Cardeal presidente da CNBB visita Santa Maria e fala sobre a Campanha da Fraternidade 2025 e a saúde do papa

Cardeal presidente da CNBB visita Santa Maria e fala sobre a Campanha da Fraternidade 2025 e a saúde do papa

Foto: Mateus Ferreira

O cardeal dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esteve em Santa Maria cumprindo agenda de segunda (10) até esta quarta-feira (12). Entre os compromissos, ele participou da reunião do Conselho Regional de Pastoral (Corepal), que reúne os bispos do Regional Sul 3, além de sacerdotes e leigos.

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No final da tarde de terça-feira (11), os bispos celebraram uma missa no Santuário Basílica Nossa Senhora da Medianeira. Como presidente da celebração estava dom Jaime Spengler. O ato contou com 24 autoridades eclesiásticas – entre elas, o arcebispo metropolitano de Santa Maria, dom Leomar Antonio Brustolin, e o arcebispo emérito, dom Hélio Adelar Hubert.

Dom Jaime Cardeal Spengler, durante a Celebração Eucarística na Basílica da Medianeira. Foto: Mateus Ferreira

Esta foi a primeira visita eucarística de dom Jaime Spengler a Santa Maria desde que foi nomeado cardeal pelo papa Francisco, em 7 de dezembro de 2024. Com isso, dom Jaime se junta a outros sete cardeais brasileiros que atuam no Vaticano.

Em conversa ao Diário, o cardeal falou sobre o momento vivido por diferentes comunidades ao redor do mundo que sofrem com guerras e problemas climáticos. Ainda falou sobre a escolha do tema da Campanha da Fraternidade de 2025 e a atuação junto à Igreja Católica no posto de cardeal.

Confira o que disse dom Jaime Spengler a respeito de alguns temas:

Humanidade

“Em diferentes regiões ao redor do mundo, podemos ver sofrimento, seja por guerras, conflitos que destroem comunidades ou as forças da natureza que mudam o cenário aonde as pessoas vivem. Na busca por um conforto, as pessoas têm a fé, que oferece um horizonte e, para nós, esse horizonte significa segurança. A fé nos sustenta. E eu gosto de recordar algo que é muito vivo aqui na nossa região. Nós fomos marcados por imigrações, temos açorianos, portugueses, espanhóis, italianos, a nossa população gaúcha é formada por diversas etnias. Temos que comentar também a dolorosa situação da escravidão com os povos que vieram da África. Então, esses povos chegaram aqui, muitas vezes sem nada. Alguns vieram cheios de esperança, outros foram enganados, mas essa gente toda trouxe duas coisas que eu creio que são fundamentais para nós ainda hoje: a fé e a coragem. E se hoje o Rio Grande do Sul passa por um momento desafiador, seja na sequência da pandemia que nos assolou ali em 2020 e 2021, seja a tragédia climática do ano passado e outras situações que marcam a história presente do nosso Estado, talvez esses elementos que marcaram nossos antepassados possam nos ajudar ainda hoje a fazer aquilo que nos compete: a fé e a coragem. Com fé, coragem e determinação, nós podemos somar forças e cooperar para deixar o Estado um pouco melhor para aqueles que virão após nós”.

Campanha da Fraternidade 2025

“O tema deste ano, eu creio que se aglutinou a uma série de situações. Quando o tema foi escolhido, há dois anos, tínhamos presente a Carta Encíclica Laudato Si’ Do Santo Padre, que trata da questão ambiental, da ecologia integral, um documento que se tornou uma referência para vários setores da sociedade mundo afora. Tínhamos também a celebração da COP-30, que a cada ano trata das questões climáticas no mundo. E, neste ano, a COP ocorrerá em novembro, aqui no Brasil, em Belém (Pará), na conhecida entrada da Amazônia. E ano passado, aqui no Estado, fomos surpreendidos pelas chuvas do mês de maio. Mas não foi somente nosso povo que sofreu, tivemos as queimadas na região Centro-Oeste e a seca na região amazônica. Então, a Campanha da Fraternidade deste ano vem de encontro a todas essas situações. Também devemos analisar que já faz algum tempo que a ciência nos fala da necessidade de uma atenção particular para com a casa comum, o nosso mundo. Ele pede socorro. O planeta que conhecemos, que é nossa casa, pode sobreviver sem nós, mas nós necessitamos dele para a nossa sobrevivência. Isso significa que somos chamados, sim, a cuidar, a preservar e a promover a vida do planeta Terra.”

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Papa Francisco

“O cardinalato é um título, os cardeais formam um colegiado para duas funções basicamente. Primeiro, ajudar mais de perto o Santo Padre nas grandes questões da vida eclesial em todo o mundo. E a segunda é, em caso de necessidade, escolher um sucessor para Pedro.

E sim, acompanhamos de perto a saúde do papa. As nossas comunidades têm desenvolvido mutirões de oração pedindo bênção e saúde para que ele possa levar ainda mais o seu trabalho ao longo dos anos. Fazemos votos que ele possa recuperar sua saúde e possa continuar entre nós desenvolvendo sua missão, ser sinal de comunhão e de humildade na Igreja Católica.”

Quem é dom Jaime Spengler

Jaime Spengler nasceu em 6 de setembro de 1960, na cidade de Gaspar, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Ele foi o primeiro dos quatro filhos de Genésio Bernardo e Léa Maria Spengler. O religioso ingressou, como noviço, na Ordem dos Frades Menores de Rodeio (SC) em 1982. A ordenação do catarinense como padre ocorreu no dia 17 de novembro de 1990, também em Gaspar.

Durante sua carreira acadêmica, Spengler cursou Filosofia, no Paraná, e Teologia, no Rio de Janeiro e em Jerusalém. O então padre fez doutorado em Filosofia em Roma. Como sacerdote, dom Jaime atuou em diversas cidades do Brasil até 2010.

Nesse ano, foi nomeado bispo auxiliar de Porto Alegre pelo então papa Bento XVI. Um ano depois, foi ordenado bispo em sua cidade natal, Gaspar. Dom Jaime foi nomeado arcebispo metropolitano de Porto Alegre em 2013, após a renúncia de dom Dadeus Grings, hoje bispo emérito da Capital gaúcha.

Em 2023, o arcebispo foi eleito presidente da CNBB. Ele ficará à frente da entidade até 2027. O religioso também preside o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Em 7 de dezembro de 2024, dom Jaime Spengler foi nomeado cardeal pelo papa Francisco.

Dom Jaime Spengler foi nomeado Cardeal pelo Papa Francisco em 7 de dezembro de 2024. Foto: Mateus Ferreira

E se ocorrer um Conclave, dom Jaime poderá participar

As regras da Igreja Católica estabelecem que cardeais com menos de 80 anos tenham direito a voto em um eventual conclave, por isso, dom Jaime poderá participar da eleição de um novo papa. A eleição de um novo pontífice ocorre apenas em duas circunstâncias: em caso de morte do papa durante seu período de atuação, ou caso ele renuncie, como fez Bento XVI. Dom Jaime tem 64 anos.

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Mateus Ferreira

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