Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Entre uma música e outra em um bloquinho no pré-carnaval do bairro da Bela Vista, em São Paulo (SP), o médico Caio Franco, de 29 anos, não imaginava que comprar uma bebida com um ambulante daria início a um pesadelo.
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- A minha suspeita é que o meu cartão tenha sido trocado quando fui comprar uma bebida pela metade do preço - afirma.
O resultado foi um prejuízo de mais de R$ 16 mil em diferentes compras no cartão. O folião ficou frustrado com a situação. Ele acredita que pode ter se descuidado ao verificar que as compras irregulares ocorreram com o cartão físico.
Como as compras foram presenciais com uso de senha, isso dificultou a contestação. Caio entrou com processo judicial, mas perdeu depois de batalhar por mais de um ano. A experiência negativa de Caio não é raridade durante o período da folia.
Atenção na hora da compra
Segundo um dos fundadores da plataforma Reclame Aqui, Felipe Paniago, prejuízos durante o carnaval podem ser evitados com medidas de prevenção.
- Cuidado com o uso de cartão no meio de blocos, ao passá-lo para pagamentos em maquininhas em lugares inseguros. É preciso guardar bem o dinheiro em espécie e, claro, ter cuidado com o uso do celular. São dicas básicas, mas que evitam prejuízos e incômodos - diz Paniago.
Ele acrescenta que, nesta época, há tipos de golpes que se tornam mais frequentes, especialmente em ambientes com grande circulação de pessoas e consumo imediato. O golpe da maquininha é comum nesses locais movimentados.
O fundador da plataforma pondera que, além da troca de cartões, existem golpes como roubo de dados, com o uso de maquininhas adulteradas, cobrança duplicada com falsa alegação de erro na transação ou mesmo alteração de valores digitados na maquininha, que podem transformar o carnaval numa dor de cabeça.
PIX não é brincadeira
Além dessas estratégias golpistas no meio da folia, há outros caminhos feitos por criminosos, como golpes envolvendo o PIX com falsos QR Codes. Segundo Felipe Paniago, para reduzir os riscos, é importante adotar cuidados específicos ao utilizar esse meio de pagamento.
Entre as principais recomendações estão ativar senha, biometria ou reconhecimento facial para cada transação, conferir sempre o valor exibido na tela da maquininha antes de confirmar o pagamento, evitar maquininhas suspeitas ou fora do padrão habitual, configurar um limite baixo para o PIX por aproximação e reforçar a segurança do celular com bloqueio de tela e proteção extra para aplicativos bancários.
Os foliões devem estar atentos também à venda de ingressos falsos ou de abadás inexistentes, com acessos irregulares a camarotes e festas privadas.
Riscos virtuais
As fraudes ocorrem principalmente por meio de redes sociais, sites falsos ou mensagens enviadas por aplicativos, com ofertas abaixo do preço de mercado e senso de urgência.
- A recomendação é adquirir entradas apenas por plataformas oficiais ou canais reconhecidos, além de desconfiar de pedidos de pagamento exclusivamente via PIX ou transferências sem garantia - diz Paniago.
Foi exatamente em um golpe de falso ingresso que caiu a jornalista Alice Gomes, de 42 anos. Ela recebeu, pelo Instagram, uma oferta de venda de um camorote no Sambódromo do Rio de Janeiro, no ano passado. Pagou R$ 3 mil. Mas era tudo mentira. O perfil foi excluído e Alice, bloqueada. A frustração atravessou o samba e o carnaval da foliã.
- Ela mostrou o ingresso digital e pegou meus dados para fazer a transferência. Neste ano, eu vou de novo. Mas agora só compro nos sites oficiais mesmo”” - relatou Alice.