluntária — explica.

Além da experiência em pesquisa, o projeto também ganhou uma dimensão de divulgação científica. Os três voluntários, junto com demais pessoas que se somaram a ideia, decidiram registrar em vídeo as expedições. A ideia, inicialmente espontânea, resultou na produção de um documentário: 

— Queríamos mostrar que a ciência também pode ter uma face diferente, mais arriscada, mas que gera informações fundamentais para entendermos os eventos extremos que afetam a região —, explica o meteorologista.

O documentário apresenta dados que surgiram da pesquisa de mestrado de um dos integrantes, além disso, busca apresentar com visão técnica e da experiência dos envolvidos o momento que registram o tornado, nas tempestades que antecederam a tragédia climática vivida no Estado. A obra tem 41 minutos, está disponível de forma online e pode ser conferida aqui. 

Ciclone x tornado

O pesquisador Murilo Lopes explica a diferença de ciclone para tornado

— Um ciclone é um fenômeno meteorológico de grande escala, que tem dimensão de milhares de quilômetros. A eles que estão associadas as frentes frias, por exemplo. Já um tornado é um fenômeno associado a uma nuvem de tempestade. A formação e área afetada são de minutos e poucos quilômetros — conta.


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