Foto: Ministério Público (Divulgação)
Dois policiais penais foram presos na manhã desta quinta-feira (11) durante a Operação Aliança Velada, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal. Os servidores também foram afastados das funções por suspeita de facilitar, mediante pagamento, a entrada de celulares e drogas em estabelecimentos prisionais gaúchos.
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A investigação aponta que os policiais integravam um esquema de corrupção que dava suporte às atividades de uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, a infiltração no sistema prisional era fundamental para que lideranças da facção continuassem comandando ações criminosas de dentro das penitenciárias.
A Operação Aliança Velada integra a quarta edição da Operação Convergência Nacional RS e tem como objetivo desarticular a estrutura financeira e operacional do grupo criminoso. Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva e 40 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de R$ 27,8 milhões em bens e valores vinculados aos investigados.
As ações mobilizaram 335 agentes e ocorreram em Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre. Dez dos mandados de prisão têm como alvo lideranças que comandavam as atividades ilícitas de dentro do sistema prisional.
Conforme as investigações, a organização criminosa é composta por 43 investigados, distribuídos entre núcleos gerencial, operacional, financeiro e de corrupção estatal. O grupo é suspeito de atuar no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de manter ligação com roubos e homicídios.
O Ministério Público estima que a facção tenha movimentado R$ 55,7 milhões em apenas 16 meses. Para ocultar os recursos ilícitos, os investigados utilizavam contas bancárias de terceiros, empresas de fachada, aquisição de veículos e imóveis e até uma organização não governamental (ONG).
A investigação teve início após a análise de um telefone celular apreendido durante a Operação Vis Legis, realizada em julho do ano passado. As informações extraídas do aparelho permitiram identificar a comunicação entre líderes presos e integrantes em liberdade, responsáveis pela logística e pela movimentação financeira da organização criminosa.
Além das prisões, a operação incluiu o cumprimento de mandados em unidades prisionais de Uruguaiana, Itaqui e na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), além da transferência de dois apenados considerados estratégicos para o funcionamento da facção.