Após mobilização, cães abandonados no Km 2 são adotados em Santa Maria

Após mobilização, cães abandonados no Km 2 são adotados em Santa Maria

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Isadora Tombini, 47 anos, e Theo Tombini Vogt, 8 anos

O apartamento de Isadora Tombini, 47 anos, podóloga, assumiu um novo ritmo há três semanas. O espaço vazio foi substituído pelo som de patas apressadas e pelo tilintar de brinquedos espalhados pelo chão. A mudança tem nome e origem: Flock e Pipoco, dois dos 18 cães que viviam em meio aos escombros de uma reciclagem demolida no Km 2, no Bairro Divina Providência, em Santa Maria.

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O caso ganhou repercussão após a prefeitura demolir as estruturas do terreno e remover as associações presentes, restando apenas os cães no local. A situação de abandono mobilizou o Ministério Público e os projetos Brechocão e Akiles, que formaram uma força-tarefa para garantir o cuidado dos animais. Por meio dessa ação, a trajetória dos cães ganhou um novo rumo.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Hoje, para Flock e Pipoco, o cenário é de acolhimento. Pela sala, veem-se potes de água e ração sempre cheios e camas estrategicamente posicionadas ao sol, onde a dupla gosta de passar as manhãs. Na porta de entrada, a recepção é garantida com pulos e “lambeijos”.


O resgate

Isadora, que já é tutora de outros seis animais resgatados – que vivem na casa de familiares no Bairro Perpétuo Socorro, na região norte do município –, acompanhou o drama do Km 2 pelas redes sociais. Comovida pela vulnerabilidade dos animais, ela decidiu que poderia abrigar ao menos um deles. Levou para casa o pequeno Flock, um cão caramelo de “cabelinho de arame” – conforme ela descreve. Mas o coração falou mais alto no dia seguinte.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Ao perceber que Flock estava apático e triste, Isadora descobriu que ele havia sido separado de seu irmão. Sem hesitar, entrou em contato com os protetores e buscou o segundo cão, batizado de Pipoco, um macho de porte médio, preto e branco, com o mesmo pelo característico do irmão.

Eu moro em apartamento, mas pensei: vale a pena fazer um esforço, porque são duas vidas. Assim que o irmão chegou, foi uma festa. Agora, ambos estão felizes – relata Isadora.


Adaptação

A rotina da família Tombini mudou completamente. A adaptação exige paciência, especialmente com os horários de higiene e a socialização. Apesar do carinho, as cicatrizes do abandono ainda se manifestam no cotidiano: Pipoco recua ao toque inicial e demonstra pavor diante de objetos comuns, como vassouras, ou movimentos mais bruscos. O trauma é nítido nos passeios; basta a aproximação de um cão maior para que o animal comece a tremer, em uma tentativa instintiva de buscar refúgio junto às pernas dos tutores.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Para Isadora, neste momento, o segredo está na empatia de entender que eles estão aprendendo a confiar:

– Quando adotamos um animalzinho que vem de uma situação assim, é preciso ter o coração aberto. Eles passam por um processo de adaptação, mas hoje dão alegria para a casa. Eu não tenho ONG, sou apenas uma pessoa que, se vê um animal em estado debilitado, não consegue fechar os olhos.


O olhar de uma criança

Para o pequeno Theo Tombini Vogt, 8 anos, a chegada dos novos amigos trouxe uma dinâmica de diversão e companheirismo. Ele acompanhou de perto a transição dos cães:

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

– Quando a mãe disse que ia adotar, eu já fiquei muito feliz. No início, eles estavam tímidos, mas depois de uns dias começaram a me lamber e brincar. O Pipoco e o Flock eram melhores amigos que se separaram, então a mãe adotou os dois e, agora, eles são uma companhia para mim.


Vereador denunciou abandono e ONGs abraçaram a causa

Em 14 de março, o vereador Luiz Fernando (PDT) protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público, apontando uma possível omissão da prefeitura no acolhimento dos animais presentes no Km 2 após a demolição das estruturas no local.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Em resposta ao Diário na época, o Executivo negou as acusações, alegando que os animais possuíam um tutor legal. Segundo a prefeitura, o responsável – que atuava de forma irregular na área – foi notificado ainda em dezembro de 2025 para desocupar o local e remanejar seus animais, mas teria priorizado a retirada dos materiais.

Diante do impasse, a rede de proteção animal, encabeçada pelo Projeto Akiles e pelo Brechocão, passou a repercutir a situação nas redes sociais para buscar apoio da população. Conforme Cleber Luis Santos, responsável pelo Projeto Akiles, todos os 18 animais foram adotados por pessoas da cidade.

A exceção foi Caramelinho, o último a deixar o local, que foi entregue a uma família de Lajeado na sexta-feira (9), encerrando um capítulo de ausências e iniciando 18 novas histórias de esperança.​

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